Livro de Luis Humberto inclui séries de fotografias das últimas 4 décadas

Destaque para o olhar inusitado diante dos poderosos de Brasília e o cotidiano familiar

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postado em 22/11/2010 07:39

Ficar cego de tanto ver é um perigo que o fotógrafo Luis Humberto desconhece. No cotidiano insistente ele encontrou a irreverência e a criatividade, a delicadeza e a surpresa. Não precisou voltar os olhos para o exótico na tentativa de revelar o diferente e por isso Do lado de fora da minha janela, do lado de dento da minha porta é um convite ao inesperado. Organizado pelo também fotógrafo Salomon Cytrynowicz, com textos de Rubens Fernandes Júnior e Pedro Afonso Vasquez, o livro, editado com patrocínio da Caixa e com lançamento marcado para a próxima quinta-feira no Carpe Diem, faz uma revisão da obra de Luis Humberto. Acrescenta às imagens que já se tornaram clássicos da história da fotografia brasileira um lote de boas surpresas inéditas.


Arquivo Pessoal
Em capa dura, com projeto gráfico atento para a integridade das imagens — não há cortes e espaços brancos providenciais permitem um respiro a cada página —, Do lado de fora da minha janela, do lado de dento da minha porta completa a trajetória do fotógrafo. “O teu trabalho é o que você vê. O processo de escolha inclui o negativo”, explica Luis Humberto. “Esse livro é um inventário.” Todas as séries desenvolvidas durante as últimas quatro décadas estão representadas com acréscimos, mas é especialmente de Tempo veloz e Paisagem doméstica que emergem imagens há muito guardadas em arquivos e nunca publicadas.

Os dois ensaios têm o cenário doméstico e familiar como alvos, são fruto de um olhar que prefere buscar o inusitado na obviedade do dia a dia. É a mesma postura praticada na Liturgia do poder, quando a lente esperava os intervalos dos rituais da política para captar o patético e o inusitado de políticos à paisana em plena ditadura. Clássicos da cobertura política das décadas de 1960 e 1970 também estão no livro. “Mas só são clássicos porque já foram vistos”, brinca Luis Humberto. É a vertente grave da publicação, quebrada pela leveza de Cerrado, uma joia raramente publicada. “Eles não queriam colocar, aí eu disse ‘mas cadê o Cerrado, tem que ter!’”, conta, ao se lembrar das imagens realizadas para uma tese de doutorado sobre espécies nativas e que acabaram guardadas.

Tudo se mescla, não há capítulos para separar ou nomear os ensaios, uma maneira de familiarizar o leitor com os modos de trabalho do fotógrafo. “As coisas se interpenetram, se constituem um bloco enquanto tema, mas não em relação ao tempo. Ao mesmo tempo que fotografava a política, fazia Tempo veloz.” O livro está pronto na cabeça do fotógrafo há quatro anos. A exposição Luis Humberto: fotógrafo, realizada pela Caixa em 2006, serviu de esteio para o garimpo de imagens inéditas. “O livro tem tudo o que eu fiz”, garante, antes de admitir que cada ensaio renderia um livro inteiro. “Fotografia é um barato. É um negócio de descoberta de você e das coisas. E na edição você descobre de novo, principalmente no analógico, porque você não vê na hora.”
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