diversão e arte

Araquém Alcântara lança livro com fotografias sobre devastação da Amazônia

Ricardo Daehn

Publicação: 08/02/2012 08:00 Atualização: 08/02/2012 11:35

O horror do desmatamento e das queimadas vira registro poético sobre as lentes de Araquém Alcântara, que, mesmo com 42 anos de carreira, sonha em mapear toda a diversidade da vegetação brasileira (Araquém Alcântara/divulgação)
O horror do desmatamento e das queimadas vira registro poético sobre as lentes de Araquém Alcântara, que, mesmo com 42 anos de carreira, sonha em mapear toda a diversidade da vegetação brasileira

Se há algo que provoca ansiedade no veterano Araquém Alcântara é o fato de não ter sentido, na pele ou na retina, todas as diferenças de vegetação do Brasil. Andarilho e investigativo viajante, aos moldes de Pierre Verger, o fotógrafo catarinense até se gaba de tocar pontos “aonde ninguém chega”, na tarefa de, na pele de precursor, haver sistematizado, em imagens, aquilo o que estava disperso: animais e florestas. “O Brasil sempre foi meu modelo de universo”, sintetiza.

Na mesma escala agigantada, que comportou os cliques do recém-lançado livro Amazônia, o fotógrafo de 42 anos de carreira deparou-se com o quadro de um quinto de desmatamento na região, que, na idêntica proporção, concentra a água doce reservada ao planeta. Com desasossego, o homem que, por 11 anos, registrou fotografias de mais de 40 parques nacionais, recebe a alarmante estatística. “Não há fim a alcançar: o meu propósito é captar a beleza, flagrar a respiração da vida. Apresento o poético, mesmo quando documento o horror”, observa. Há quase três décadas, Araquém adotou uma linha ideológica, engajada e extremamente documental.

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As expedições renderam 150 mil imagens, com mescla de visões, saídas da “matriz criativa” na Mata Atlântica, além da real geleia de originalidade, em parcerias com personalidades como Paulo Vanzolini, Aziz Ab’Saber, Drauzio Varella e Thiago de Mello. Em momentos, porém, pouco importam os 44 livros de carreira e o incontável reconhecimento internacional, confirmado em prêmios como o Primer Print Awards (o Benny, sediado em Chicago) de melhor livro de arte das Américas e a integração a coleções como a do Centro Georges Pompidou (em Paris). “Há uma elite fotográfica, caolha, que torce o nariz para os que não a frequentam. Ignoram trabalhos livres e indomados”, avalia.

A matéria completa você lê na edição impressa desta quarta-feira (8/2) do Correio Braziliense.

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