Diversão e Arte

Criolo fala sobre trajetoria, carreira e futuro

Músico vem a Brasília para relançar Ainda há tempo, primeiro disco da carreira, de 2006, em show na Funfarra amanhã

Igor Silveira
postado em 24/09/2016 15:54
Criolo estava desanimado com a própria trajetória no rap em 2006. Com 18 anos de carreira naquele momento, ele não tinha conseguido decolar no mundo da música. Lançou o primeiro disco, então, Ainda há tempo, e manteve a persistência, militando no hip-hop. Em 2011, a história se repetiu. Prometeu se aposentar como rapper e, para se despedir, gravou Nó na orelha. O resto dessa história todo mundo conhece e Criolo é um dos artistas mais relevantes do país atualmente. Amanhã, ele estará na festa Funfarra, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) relançando o álbum de estreia. Confira a entrevista que o músico deu ao Correio.

[FOTO1]

Porque a decisão de relançar o primeiro disco neste momento da carreira?
Tudo começou com a ideia de fazer uma única apresentação para celebrar a data. O álbum nunca teve uma apresentação, então com a energia coletiva isso foi possível. Com a direção musical de Daniel Ganjaman e a direção de arte do número por conta do Alexandre Orion, percebemos que esse momento especial começava a nascer. Aí, com a chegada dos jovens produtores convidados para contribuir com as músicas decidimos fazer este novo registro.

Artisticamente, entre 2006 e 2016, quais foram as principais mudanças no Criolo artista e no ser humano?
Em 2006, era uma estreia, quase despedida, pois já cantava há mais de 18 anos. Agora, em 2016, continuo o mesmo que antes, um aprendiz dessas tantas coisas da vida.

Você sabe identificar, hoje, as fontes de sua frustração no período pós-Ainda há tempo, quando você chegou a afirmar que seria sua última tentativa?
Desemprego, pressão social para ;ser alguém;, e tantas outras visitas não desejáveis nos são acometidas. Hoje, fico pensando: e se esse tanto de músicas que sempre estiveram em minha mente e coração não tivessem ido pro mundo? Quem define o que? Alguém define a sociedade ou a sociedade que te define? Sem diretos iguais reais é tudo bem mais difícil.

Em uma época de defesa das liberdades individuais, choque de ideologias e crise de lideranças no Brasil e no mundo, como a arte pode atuar para tranquilizar e/ou transformar atitudes e pensamentos?
Liberdades individuais numa sociedade extremamente castradora deve ser pauta diária, e é quando, naturalmente, a luta por igualdade faz parte de seus pensamentos. Choques de ideologias e crise de lideranças existem desde as caravelas. A arte atua com a energia de quem a constrói, aí vai de cada um dividir com o mundo.

Qual é o próximo passo na carreira?
Vivemos música todos os dias e trabalhamos muito todos os dias. O que vier a partir disso é o próximo passo.

Qual a principal diferença do movimento hip-hop desde o lançamento do seu primeiro disco até os dias de hoje?
O hip-hop é uma energia tão grande que não dá pra mensurar, e suas nuances são desenhadas por cada pessoa que deixa um pouco de si nesta grande energia.


Funfarra com Criolo
Amanhã, das 12h às 24h, na área externa do CCBB Brasília (SCES Trecho 2, Lote 22). Shows com Criolo (SP), FUNFA JAM, Calango Careta e outras atrações. Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia). Não recomendado para menores de 16 anos (acesso de menores de idade apenas na companhia de pais ou responsáveis).















Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação