diversão e arte

Miriam Leitão lança livro com coletânea de suas colunas Já a obra do cientista político Sérgio Abranches destaca a questão climática do planeta

Liana Verdini

Publicação: 09/09/2010 07:00 Atualização: 08/09/2010 21:36

O livro Convém Sonhar, da jornalista Miriam Leitão, é uma coletânea de 127 textos publicados ao longo do tempo na coluna que comanda desde 1991 no jornal O Globo — primeiro chamada de Panorama Econômico e depois renomeada para Coluna Miriam Leitão. Como ela mesma define na apresentação, o livro traz “retratos de um momento”, “flagrantes de tempos passados” em formato de crônicas sobre jornalismo, economia, política, questões sociais e ambientais. E até relatos de viagens e confidências aqui e ali do convívio com a mãe e com o pai. Sempre com muita emoção — várias vezes com a indignação que caracteriza o seu texto.

Copenhague antes e depois
De Sérgio Abranches. Editora Civilização Brasileira/Record). Número de páginas: 336. Preço médio: 49,90. Saraiva MegaStore Shopping Pátio Brasil. Horário: 19h (Editora Civilização Brasileira/Reprodução)
Copenhague antes e depois De Sérgio Abranches. Editora Civilização Brasileira/Record). Número de páginas: 336. Preço médio: 49,90. Saraiva MegaStore Shopping Pátio Brasil. Horário: 19h
A ideia de organizar o conteúdo foi da também jornalista Débora Thomé, que trabalhou com Miriam na coluna de 2002 a 2008. Impelida pelo pedido de vários leitores, desejosos de ter uma seleção com os melhores temas comentados pela jornalista, Débora se lançou ao desafio há alguns anos. Leu e releu mais de quatro mil textos — como contou — organizou e entregou algumas versões para avaliação da Miriam. E, como confessa a própria autora, “eu fugia”. Mas Débora não desistiu e o resultado está nas livrarias para quem quiser conferir.

Miriam Leitão: 'Não pensava que houvesse muito interesse em uma coletânea de colunas, mas tem sim' (Reprodução da internet/catracalivre.folha.uol.
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Miriam Leitão: "Não pensava que houvesse muito interesse em uma coletânea de colunas, mas tem sim"
“Eu fugia do formato. Não pensava que houvesse muito interesse em uma coletânea de colunas, mas tem sim”, admite ela. E conta que, em uma manhã gelada em São Paulo, ao chegar na livraria onde participaria de um debate seguido do evento de lançamento de seu livro e dos tradicionais autógrafos, havia uma fila com senha para entrar. “E conversando com as pessoas na fila, soube que várias se lembravam de uma coluna ou outra que eu havia escrito. É impressionante como o colunista hoje é mais do que aquela pessoa que fala para um nicho. Ele opina, reflete, mostra a emoção do momento. Viramos uma peça com mais utilidade”, reflete.

Gente
Miriam passeia com desenvoltura por assuntos que trata com clareza, objetividade e emoção. Questões espinhosas, polêmicas, contemporâneas, como mensalão, jovens, telefones, jornalismo, família, Brasil, Bush, Obama, mulheres. Mas ela também aborda temas mais light, como Machado de Assis e sonhos. “As colunas mais lembradas são aquelas que falam de gente, que saem do dia a dia da economia. Quando se fala de coisas mais permanentes, as pessoas se reconhecem, se identificam”.

Mas um colunista não pode evitar os temas do momento, nem da economia. E isso está contemplado no livro de forma contundente. Na verdade, a seção que trata do Plano Real é a mais longa de todas as 10. “São as colunas datadas, que se referem a um contexto, mas que conseguem ser entendidas fora do seu tempo”. E, de coluna em coluna, Miriam faz um balanço da história econômica do Brasil, desde a estabilização em 1994 até os dias atuais.

Convém Sonhar
De Miriam Leitão. Grupo Editorial Record/Editora Record. Número de páginas: 504. Preço médio: R$ 54,90. Saraiva MegaStore Shopping Pátio Brasil. Horário: 19h (Editora Record/Reprodução
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Convém Sonhar De Miriam Leitão. Grupo Editorial Record/Editora Record. Número de páginas: 504. Preço médio: R$ 54,90. Saraiva MegaStore Shopping Pátio Brasil. Horário: 19h
“O que me impressiona é como pessoas de níveis sociais diferentes, de áreas diversas, se interessam pela economia quando apresentamos os fatos de maneira clara”, diz ela. “Posso dizer que hoje o meu público não é mais o economista ou o empresário. Tem também. Mas hoje quem fala comigo que leu a minha coluna é a pessoa comum, o motorista de táxi, aqueles que encontro na rua e falam comigo que concordam ou que discordam de mim. Isso é impressionante e muito gratificante”.

HERANÇAS DE COPENHAGUE
» No mesmo dia do lançamento do livro de Miriam Leitão, Sérgio Abranches, mestre em sociologia pela Universidade de Brasília (UnB) e PhD em ciência política pela Universidade de Cornell (EUA), também estará divulgando sua mais nova obra: Copenhague antes e depois (Ed. Civilização Brasileira/Record). O autor conta toda a história, analisa os fatos, contextualiza os eventos e expõe os bastidores da 15ª Conferência das Partes, a COP 15, que aconteceu na capital da Dinamarca. Desde a Convenção do Clima, em 1992, no Rio, não acontecia um encontro tão amplo de chefes de Estado para discutir as mudanças climáticas —, apesar da desconfiança e da falta de consenso que caracterizaram a conferência. Prioridade até mesmo na agenda dos maiores emissores de gases, como EUA e China, as transformações do clima são, de longe, o assunto de maior interesse deste século na opinião do cientista político e pesquisador brasileiro. O livro de Abranches pega a Conferência como exemplo para falar de mudanças climáticas, de como os cientistas chegaram às conclusões que chegaram, da política e da diplomacia do clima, e da cobertura do evento com as novas ferramentas, como o Twitter. Um livro nada convencional sobre o tema do momento.

Trecho do livro Convém Sonhar, de Miriam Leitão
Só a bailarina (23.3.2008)


Todo mundo tem gargalos. Só a bailarina que não tem. A Índia não fez reformas, tem um setor público ineficiente e um déficit fiscal que só não é maior porque está muito mal contabilizado. A China bate em limites ambientais com seu modelo destrutivo de crescimento.

A chuva ácida atinge um terço do território chinês e aflige 700 cidades, admitiu Sheng Huaren, o vice-presidente do Comitê Provisório do Congresso da China.
O Brasil costuma falar dos seus gargalos ao crescimento — que são mesmo grandes — como se fosse o único país a tê-los. Esta não é uma coluna para nos conformarmos com os nossos persistentes obstáculos ao crescimento. É só para combater um pouco o complexo de que outros são bailarina. (…)

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