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Bolivariano Rodrigo Hasbún é um dos convidados de hoje na Bienal

Autor de 'Os afetos' participa de um seminário com o brasileiro Leonado Sakamoto

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postado em 23/10/2016 08:00 / atualizado em 21/10/2016 12:24

Rebeca Oliveira /

Martín Boulocq

Um dos principais atrativos da III Bienal do Livro de Brasília, que acontece entre os dias 21 e 30 de outubro, é a proximidade entre escritores contemporâneos e o público. Um dos convidados que estará por lá, hoje, é o escritor Rodrigo Hasbún. Ele publicou o livro Os afetos (Intrínseca), um romance em que acompanha os Ertl, uma família de exploradores exilados na Bolívia depois da derrota da Alemanha na II Guerra Mundial.

 

A obra conta com elementos biográficos e ficcionais, questionando o limite entre realidade e a literatura clássica. Além de Os afetos, Hasbún já lançou três livros de contos, um volume de histórias selecionadas e um romance. O autor foi eleito um dos 39 escritores latino-americanos com menos de 39 anos mais importantes do continente. Neste domingo (23/10), ele participa do seminário Cultura, etnia e religião: intolerância e conflitos políticos no mundo contemporâneo, com o brasileiro Leonardo Sakamoto. 

 

É possível delimitar onde começa a termina a ficção em Os afetos? O quanto há de "real" na obra? 

A fronteira que tenta separar o imaginário do real é sempre duvidosa e difícil de ser delimitada. O livro joga um pouco com esse limite. Mas em última instância, como digo no início, Os afetos é um romance, que assume toas as liberdades da ficção e que deve ser lido como tal. Diferentemente, do que teria buscado um biógrafo ou um históriador, eu nunca tive o propósito de fixar a imagem de família alemã em que o livro está inspirado, somente a de propor uma versão possível deles, apenas uma versão entre muitas outras. A intimidade dos personagens importa tanto quanto os fatos históricos de que participam. A aventura exterior e a viagem interior terminam sendo igualmente relevantes.

 

Como traçar um elo entre os artistas latinoamericanos?  

O fato é que nos últimos 10 anos proliferaram os encontros e festivais literários têm ajudado que isso aconteça, e que o diálogo seja cada vez mais fluido ou, ao menos, que o diálogo seja uma possibilidade. Além disso, e isso é crucial, nossos livros agora se movem com mais facilidade do que há algum tempo. As editoras grandes estão apostando cada vez mais em circular pelos países diferentes, e, de forma paralela, foi armada uma rede de editoras independentes verdadeiramente notáveis. Que falemos o mesmo idioma torna tudo mais fácil.

 

Em Brasília, você participa de um debate sobre intolerância e conflitos políticos no mundo de hoje. No Brasil, a polarização é clara e evidente. Como está a situação na Bolívia?  

Na Bolívia o panorama também está dividido. Há uma tensão constantes entre as diferentes maneiras de se imaginar o país e há entedimentos encontrados sobre como negociar o fim desse desentendimento com quem não crê nessas maneiras. Para da um exemplo, este ano houve um referendo em que se votou por um possível terceiro (ou quarto) mandato de Evo Morales, e nos resultados ficou evidente, mais uma vez, essa divisão cortante entre uns e outros. Enquanto isso, infelizmente, os velhos fantasmas do autoritarismo e da corrupção seguem vagando por todas as partes.

 

Colaborou Vinícius Nader.  

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