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Conheça Leonardo Sbaraglia, ator argentino que tem brilhado com brasileiros

Estrela de 'O silêncio do céu' intensifica a parceria com diretores nacionais

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postado em 12/10/2016 07:12

Ricardo Daehn

 Loic Venance/AFP -17/5/14
 

 

Coincidindo com a explosão de interesse despertada pela cinematografia argentina, em fins dos anos 1990, o despontar da carreira do ator Leonardo Sbaraglia tomou forma entre os brasileiros a partir da aparição no thriller Plata quemada (2000). De lá para hoje, Leo, como ele gosta de ser chamado, já fez história nas telas. Para Luis Puenzo (do clássico A história oficial), ele foi destaque em A puta e a baleia (2004), esteve no arrasador sucesso de Relatos selvagens (2014) e, para coroar o contato com os hermanos brasileiros, trabalhou com José Eduardo Belmonte, para a série O hipnotizador da HBO, e protagonizou um dos sucessos no último Festival de Gramado, o longa O silêncio do céu, além de estar no recém-lançado (no circuito nacional) No fim do túnel, no qual interpreta um cadeirante que pretende dar um golpe em uma turma de trapaceiros. Em entrevista exclusiva para o Correio, Sbaraglia, aos 46 anos, fala das pontes culturais que preza, do papel da mulher no cinema de hoje, do apego pelo mate e da imensa admiração pelo colega de ofício Ricardo Darín, a unanimidade com a qual contracena no ainda inédito Neve negra.


Como você tem diversificado a participação no cinema,em rota globalizada?
Além da Argentina, tenho trabalhado no México e na Espanha, e agora no Brasil. Gosto de me integrar a outros países e a desvendar linguagens. É sempre uma experiência nova. Trabalhar com o José Eduardo Belmonte (na série O hipnotizador) foi algo muito positivo: tínhamos a sensação de nos conhecermos, como amigos, por toda uma vida. O mesmo se passa com o Marco Dutra (de O silêncio do céu) e com Alex Gabassi. É a constatação de que estamos muito mais próximos do que supomos, em termos culturais. Nos une mais do que uma expressão latina: é a linguagem cinematográfica que fala mais alto.


Os impasses da ficção latina seguem presos à origem melodramática?
A dramaturgia latina tem, assumidamente, algo de melodramático. Os espanhóis, por exemplo, apostam mais na investida do humor. Em Almodóvar, as duas coisas coexistem: ele abarca também a leviandade. Há nele ainda uma frontalidade entre relatos e relações humanas. Com relação ao Brasil, não posso opinar muito, por ainda não conhecer profundamente a cultura de vocês. Nos textos mexicanos, o elemento do melodrama está bastante forte. No Brasil, o melodrama se apresenta na intensidade das obras de cinema. Obras como O hipnotizador e O silêncio do céu me deixaram mais próximo do Brasil. Ainda sob o prisma do melodrama, se percebe que os argentinos o acolhem, sem margem de dúvida, no tango.


Que aspecto dificultou a elaboração do personagem de O silêncio do céu?
Uma preocupação foi a de não deixar o personagem restrito ao unidimensional, que gerasse apenas uma opinião dele. O trabalho, com o diretor Marco Dutra, foi complicado: queríamos que o espectador não ficasse limitado a um ângulo de visão. Impedir que o público dissesse: “Ah! Este personagem é um covarde; ah! Ele é um mentiroso.” Uma qualidade do filme é a de encaminhar à reflexão. Não nos restringimos a apenas uma única característica do personagem de Mário.


Compartilha de algum medo que cerca o assustado Mário, na vida real?
Não. Quando se opta por uma profissão que te dá a liberdade como a de um ator, enfrentamos os medos numa exposição que nos possibilita rompimento de barreiras, rumo à expressividade e à zona criativa. O novo filme fala de discussão de relação, de modo introspectivo... É geracional: os diretores têm se questionado se há um modelo de relação. O momento atual encerra muitos tipos de propostas de casais que estão superados. Há um foco em filmes que falem de um casal, de desejos, de transparência e honestidade nas relações. Filmes que fiz, entre os quais Diário proibido (2008), Ar livre (2014) e O campo (2011) sondam o espaço da intimidade e da união. O cinema retrata relações que são das mais importantes para nós. Abraçam temas determinantes e contém caráter de  fundação.

 

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