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Correio Braziliense

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Intolerância dos tempos atuais entra em debate na Bienal

Os conflitos políticos e a proliferação do ódio são temas tratados pelo historiador Leandro Karnal e pela filósofa Marcia Tiburi

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Simone Marinho/Divulgação


Em momento de nervos à flor da pele e de debates acalorados na web, a reflexão sobre os tempos de intolerância também é pauta na Bienal. Os conflitos políticos e a proliferação do ódio são temas tratados pelo historiador Leandro Karnal e pela filósofa Marcia Tiburi.


Karnal apresenta o seminário Cultura, etnia e religião: Intolerância e conflitos políticos no mundo contemporâneo. Doutor em história social e professor da Unicamp, ele é fenômeno na web e se tornou o pensador pop do momento. Hoje, e se divide entre palestras, entrevistas e programas de tevê, sempre com agenda lotada. Na Bienal, Karnal fala no auditório Nelson Rodrigues, às 20h.

Às 20h, no Café literário, a filósofa Marcia Tiburi apresenta a palestra Como conversar com um fascista. Com um livro homônimo, Marcia se tornou  voz  importante no debate intelectual e político. Aplaudida (e também contestada), ela apresenta postura firme em defesa da democracia e dos direitos sociais.

“Agride-se muito em nossa época, física e simbolicamente, porque as pessoas estão mergulhadas em uma regra de comportamento — verbal e corporal — cujo lastro é a violência de todos contra todos. Cada um realiza a violência possível”, explica. “Ao mesmo tempo, parece que as pessoas não percebem isso.”.



Duas /  Marcia Tiburi 


Simone Marinho/Divulgação


Qual o preço de tocar em temas tão polêmicos? 

Há muitas pessoas que entram em estado de fúria quando não são contempladas em seus afetos e ideologias. De fato, há muito mau humor, muita estupidez, muita agressão. Não sei muito bem falar sobre isso, porque não tenho muito tempo para ouvir xingamentos. Por isso, sinceramente, sabemos que há um lado disso tudo que é jogo de linguagem manipulado. As pessoas estão agressivas demais porque não percebem como estão sendo manipuladas pelos meios de produção da linguagem: a televisão, o jornal, a internet.

Dialogar com leitores em debates e encontros  te  influencia?
Sou professora. Para mim é totalmente necessário estar com as pessoas. Nesses eventos vêm leitores que já conhecem minha obra, mas vem muita gente que não conhece. Fico feliz com esses encontros. Há escritores que acham que poderiam apenas ficar escrevendo e isso sempre é uma opção. Creio que a grande contribuição da filosofia para nossa época é a colocação em cena do diálogo. Eu me sinto politicamente engajada nessa tarefa.

 

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