
A troca de obras é um hábito comum entre artistas. A prática de escambo cultural, muitas vezes, acompanha uma relação de afeto e afinidade profissional. Presentear amigos, além da lembrança, marca uma época ou um sentimento de admiração mútua. Os franceses Claude Monet (1840-1926) e Auguste Rodin (1840-1917) cultivaram uma relação que pode ser contada a partir dessas delicadezas. Em 1888, Monet deu a Rodin uma obra intitulada Belle-;le, parte de uma série de 39 telas pintadas ao ar livre. Em troca, Rodin pediu a Monet que escolhesse entre duas de suas obras. Atualmente, a permuta está registrada nas paredes do Museu Rodin. Como essa, o Correio conta outras histórias por trás das molduras.Glênio Bianchetti e Glauco Rodrigues eram irmãos camarada
Além disso, tinham talento e bigode. Juntos, terminaram o ginásio na cidadezinha de Bagé (RS), onde começaram a ter, também, uma profissão. Sem informação alguma, misturavam as tintas em tampinhas de cerveja. Na época, o espaço era tão pequeno que Glênio lembra ;sujar as costas de tinta;. Hoje, seu ateliê tem o chão impecavelmente branco ; e espaço para colchões, de onde pode assistir Game of thrones com Ailema, artista e esposa, única mulher a participar do Clube de gravura, fundado na década de 1950, em Porto Alegre, ao lado de Danúbio Gonçalves, Carlos Scliar, Vasco Prado e Glauco Rodrigues.
A produção dos jovens artistas rapidamente ganhou relevância, projeção e manchete nos jornais. Em um consórcio com o mundo, recebiam obras de países estrangeiros, enquanto exportavam o estilo local em gravura, técnica de baixo custo, em geral, com obras figurativas e sensíveis. Muitos desses trabalhos estampam as paredes do Ateliê Bianchetti, no Setor de Mansões do Lago Norte, cada um com a moldura de uma lembrança.
Camila Soato é destaque da nova safra de artistas plásticos brasilienses
Bacharel em artes plásticas pela Universidade de Brasília, onde teve aulas de pintura com Elder Rocha, explora em suas telas o tom jocoso do grotesco e transpõe para as imagens algo de muito cru e perturbador do cotidiano. Parte desse experimentalismo é influenciado pelo Corpos Informáticos, grupo de pesquisa coordenado por Bia Medeiros, que incide diretamente em sua atual exposição, Vira-latas tecnológicos, instalada no Espaço Piloto (UnB).
Em processo, a artista convida os participantes a acompanharem a até interferirem no resultado final. Camila abriu a exposição com tudo desmontado, galeria desorganizada, andaimes e pinturas interminadas, para então transformá-la em ateliê e finalizar os trabalhos em 27 de junho, em uma revernissagem, que fica até 9 de julho. ;Vernissage significa envernizar, ou seja, o verniz é a última camada da pintura, demonstrando que seu processo está terminado. O que propus foi o inverso, também muito condicionada por um contexto de artistas que precisam ser seus próprios produtores, curadores e montadores;, explica.
