Curtas de animação ganham espaço no Festival de Brasília

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postado em 26/09/2011 08:54

Felipe Moraes , Yale Gontijo

João Augusto Rodrigues/Divulgação
 

Surreal. É com esse adjetivo que a animadora paraense Fabiannie Bergh, 28 anos, define a expectativa de exibir o curta A mala, na tela do Cine Brasília. O filme marca a estreia da diretora, já que foi selecionado para a primeira mostra competitiva de animação do Festival de Brasília. “É uma responsabilidade grande. Fico até surpresa”, admite. A criação de uma mostra específica para o formato representa, na opinião da cineasta, o reconhecimento de um mercado em ascensão. “Não temos muito apoio. Aqui na região (Belém), filmes de animação ainda têm que ter um apelo infantil, e o meu é mais adulto”, observa. Produzido com uma técnica que adapta bonecos de papel a estrutura de arame, o filme de um minuto de duração levou 15 dias para ficar pronto.

O diretor brasiliense Lucas Marques Sampaio, outro estreante, também está empolgado com a participação de Ciclo, o único filme do Centro-Oeste selecionado para mostra, que abre as noites de projeção do festival (serão dois filmes por dia, antes dos curtas e dos longas). Estudante de artes plásticas da UnB, Marques usou desenhos feitos à mão e com finalização no computador. É o único concorrente do DF na seleção. “Acredito que uma escola de animação é necessária em Brasília. Tem gente interessada em se profissionalizar, mas não tem curso superior. A pessoa se vê meio sem respaldo para isso. No meu departamento, o pessoal reclama um curso para a área de quadrinhos também. Tem um número crescente de pessoas interessadas”, analisa.

Edgard Paiva/Divulgação
 

Fabiannie e Lucas estão em minoria na competição, uma das novidades mais significativas da edição de 2011 do festival. A Região Sudeste emplacou o maior número de representantes, com oito títulos. Do Rio Grande do Sul, foram selecionados dois filmes. No total, serão exibidos 12 títulos feitos com diferentes técnicas de animação, que disputam um prêmio de R$ 20 mil. O ineditismo não é, nem de longe, uma exigência: seis deles foram exibidos na edição de 2011 do Anima Mundi. O volume de participantes mostra uma paisagem completamente diferente daquela que marcou as edições passadas.

Em 2010, o mineiro O céu no andar de baixo, de Leonardo Cata Preta, foi a única animação da mostra competitiva em 35mm. “Ao mesmo tempo que fiquei orgulhoso por ter sido selecionado, foi meio triste perceber que não havia mais nenhuma animação concorrendo”, lembrou o animador, sobre a experiência na cidade. Apesar de considerar boa a iniciativa de criação da mostra de animação, o criador admite uma certa impressão de segregação. “Não considero animação um gênero. Ela é uma técnica para fazer um filme. Para mim, é indiferente se é um filme de ficção, documentário ou animação”, analisa o realizador.

Solução provisória
Para Cata Preta, o reduto dos animadores em Brasília deve servir como um paliativo para ampliar o formato no país. “Assim como a questão das cotas para os negros na universidade era uma questão urgente do ponto de vista social e histórico, a mostra específica para animação deve servir como uma solução provisória para educação do olhar do consumidor e do realizador, mas principalmente da curadoria. Se não houvesse essa mostra, poderia não ter nenhum filme feito em animação na seleção”, reconhece.

Para o presidente da Associação Brasileira de Animação (ABCA), Felipe Tavares, a mostra de animação pode servir de exemplo para outros eventos dedicados ao audiovisual. “O mundo todo trata a animação como um gênero. Não é um gênero, é uma técnica para divulgar uma ideia. No Brasil, existem várias mostras, mas a maioria delas se esquece de premiar a categoria de animação e uma abertura grande num festival como o de Brasília é bom para mostrar para os outros festivais que existem produtos de animação suficientes no Brasil”, acredita Tavares.

 

Animações em competição
Amanhã
Céu, inferno e outras partes
do corpo, de Rodrigo John (RS)*
Bomtempo, de Alexandre
Dubiela (MG)*

Quarta

Moby Dick, de Alessandro Corrêa (SP)
2004, de Edgard Paiva (MG)*

Quinta
Quindins, de David Mussel
e Giuliana Danza (MG)*
A mala, de Fabiannie Bergh (PA)*

Sexta
Media training, de Eloar Guazzelli e Rodrigo Silveira (SP)
Cafeka, de Natália Cristine (RS)

Sábado
Sambatown, de Cadu Macedo (SP)*
Menina da chuva, de Rosaria (RJ)

Domingo
Ciclo, de Lucas Marques Sampaio (DF)
Raí sossaith, de Thomate (SP)

* Participaram da edição 2011 do Anima Mundi.

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