diversão e arte

Olhar político fez do cineasta Forgács uma referência em documentários

Yale Gontijo

Publicação: 07/02/2012 12:28 Atualização:

 (Péter Forgács/Divulgação)
A troca de correspondência entre o cineasta húngaro Péter Forgács e o estudioso norte-americano Bill Nichols demonstra uma relação de mútua curiosidade entre o teórico e o realizador. Nichols é autor de livros destinados ao cinema documental. Um deles, Introdução ao documentário, é bibliografia obrigatória para qualquer estudioso da área. Na troca de cartas, o teórico esmiuça o jogo entre o passado e o presente da imagem, cerne do trabalho do cineasta e artista plástico húngaro reunidos na retrospectiva Péter Forgács — Arquitetura da memória.

São 17 filmes de longa-metragem criados com imagens de arquivo. Forgács reuniu um grande acervo de filmes caseiros de famílias europeias durante o período que vai de 1930 a 1960, por meio de uma fundação criada para este fim e que obteve rolos e mais rolos de filmes de família apenas publicando anúncios no jornal. Na mesa de montagem, o diretor muda o encadeamento do registro original, adiciona informações em off, usa trilha sonora e comentários extras.

Em suma, interfere nos significados da imagem, mesmo que seja incapaz de mudar o desfecho de cada um de seus personagens. “Uma pequena meditação sobre a privacidade: a chave para esse gênero é o paradoxo de um cavaleiro olhando para o proibido, o tabu, mesmo que seja um acontecimento sem importância, mesmo no contexto de um filme de família, apenas um sorriso. Busco um procedimento para transferir para um nível metafísico a banalidade da existência”, baliza Forgács, na troca de correspondências publicada no catálogo da mostra.

 

A matéria completa você lê na edição impressa desta terça-feira (7/2) do Correio Braziliense

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