Diversão e Arte

Festival Cena Contemporânea tem maior foco no público jovem

Companhias realizam experimentações de novas linguagens sensoriais

Rebeca Oliveira
postado em 25/08/2016 07:00

A gênese da fala é ponto crucial do espetáculo A gruta da Garganta

Mais que abrir os palcos para um público entendido do ilimitado universo das artes cênicas, a 17; edição do Cena Contemporânea dedica parte da programação a um elemento fundamental ao futuro do teatro brasileiro: a formação de plateia. Cresce a quantidade de peças direcionadas a espectadores cada vez mais jovens, com contexto que se difere do caráter pedagógico com que são concebidos grande parte dos projetos de teatro infantojuvenil. São experiências contemplativas, que respeitam o universo de entendimento dos signos teatrais de uma plateia que pode ir de zero a 14 anos. E também os desafiam a ir além, apresentando novos conceitos e possibilidades, seja usando de recursos multimídias, seja explorando a potencialidade da fala.

O espetáculo A gruta da garganta, da companhia La Casa Incierta, tem exibição a partir de hoje no Museu Nacional da República e exemplifica a tendência da produção de peças que explorem o lado sensorial de bebês e crianças. O diferencial é não esbarrar no didatismo ou qualquer visão estereotipada de que o adulto, de conhecimento superior, teria algo a ensinar.

Lado a lado, cada um tem a própria percepção e são tocados de igual maneira. ;A peça foi criada para a primeira infância. Só que não esquecemos dos pais e responsáveis, que são quem os levam ao teatro e, certamente, sairão tocados das apresentações. Não é teatro sobre ecologia, educação, ou apenas para entreter. Queremos sensibilizá-los sobre a importância da comunicação;. Quem define é a atriz e cantora brasiliense Clarice Cardell, responsável pela concepção da peça multimídia com o colega Carlos Laredo, diretor espanhol com quem fundou a cia teatral há mais de 15 anos.

;Estávamos sediados em Madri antes de virmos a Brasília, há três anos. É nosso 14; espetáculo para bebês. Sempre fazemos um trabalho de pesquisa em creches. É algo obrigatório;, conta Cardell sobre parte do processo produtivo. Apesar da vasta experiência com teatro infantil, A gruta da garganta ganha contornos inéditos nas mãos da artista e dos colegas de palco. Na fase de testes e experimentações, um bebê em especial os inspirava na criação e nos testes do impacto que as cenas causavam. Trata-se do filho de Aida Kellen, cantora lírica com quem Clarice compartilha a apresentação. Com menos de um ano, a criança foi fundamental na construção do espetáculo.


Programação de hoje


A gruta da garganta (DF)

Às 11h e às 16h; no Auditório 1 do Museu Nacional da República (Esplanada dos Ministérios). Sinopse: Espetáculo dedicado a primeira infância discorre, de maneira poética, sobre a importância da comunicação para a formação humana. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), à venda no local, uma hora antes da apresentação. Indicado para
crianças de 0 a 6 anos.

Cegos (SP)
Às 15h, em trajeto pelo Governo Federal (Esplanada dos Ministérios, Congresso Nacional e Praça dos Três Poderes). Coberto por argila e com os olhos vendados, atores performáticos se misturam aos pedestres em performance que questiona o excesso de trabalho e a petrificação da vida, entre outras questões. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

A floresta que anda (RJ)
Às 18h30, às 20h e às 21h30, no mezanino do Museu Nacional da República (Esplanada dos Ministérios). Sinopse: O público é recebido para um vernissage numa galeria de arte e envolvido por testemunhos reais filmados de pessoas comuns comentando como suas vidas foram afetadas pelo sistema político e econômico atual do Brasil. Ao mesmo tempo, os espectadores são envolvidos por situações criadas por atores ao vivo. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Não recomendado para menores de 18 anos.

Hysterica passio (SP)
l Às 19h, no Teatro Funarte Plínio Marcos (Eixo Monumental; 3322-2076). Sinopse: Hipólito, filho da esquálida enfermeira Thora e do pálido dentista Senderovich assume diversas figuras alegóricas em cena: a de um mestre de cerimônias,
a de seu pai já morto e a dele mesmo na infância. Apresenta sua vida e a de seus pais, retomando ao passado para questionar, julgar e condenar a dor que sente, as feridas ainda não cicatrizadas. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Não recomendado para menores de 14 anos.

Ladrão de mim (DF)
Às 21h, no Teatro da Caixa (SBS, Qd. 4, Lts. ;). Sinopse: Em peça solo, a pesquisadora da UnB Lucianna Mauren esmiúça as experiências afetivas de uma mulher. A apresentação conta com projeções em vídeo, tendência no festival. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Não recomendado para menores de 16 anos.

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