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Compositores e cantores de diversos gêneros continuam lançando discos

Na contramão da crise da indústria fonográfica, produções feitas por pequenos selos e trabalhos independentes aparecem como opção

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postado em 10/10/2016 10:01 / atualizado em 10/10/2016 14:42

Irlam Rocha Lima

Arquivo Pessoal/Divulgação
Os percalços vividos pela indústria fonográfica nos tempos de agora não impedem que discos sejam lançados em profusão. CDs de artistas dos mais diferentes segmentos da música popular brasileira, têm saído das majors – grandes gravadoras estabelecidas no país – , sistematicamente. Produções de pequenos selos e trabalhos independentes também buscam fazer história nesse período de vacas magras para quem compõe, interpreta e registra canções. Todos, obviamente, querem chegar ao público.

O Correio mostra aqui um pequeno, mas representativo painel de lançamentos, que abrange gêneros como MPB tradicional, samba, bossa nova, gospel e até o resultado de pesquisa feita em torno da música medieval. Coincidentemente — ou não — , as gravações são de vozes femininas. Entre elas, as de nomes conhecidos como Quarteto em Cy, Wanda Sá, Vânia Bastos e Fortuna; e as Clara Gurjão, Michele Leal e Sarah, novas cantoras em busca do seu espaço nesse concorrido universo.

» Quarteto em Cy
Quarteto em CY/ Janelas abertas – Grupo descoberto e lançado nos anos 1960 por Vinicius de Moraes, o Quarteto em Cy, dono de extensa discografia, chega ao mercado com Janelas abertas,CD produzido por Ruy Quaresma e distribuído pelo selo carioca Fina Flor. As 10 faixas trazem três composições inéditas, Vim dizer que sim Marcos Valle e Celso Fonseca), que abre o repertório, Tristeza e solidão Joyce Moreno) e Rios Marinheiros (João Donato e Ronaldo Bastos), e sete regravações. Entre elas, há Querelas do Brasil (Maurício Tapajós e Aldir Blanc), Futuros amantes (Chico Buarque), O negócio é amar (Carlos Lyra e Dolores Duran) e Janelas abertas (Tom Jobim e Vinicius de Moraes). “Entre as músicas que fizemos releitura tem as que lançamos dos nossos primeiros discos, omo Tristeza e Solidão, afro-samba de Baden Powell e Vinicius de Moraes”, diz Cynara. Ela e a irmã Cyva são as únicas remanescentes da formação original do conjunto, que se completa com as novas integrantes, Keyla e Corina. Do álbum participam Carlos Lyra, Zélia Duncan, Celso Fonseca, Marcel Powel , Cristovão Bastos e Pretinho da Serinha. Preço: R$ 20.


»Wanda Sá
Wanda Sá/ Cá entre nós – Cantora da segunda geração da bossa nova, Wanda Sá projetou-se depois de gravar Vagamente (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), canção que deu nome ao seu LP de estreia, de 1964. À época, em encontros com jovens como Edu Lobo, Dori Caymmi, Francis Hime e Nelson Motta, num ambiente de modernidade, ela costumava tocar músicas suas e do mestre Tom Jobim . Agora, na maturidade, a cantora carioca reúne em Cá entre nós, CD que saiu pelo selo Fina Flor. Interpreta, 11 músicas compostas por amigos de diferentes gerações. Com o belo e caraterístico timbre, ela passeia – como se caminhasse pela praia do Leblon – por exemplo, Fotografia (Tom Jobim), Considerando (Edu Lobo e Capianam), Entardecendo (João Donato e Marcos Valle), Fora de hora (Dori Caymmi e Chico Buarque) e Uma simples canção (Ivan Lins e Nelson Motta). Tudo sobre a competente batuta de Menescal. “Nesse disco, queria experimentar coisas diferentes. Sempre quis fazer algo só com baixo e voz. Fiz também outra canção com piano e voz; e a que gravei com o Quarteto do Rio (grupo que substitui Os Cariocas, depois da partida do eterno maestro Severino Filho). Não queria uma sonoridade só para esse trabalho. Minha ideia era mudar o colorido. Eu me senti livre para fazer essas escolhas”, destaca. Preço: R$ 20.

» Vânia Bastos
Vânia Bastos & Marcos Paiva/ Concerto para Pixinguinha – Ao se deter sobre a obra do genial compositor carioca, um dos pais da música popular brasileira, Vânia Bastos, na companhia do contrabaixista Marcos Paiva, concebeu um dos melhores discos lançados em 2016. O requinte interpretativo da cantora paulista recria nesse álbum clássicos do mestre e parceiros como Vinicius de Moraes (Lamentos), Hermínio Bello de Carvalho (Fala baixinho), Otávio de Souza (Rosa) e João de Barro (Carinhoso e Urubu malandro). Vânia fala sobre o critério em relação à escolha do repertório: “Usei apenas o meu olhar sobre as músicas, uma sensibilidade em relação a elas. Aí, vem a paixão, o ouvido, o jeito de traduzir tudo aquilo. Depois, veio a química entre voz, arranjos e particularidade de pronunciar cada palavra. As melodias de Pixinguinha são uma vastidão de detalhes, que torna-se um mergulho profundo para quem vai ali se deliciar”. Os arranjos foram criados por Marcos Paiva, que se junta a César Roversi (sax, clarineta e flauta), Jônatas Sansão (bateria), Nelton Essi (vibrafone) na execução de faixas instrumentais como Cochichando, Displicente e Recordações. Preço: R$ 25.

»Fortuna
Fortuna/ Novos Mares – Cantor e compositora brasileira, de origem judaica, Fortunée Joyce Sadfié adotou desde o início da carreira o nome artístico de Fortuna. Desde então, lançou 11 CDs e quatro DVDs. O álbum mais recente, que acaba de chegar às lojas, pelo selo Sesc, é Novos mares. Nesse disco autoral, a cantora focaliza a peregrinação de um povo em busca de um novo mundo, numa viagem árida que navega por diversos países, línguas e histórias. Entre as 12 faixas, destacam-se Ah ya zein, Mon amour, Erev shel Shoshanim, Dona Nobis Pacem, La komida la Mayana, A la mar e Branca Dias. O ponto de partida é a história de Branca Dias, que, perseguida pela Inquisição, fugiu da Península ibérica rumo a Pernambuco. “Incorporamos neste trabalho raízes dos meus antepassados. Eu, como judia, passei infância ouvindo canções em árabe, populares no Oriente Médio”, lembra Fortuna. “Com Novos mares, ela reforça ação educativa que visa a construção de um diálogo intercultural entre povos pertencentes a nações e religiões diferentes, mas que têm em comum a linguagem universal da música”, afirma Danilo Santos de Miranda, do selo Sesc. Preço: R$ 20.

» Michele Leal
Michele Leal/ Peixe – Outra novata, essa cantora e compositora mineira radicada no Rio de Janeiro, aos poucos vai sendo descoberta pelo grande público. Jacarandá, uma das canções registradas no EP de 2013, dirigido pelo brasiliense-cearense Jorge Helder (baixista das bandas de Chico Buarque e Maria Bethânia) entrou na trilha da novela Sangue bom. Agora, ela está lançando Peixe, álbum que tem direção de Domenico Lancellotti. Das 10 faixas do disco, seis têm a assinatura de Michele (com parceiros), entre elas, Morena Marina, Serpente maravilha e Mermão. Marcelo Pádua é autor de 7x1, Sossego e Cabntiga pra João (também dividindo parceria). E há, ainda, a regravação do samba clássico praça Onze, de Grande Otelo e Herivelto Martins. O violoncelista Jaques Morelembaum é o convidado especial do Peixe. Preço: 20.

» Sarah
Sarah – Chega ao mercado no dia 16 o segundo disco de Sarah. A baiana de sorriso largo, que usa roupas coloridas e turbante, é a mais nova contratada da Universal Music. Cantora e compositora, pertencente a uma família de músicos, ela vem conquistando fãs na cena gospel nacional e internacional. A trajetória artística de Sarah começou cedo. Aos 9 anos, já cantava na igreja do bairro; aos 15, mudou para São Paulo, onde trabalhou até os 20 anos e gravou  Uma nova história, CD contemporâneo, com produção de Fábio Aposan e gravado no Mosh Studios, em São Paulo. Embora haja riffs de guitarra, naipe de metais e programação eletrônica, o que predomina é a voz suave e cheia de personalidade da cantora. Meu coração é teu, Deus está no controle de tudo, Graça, Eu sou de Jesus e Espírito Santo são algumas faixas do CD de uma menina de igreja de bairro, mãe e a mulher que propõe a comunhão da fé com a beleza e a força da música. Preço: R$ 20.

» Clara Gurjão
Clara Gurjão/ Ela – Nome novo na cena musical carioca, Clara Gurjão lança Ela, seu primeiro CD ,que traz 12 faixas. São basicamente composições autorais em que, sem nenhuma cerimônia, propõe a fusão do pop com gêneros diversos – do samba ao blues, do tango ao jazz. Da canção que nome ao trabalho e que abre o repertório, a Vou te esperar, a última da lista a ser ouvida, o que mais chama a atenção é a compositora talentosa e a intérprete diferenciada, além de violonista que exibe segurança. O mundo é tentador, raqpaz, Armadilha, Leonino e Canção lisboeta são outros bons momentos do álbum, que se completa com a releitura — personalíssima — de Muito, um lado B de Caetano Veloso; e de Como fue, bolero clássico do cubano Ernesto Duarte Brito. Clara se fez cercar um grupo de músicos de primeiríssima qualidade, do qual fazem parte, entre outros, o experiente baterista Marcelo Costa (da banda de Maria Bethânia), o baixista Kassin; o guitarrista Gabriel Mayall (ex-Los Hermanos) e o jovem tecladista Danilo Andrade. Preço: R$ 20.
 

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