Diversão e Arte

Mostra na capital paulista reúne ilustrações de livros infantis

Obras foram feitas usando diversas técnicas e muitas vezes refletindo a pesquisa do artista

postado em 22/12/2013 15:46
A Mostra de Arte Contemporânea em Literatura Infantil (Macli) traz à capital paulista 70 trabalhos que ilustram livros de vários autores desse gênero. ;Nós estamos deslocando aquele objeto que foi originalmente criado para ilustrar uma narrativa literária infantil, isolando-o. E fica muito evidente, quando nós o isolamos, que ele tem vida própria e conexão com a arte contemporânea;, explica Favish Tubenchlak, um dos curadores, ao falar sobre os trabalhos que podem ser vistos até o dia 16 de fevereiro no Centro Caixa Cultural, no centro da cidade.

Leia mais notícias em Diversão e Arte
As obras foram feitas usando diversas técnicas e muitas vezes refletindo a pesquisa do artista sobre materiais e procedimentos. ;Cada um está buscando a sua técnica, a sua linguagem, o seu procedimento. São artistas muito sérios, que investigam o procedimento. Às vezes, em um livro, [o escritor] faz de uma forma, em outro livro faz de outra forma;, destaca o curador Podem ser vistas ilustrações elaboradas com pintura a óleo sobre madeira, pintura acrílica sobre papel, colagem com fotografia, xilogravura e desenho digital ao som de uma trilha sonora feita especialmente para a mostra.

O ponto principal é perceber a autonomia do texto e da imagem nos livros infantis. ;É um refinamento que vem aumentando os seus adeptos. Possivelmente, sempre existiu o artista visual autor do livro infantil, mas na produção contemporânea isso acontece cada vez mais. Ele não está ali simplesmente ilustrando uma narrativa, ele está criando uma narrativa junto com o escritor;, destaca Tubenchlak sobre a mostra que foi delineada a partir do conceito do estranho familiar de Sigmund Freud, criador da psicanálise.

;Quando a gente foi fazer essa curadoria, a gente levou em consideração um termo cunhado por Freud, que traduzido seria: o estranho familiar. Aquilo que não é você, no entanto, você se reconhece de alguma forma. É estranho e também familiar;, explica o curador sobre o pensamento que se apresenta claramente em algumas obras, como a do brasileiro Fernando Vilela.

Vilela escreveu e ilustrou o livro Lampião e Lancelote, em que o cangaceiro encontra o cavaleiro medieval das histórias da Távola Redonda. ;São dois estranhos, sob todos os aspectos, de época e pessoalmente. No entanto, se encontram como em um espelho;, destaca o curador.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação