diversão e arte

Três espetáculos movimentam a segunda semana do Cena Contemporânea

Regina Bandeira - Especial para o Correio

Publicação: 01/09/2010 07:00 Atualização: 01/09/2010 08:08

O Cena Contemporânea — Festival Internacional dobra a segunda semana com atrações de ponta. Hoje e amanhã, estreiam três espetáculos que colecionam boas críticas, temporadas de casas cheias e prêmios. In on it (hoje e amanhã, às 21h, no Teatro 1 do CCBB), Memória da cana (de amanhã a sábado, às 20h, na área externa do CCBB) e Dulce (de amanhã a domingo, às 19h30, no Teatro 2 do CCBB) dividem a atenção do espectador atento.

Do grupo Os Fofos Encenam, Memória da cana mergulha no universo rodrigueano (João Kehl/Divulgação
)
Do grupo Os Fofos Encenam, Memória da cana mergulha no universo rodrigueano
Ganhadora do prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro, a peça In on it, de 2009, do escritor canadense Daniel Mac Ivory, foi uma surpresa para o diretor Enrique Diaz, acostumado a produções elaboradas em termos de pesquisa e linguagem. “Assisti à peça em Nova York e achei que ela seria um ótimo exercício para os atores, já que se tratava de uma pequena produção — dois atores, uma cadeira e um casaco. Ela é uma peça despretensiosa, ensaiada no fundo do quintal que se revelou uma joia”, diz o diretor, que, na avaliação do curador do Festival Internacional, Guilherme Reis, é um dos mais importantes criadores da cena teatral brasileira.

Fernando Eiras e Emílio de Mello jogam em In on it: coleção de elogios em montagem de Enrique Diaz (Dalton Valério/Divulgação
)
Fernando Eiras e Emílio de Mello jogam em In on it: coleção de elogios em montagem de Enrique Diaz
Diaz acabou de chegar de uma turnê por países europeus e ainda não havia confirmado sua vinda a Brasília, cidade que já acolheu outros espetáculos, como Ensaio, Hamlet (2004) e Paixão, segundo GH (2003). “O público da capital é um dos mais interessados e receptivos que já conheci”, avalia o diretor, que trabalha frequentemente a desconstrução da linguagem teatral. E, em In on it (ou Por dentro), Diaz não foge à regra e acredita ser fundamental seu grupo — a Cia. de Atores — participar de festivais para ter acesso a novas linguagens e diferentes pontos de vista.

Coprodução Brasil-Portugal, Dulce ocupa o Teatro II do CCBB (Dalton Valério/Divulgação
)
Coprodução Brasil-Portugal, Dulce ocupa o Teatro II do CCBB
Em Dulce — uma coprodução Brasil-Portugal — e em Memória da cana (SP), a desconstrução ocorre de forma diferente. São as máscaras do amor perfeito que caem durante um jantar em Dulce, no qual dois casais expõem seus sentimentos contraditórios. Já Memória da cana aborda o estranho mundo dos tabus e das tragédias familiares. Com base em Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, o vencedor do prêmio Shell de Teatro de São Paulo deste ano desnuda uma família incestuosa, tendo como pano de fundo a cultura nordestina. A montagem a é a primeira visita da companhia de teatro Os Fofos Encenam ao universo do pernambucano Nelson Rodrigues.

“Sempre quis montar essa peça. Ao ler Gilberto Freyre, me pareceu que poderíamos organizar um diálogo entre os dois pernambucanos pelo eixo das memórias familiares. O estudo da família patriarcal nos ajudou a avançar na obra de Nelson. É um trabalho de coragem e entrega”, diz o dramaturgo Newton Moreno, que se encantou com a possibilidade de rever seu próprio álbum de família por meio da peça, que conquistou o prêmio Shell de Teatro de São Paulo em duas categorias: direção e cenário.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo do grupo Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.

Blogs