diversão e arte

Pedro Vasconcellos revela-se talentoso compositor e solista no CD Primeiro

Irlam Rocha Lima

Publicação: 14/10/2010 07:40 Atualização: 14/10/2010 16:18

Trio Aquário: grupo unido desde 2006 e que dá sustentação sonora para o CD de Pedro Vasconcelos
Trio Aquário: grupo unido desde 2006 e que dá sustentação sonora para o CD de Pedro Vasconcelos
Pertencente à segunda geração dos Vasconcellos, a mais musical das famílias brasilienses, Pedro, 28 anos, é um craque do cavaquinho. Com 10 anos de carreira, ele tem participado de diferentes projetos e acompanhado nomes destacados da MPB em rodas de samba e choro. Agora, revela-se talentoso compositor e solista, com o lançamento do CD Primeiro.

O álbum, que saiu pelo selo Brasilianos, com direção geral de Marcos Portinari e Hamilton de Holanda, é do Trio Aquário, que Pedro Vasconcelos mantém com Rafael dos Anjos (violão) e Eduardo Belo (baixo acústico) desde 2006. Solista em todas as faixas, assina sete das 12 composições, além de ser idealizador do trabalho e de dividir os arranjos com os companheiros de grupo.

“Tínhamos a ideia de fazer o disco há mais tempo, mas só no ano passado é que houve recursos para isso. As gravações, no estúdio Beco da Coruja, entre julho e agosto, tiveram coprodução de Ricardo Nakamura, responsável também pela mixagem, enquanto Michael MacDonald cuidou da masterização, no Algorythms Studio, em Nova York”, conta Pedro.

São de autoria do cavaquinista A estrela e o homem, que abre o repertório, Noite e dia, Chorinho da alegria, Apesar de tudo, Dois anjos, Um três para quatro e Um pouco de amor. Rafael dos Anjos compôs Saudade do meu amor e Tarde azul; e Eduardo Belo, O amor em um sorriso e Ainda nada. “Ao Hamilton (de Holanda), que conhece bem nosso trabalho, pedimos uma canção e ele nos presenteou com Música para sentir e pensar”, diz o músico.

Pedro e seus companheiros do Aquário tinham em mente, desde o começo do projeto, criar um som introspectivo que expressasse sentimentos e emoções. “Acredito que as pessoas que vierem a ouvir o disco poderão ser tocadas de diferentes formas. Mesmo não tendo letras, os temas podem ser apreciados como canções instrumentais de fácil assimilação, embora, para alguns venham a soar como sofisticadas”, argumenta.

MPB e jazz

Choro, valsa e baladas de jazz estão entre os estilos musicais que serviram de influência para Pedro, Rafael e Eduardo. “A música popular brasileira e o jazz fazem parte da nossa formação. Crescemos como instrumentistas ouvindo diferentes gêneros da MPB e do jazz. Mais claramente, ou de maneira sutil, isso é utilizado por nós nesse trabalho, mas com uma visão bem pessoal de cada um.”

Segundo Pedro, em Primeiro há também a intenção de demonstrar que o cavaquinho pode ser tão expressivo quanto qualquer outro instrumento consagrado. “Há uma preocupação em elevá-lo a um patamar mais alto, de enobrecê-lo com a sonoridade que é extraída odele nas execuções dos temas presentes no repertório do CD.” Essa proposta, obviamente, tem tudo a ver com a sensibilidade de quem o utiliza. No caso, esse jovem artista com aprofundada noção de musicalidade e estética. (IRL)


Primeiro

CD de estreia do Trio Aquario, com solos de Pedro Vasconcellos. Lançamento do selo Brasilianos, 12 faixas. Preço médio: R$ 25. Pontos de venda: Fnac (ParkShopping) e Livraria Cultura Casa Park).

CRÍTICA - PRIMEIRO ****

UM CANTINHO, UM CAVAQUINHO

De certa forma, Pedro Vasconcellos, Eduardo Belo (baixo acústico) e Rafael dos Anjos (violão) são os caçulas de um movimento “filosófico-musical” catalizado por Hamilton de Holanda. Não é à toa que Primeiro sai pelo selo Brasilianos, do bandolinista. Hamilton passou a última década aglutinando talentos em nome da renovação consciente. Isso significava excelência técnica, pés plantados na tradição (o choro) e cabeça nas estrelas (a liberdade e a energia de um Hermeto Pascoal).

Aquário, projeto idealizado por Pedro, é outro momento. Está mais para satélite em órbita. O contraponto ao Big Bang hamiltoniano pode ser observado em temas noturnos, lunares, chuvosos até. Parte desse recolhimento se deve às opções de Pedro enquanto instrumentista e compositor. O cavaquinho, naturalmente limitado pelas quatro cordas, baliza os arranjos de modo mais impressionista. O resultado tem algo de trilha sonora.

O insight zen do trio é perceber que a partida se ganha nos detalhes. Chorinho de alegria, por exemplo, tece um caminho como quem não quer nada até que se revela o exuberante solo de Rafael dos Anjos. Um três para quatro ganha a gaita esperta de Gabriel Grossi. Ainda nada, assinada por Eduardo Belo, também tem esse clímax inesperado. Aquário veio completar uma constelação de possibilidades.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo do grupo Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.