Complexidade da questão do gênero é tema de livro de Renato Fino

O gênero eterno, terceiro romance do escritor, apresenta outra visão sobre o assunto, já abordado pelo viés da sociologia e filosofia

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Divulgação/Luiz Jungmann Girafa

Foi pela vontade de tratar do tema do gênero fora do mundo acadêmico que o escritor Renato Fino escreveu O gênero eterno, seu terceiro romance. “No fundo, é isso, um livro sobre gênero. Quis pegar um tema da sociologia, da filosofia e apresentar por outra visão”, comenta Fino. Ele lança a obra amanhã no Senhoritas Café (na 408 Norte) a partir das 19h.


Para o escritor, apresentar uma visão distinta é uma das contribuições que a literatura pode dar. “O tema entra aqui em uma abordagem diferente, inédita, ainda que limitada. Não é um livro acadêmico, é ficção”, explica. “O que motivou foi escrever sobre esse gênero que não se define nem aceita rótulo nenhum.

 

”Uma professora de filosofia protagoniza o romance e narra, com uma voz em terceira pessoa, os acontecimentos. No enredo, o autor garante, estão presentes (apesar da curta extensão) muitos temas importantes da literatura. “O livro tem 85 páginas, mas traz traição, morte, violência e até temas mais contemporâneos como estupro, aborto e, claro, gênero”, assegura.

 

Fino faz questão de dizer que seu novo trabalho não propõe nem traz qualquer verdade. “O que faço é ficção, é mostrar a vida das pessoas acontecendo, não quis levantar bandeiras”, ressalta. Escrever sobre um tema polêmico foi um desafio, mas também uma necessidade. “O escritor tem obrigação de entregar ao leitor o que ele sabe que existe, mas ninguém tem coragem de colocar o dedo.” Sem fazer longas pesquisas ou grandes planejamentos, Fino conta que o livro fluiu de acordo com o processo de produção. “Eu não faço pesquisa. Acho mais honesto entregar algo pessoal. O leitor merece um ponto de vista que não encontrará em nenhum outro lugar e o livro não tem pretensão de responder a nada”, conta.

 

O processo de escrever a obra, conta o autor, é feito quase que naturalmente. “Quando escrevo, o tema se impõe logo quando chega e fica na gente por meses, anos e é como se fosse um ímã, atraindo várias coisas que têm ligação”, explica. Durante todo o processo de edição, o autor continuou pensando na obra e teve de fazer modificações mesmo pouco tempo antes de o livro ir para a gráfica.

 

“O livro se escreve, é um ser vivo e às vezes pede uma mudança. Dias antes de ir para impressão, eu tive que mudar o final”, revela. Apesar de não sugerirem alterações, mulheres que fazem parte da vida de Renato, até pelo tema e pela narradora feminina, leram e deram retornos sobre o livro. “Foi até de uma amiga que veio o pontapé para publicar. Ela disse que o livro estava pronto e não tinha mais o que escrever.”

 

 

SERVIÇO

O gênero eterno

Romance de Renato Fino.

Siglaviva, 85 páginas. R$ 20.

Lançamento amanhã a partir das 19h, no Senhoritas Café, 408 Norte.

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