Gustavo Piqueira lança livro sobre experiência realizada em bairro nobre

Escritor explica no texto o processo que o levou a distribuir panfletos sobre personagem inexistente

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postado em 07/09/2016 07:30 / atualizado em 07/09/2016 09:36

 

João Macul/Divulgação

 

Outubro de 2015. Nove mil residências dos bairros Santa Cecília e Higienópolis, em São Paulo, recebem folhetos entregues por mala direta. Sem qualquer explicação, alguns textos denunciam os trambiques de um certo Valfrido. Em outras correspondências, ele se defende. Sem saber do que se trata, os moradores são surpreendidos com cartazes e elementos da história nas redondezas. Sem um desfecho, o tal Valfrido sumiu, mas retorna agora, em livro, de Gustavo Piqueira, lançado pela editora Lote 42.

Na obra, que mistura elementos gráficos ao texto, além da narrativa propriamente dita, estão explicações sobre o processo e reflexões sobre a experiência. “Eu sempre me questionava se era uma bobagem e me perguntava: ‘O que estou fazendo?’”, conta Piqueira. O autor, que lançou mais de 10 livros nada convencionais, é designer de formação, com uma série de prêmios no currículo e sempre misturou a narrativa gráfica à escrita.

Durante o processo, a escolha do autor e da editora foi de evitar ter qualquer informação dos leitores. “Um dos pilares de toda a história era que a gente não tivesse retorno, não havia identificação e nenhuma forma de contato”, lembra. Hoje, depois de o livro lançado, ele conta que surgiram diversas teorias entre a vizinhança para adivinhar do que se tratava. Campanha política, peça de teatro? “Houve até um condomínio que se reuniu para decidir se chamava a polícia ou não, foram coisas que a gente descobriu depois”, revela.

Em todas as teorias, segundo Piqueira, havia um fator comum: a espera de um desfecho. “Todo mundo imaginou que, em algum momento, o Valfrido ia aparecer, fosse o que fosse, propaganda, teatro…”, conta. Assim como havia a escolha por não ter retorno durante o processo, Piqueira também preferiu não imaginar por quais caminhos o projeto iria. “Eu acho que uma das coisas bacanas do livro era não construir uma hipótese, jogar uma coisa aberta e trabalhar com o que fosse acontecendo, surgindo da história em si. Eu não tive nenhum tipo de pré-conclusão”, garante.

 

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