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Banda Eddie faz show de lançamento em Brasília do disco 'Morte e vida'

A apresentação promete uma mistura de rock, punk, frevo, samba e reggae

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postado em 20/10/2016 09:40 / atualizado em 20/10/2016 09:49

Beto Figueroa/Divulgação

 

Na salada musical brasileira, um estado no alto mapa vem exportando para as outras regiões do país um jeito de fazer arte que representa bem a própria música brasileira: diversidade de ritmos, riqueza de poesia e ritmo dançante. Nascedouro do mangue beat, um dos movimentos de contracultura mais importantes da cultura brasileira moderna, Pernambuco não deixa de surpreender, revelando de tempos em tempos sua vocação para produzir artistas inovadores.

Assim como o carnaval de Olinda arrasta foliões pelas ladeiras da cidade, os olindenses da banda Eddie arrastam fãs por onde passam. Com 27 anos de carreira, a banda, que mistura rock and roll e punk rock com frevo, samba e reggae,está no ápice da produção e chega a Brasília amanhã para lançar o disco Morte e vida, inspirado no livro Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto. Lançado de forma independente, o álbum tem 11 faixas, 10 delas compostas pelo vocalista Fábio Trummer.

Compositor de boa parte do repertório da Eddie, a poesia de Trummer tem ocupado espaço também nos cinemas. Fábio assina a trilha do premiado Que horas ela volta?, tendo sido indicado recentemente para a premiação de melhor trilha sonora no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

Então, como diria uma famosa canção da banda, prepare seu “sapato bico fino e o paletó de linho para o grande baile dançar”.

Morte e vida 
Lançamento do álbum da banda Eddie. Show com abertura da banda Talo de Mamona e discotecatem do DJ Emídio. Amanhã, a partir das 22h. O primeiro lote de ingressos está esgotado. O segundo lote está a venda por R$ 30. Local: Outro Calaf (Setor Bancário Sul)

Música pernambucana brasileira

Em 2009, 20 anos depois do surgimento da banda Eddie, um grupo de amigos pernambucanos, com um olho nas sonoridades regionais e outro no mundo, criaram a banda Mamelungo. A inspiração para o nome da banda veio da mistura de três palavras que, para eles, caracterizam a cultura nordestina: mamulengo, mameluco e malungo. Com parceiros como Marcelo Jeneci e Lula Queiroga, o álbum Esse é o nosso mundo, novo trabalho do grupo, é altamente recomendado para quem aprecia ou quem quer conhecer mais do rico som dos pernambucanos.

Entrevista /Fábio Trummer

Como você definiria o som da banda Eddie?

Eu poderia usar muitas referências aqui para definir o nosso som, mas gosto de dizer que a nossa música é muito particular. A gente busca incorporar elementos diferentes, não negar culturas diversas. Por ter convivido muito com Chico (Science), Fred Zero Quatro, Mestre Ambrósio… Fomos muito influenciados por isso de buscar um caminho de música própria.

Essa mistura de ritmos como punk, rock, samba e frevo faz a música de vocês transcender públicos diversos ou vocês sentem que ainda são vistos como música regional nordestina?
A gente ainda ouve muito isso de que nossa música é regional e eu acho que isso é uma questão de imposição de valores culturais. Por que o que vem do nordeste é regional, mas o que vem do eixo Rio-São Paulo não? Eu já ouvi várias coisas desnecessárias, de preconceito contra nordestinos. Hoje não me afeto com isso. Se eu quero fazer uma música para as pessoas ficarem com vontade de conhecer minha cidade, eu faço. Nós somos músicos nordestinos sim, mas nossa música é brasileira.

E como foi essa relação de vocês com o movimento mangue beat?
Ah, o mangue beat foi uma geração fundamental para gente querer entrar na música. Não só para a gente, mas para toda nossa geração pós mangue beat, como Siba, Otto, Karina Buhr… Nós convivemos muito com os caras, foi uma grande inspiração no modo de fazer música, mas eu costumo brincar que quando os caras já estavam tocando na noite a gente ainda tava tomando refrigerante.

E como é tocar fora do  país levando todos esses ritmos brasileiros?
É como acontece no Brasil, às vezes a gente toca em casas que não são a nossa praia. Mas o público é muito receptivo. Nós já fomos em vários países e as pessoas sabem as letras, cantam com sotaque. Uma vez tocamos em um parque na Inglaterra e foi lindo, as pessoas tentavam sambar e tinha muita gente que nunca tinha ouvido nossa música.

Como foi o convite para  fazer a trilha de Que horas  ela volta? Você já tinha trabalhado com a Anna  Muylaert?
Eu não conhecia a Anna, nunca tinha trabalhado com ela, então foi uma surpresa. Pessoas da equipe do filme foram me indicando. A produtora, uma atriz de Brasília, a Camila (Márdila), falaram de mim e ela fez o convite.

Você é um artista muito engajado politicamente. Vocês têm se manifestado sobre o momento político no show de vocês?

Eu tenho me manifestado como cidadão Fábio, mas como banda a gente tem evitado levar certas manifestações para alguns palcos. Porque, às vezes, a gente se repete muito. Já subimos em palcos a favor da democracia, temos que dar atenção ao que está acontecendo, mas não colocamos a banda como tomando partido. Eu acho que a arte reflete no presente o que nós já passamos há um tempo atrás, a história se escreve com um tempo maior que o cotidiano.

Como o público brasiliense recebe a banda Eddie?
Ah, Brasília é muito bacana porque parece que as pessoas são muito preparadas para a nossa música. Eu percebo que o público de Brasília tem essa curiosidade pelo novo, de ir atrás de bandas diferentes, bandas autorais, como é o nosso caso.

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