Para quem não sabe, VJ, ou visual jockey é aquele cara que mixa imagens durante as baladas. O nome foi criado no fim da década de 1970, no club novaiorquino Peppermint Lounge. Engana-se quem acredita que lançar essas imagens é uma das funções do DJ. A tarefa de sincronizar vídeos a partir de um som exige conhecimentos específicos desse profissional.
O brasiliense Emerson Queiroz, 29 anos, é um dos apaixonados pela arte. Há oito anos, ele viu um sujeito fazendo isso em uma festa de música eletrônica e, a partir daí, o engenheiro de telecomunicações foi trocando gradualmente sua profissão pela carreira de VJ. “Não tinha referência nenhuma a não ser a estética. Não sabia também que existia um software especializado para fazer isso. Na época, criei um software próprio para disparar os vídeos. Era bem simples, mas funcionava, juro”, conta.
Emerson ou VJ Erms foi um dos dois ganhadores do torneio brasileiro de VJs, o VJ Torna Brasil, que aconteceu na semana passada, em São Paulo. Vinte e quatro vídeoartistas de todo Brasil batalharam durante um dia inteiro para conseguir um lugar no torneio mundial, que acontece outubro, em Budapeste. “Na competição, eles nos deram um CD com vários vídeos em diversos formatos diferentes. Então, sortearam chaves de dois competidores, que duelaram ao mesmo tempo. As regras do torneio mudavam a cada etapa, deixando as coisas cada vez mais complicadas”, relembra Erms.
O júri foi formado pelo VJ português Pedro Zaz, pelos brasileiros Palumbo e Jodele Larcher, pelo vencedor do torneio de 2008 e organizador Spetto Sam, por Ilankatin e Boris Edelstein, criadores do modu8, software utilizado por VJs de todo o mundo, e também pelo mentor do evento, o húngaro Laki Laszlo. Para Erms, a dificuldade ao acesso a equipamentos de ponta, diferentemente do que acontece com os VJs europeus, não vai atrapalhar os brasileiros. Ele vai apostar nos mesmos vídeos que usa nas festas daqui para levar o troféu. “Estou indo para ganhar. Os VJs brasileiros sempre representam muito bem lá fora. O que às vezes falta, como tecnologia, a gente compensa com criatividade”, garante.
Projeção
Laki e Ilan passaram por aqui esta semana. O passeio rápido foi suficiente para deixá-los surpresos. Depois de uma tarde nos principais pontos turísticos a conclusão foi que “Brasília foi criada para as projeções dos VJs”. Os monumentos branquinhos e modernistas, segundo Laki, são perfeitos para o video mapping (mapeamento de vídeo). Nessa técnica, o VJ utiliza a arquitetura como uma grande tela de projeção, adequando o vídeo a janelas, arestas, e o que mais a criatividade dele permitir.
No ano passado, o VJ brasiliense Boca deu novos ares ao Museu da República durante a apresentação do cantor americano Moby. “Infelizmente, só consegui fazer a projeção em uma parte do museu. Precisaria de muito mais equipamentos para ter contornado ele todo. Isso ainda é muito caro aqui”, lamenta.
Mas Laki já tem projetos de fazer apresentações por aqui. Ele quer trazer toda sua parafernália e fazer algo parecido com os eventos gigantescos que promove em Budapeste.
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