Nos últimos anos, o formato teatral que conta com um ator sozinho no palco, microfone em punho, poucos adereços e recursos, interpretando textos cômicos ininterruptamente, tem cada vez mais espaço na preferência dos brasileiros. Batizado de stand up comedy, o gênero americano já inspira até campeonatos em solo nacional. Chega hoje a Brasília a etapa regional do segundo campeonato brasileiro da modalidade. A partir das 21h, seis pré-selecionados (este ano, não há nenhum brasiliense na etapa) farão suas performances — gratuitas- na Cervejaria Devassa, localizada na 409 Sul.
O projeto é de autoria do radialista, apresentador e comediante Paulo Bonfá, que integrou o grupo de comédia Sobrinhos do Ataíde e comandou a atração Rock Gol, da MTV. “Quando comecei, há 21 anos, não existia uma maneira de se tornar humorista profissional. Era torcer para encontrar o Chico Anysio e entregar o material pra ele. Ou conhecer alguém do teatro, do cinema, da TV. Ou virar ator dramático e tentar uma brecha na comédia. Há muita gente boa que só precisa de um trampolim”, relata Bonfá. No papel de mestre de cerimônias das rodadas regionais, ele roda o país em busca de novos talentos, levando a tiracolo o também comediante Diogo Portugal, que brilhou como o office-boy Elvisley no programa
Zorra Total, é uma das estrelas do stand up no Brasil, e fará o show da noite.
Até 16 de janeiro passado, quando se encerrou o prazo para participar do campeonato, a produção do evento havia recebido mais de 326 inscrições. Foram horas diante da TV, até selecionar os que tiveram melhor desempenho em cada região. A finalíssima será em São Paulo, durante a terceira edição do Risadaria, que Bonfá define como um festival que reúne todas as formas de fazer rir, e será realizado entre 22 e 25 de março no Pavilhão do Parque Ibirapuera, em São Paulo. “Analisamos a graça e a originalidade do texto, a performance no palco, o timing de comédia e o carisma, que talvez seja o componente mais subjetivo”, explica o organizador e mestre de cerimônias.
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| O festival é organizado pelo comediante Paulo Bonfá |
PrêmioQuem se sagrar o mais engraçado da edição, de acordo com o júri técnico, ganhará prêmio no valor de R$ 3 mil e participação garantida na edição do ano que vem. O segundo colocado embolsa R$ 2 mil, e o terceiro, R$1 mil. Para isso, eles se precisam se destacar entre os demais participantes, selecionados no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. Até o fechamento desta edição, a etapa de Salvador havia sido suspensa em virtude da greve da Polícia Militar na capital baiana, e os organizadores ainda não haviam definido uma nova data ou local. Aos cinco escolhidos nestas etapas, se juntará um concorrente selecionado pela internet.
Outro benefício imprevisível, explica Bonfá, é a visibilidade conquistada por esses novos artistas. “Dos seis finalistas da última edição, cinco hoje vivem exclusivamente da comédia, coisa que antes não era possível. Eram professores universitários, publicitários, funcionários públicos”, salienta. O nível dos participantes, acrescenta, melhorou de um ano pra cá. “Já tivemos um primeiro ano muito bom, mas essa edição melhorou muito. Ou os comediantes estão mais preparados, ou investiram mais nos textos”, avalia.
Os candidatosEste ano, concorrem a vagas na final os comediantes Ramatís Weiss Cordeiro Souza, de Campo Grande; Bruno Barros Barbosa, de Palmas; Renan Lima Frayha e Magno Bruno Teixeira da Cunha Leonello, de Porto Velho; Santiago Gonçalves de Mello, de Valparaíso de Goiás (GO); e Paulo Henrique Vieira da Silva, de São Carlos (TO).
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