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Correio Braziliense

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Bernardo Kucinski fala sobre ditadura, política e religião na Bienal

Beirando os 80 anos de idade, o escritor, jornalista e ex-professor da USP Bernardo Kucinski participa neste domingo (22/10) às 14h da Bienal

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postado em 23/10/2016 07:35

Ricardo Daehn

Renato Parada/Divulgação
 

Beirando os 80 anos de idade, o escritor, jornalista e ex-professor da USP Bernardo Kucinski chega em tempo perfeito para integrar o seminário Deslocamentos humanos: geopolítica, cultura, etnia, economia e religião, um atrativo de peso na programação da Bienal. A apresentação ocorre hoje, às 14h, na Arena Jovem Cecília Meireles. Antigo assessor especial de comunicação da Presidência, Kucinski é autor, entre outros, de Diálogos da perplexidade e O fim da ditadura militar.

Com bom trânsito em meios acadêmicos e populares, Kucinski não esconde restrições ao modo de produção acadêmica, entregue à “rotina de produção que se realimenta de si mesma, de pouca relação com o povo”. Antigo correspondente de jornais como o britânico The Guardian, personalidade influente no debate de agendas, Kucinski foi duas vezes vencedor do prestigioso prêmio Jabuti, com as publicações de Jornalismo econômico e Cartas a Lula. Com simplicidade, ele zela pelo comezinho: “Os dois Jabutis que ganhei não me afetaram em nada. É bom ganhar, mas é melhor se defender dos ataques de ego”.

Três perguntas /  Bernardo Kucinski

O Brasil segue como palco privilegiado para difusão daintolerância e da falta de respeito à cultura de terceiros?

Passamos hoje no Brasil por um momento desagradável de intolerância e ódio, na verdade nunca visto pela minha geração, mesmo no golpe de 1964, quando o ódio vinha de uma minoria que havia passado por uma lavagem cerebral e havia sido adestrada para perseguir dissidentes; a intolerância de hoje está no homem comum, envenenado por campanhas de mídia, assustado com os rumos da política, desencantado; é um momento perigoso. Espero que seja superado.

O país encerra uma realidade lúdica a ponto de desafiar a ficção?
Minha vida literária começou tarde, de modo que corro um pouco contra o tempo, mas meu processo de criação na ficção deu-se com facilidade, até agora. O Brasil é um lugar riquíssimo em estímulos para todo tipo de criação, lúdica ou sofrida. Não é um desafio à criação literária, ao contrário, nossa única limitação é a língua portuguesa, não ela em si, também riquíssima, mas seu lugar secundário num mundo dominado pela cultura anglo-saxônica.

Como ex-correspondente de mídias sacramentadas, qual a perspectiva que observa, quando passamos pelo “filtro” gringo?
Se falamos de jornalismo, é preciso considerar que a mídia clássica dos grandes jornais diários impressos e o jornalismo clássico, que detinha o monopólio da mediação, estão em crise profunda, talvez terminal. Nesse quadro de crise, o jornalismo brasileiro foi mais afetado do que o jornalismo que nos era referencial, o americano, por exemplo, ou o britânico, ou o francês; isso se deu porque além da precarização do ofício, a grande mídia embarcou na campanha do golpe, arrastando consigo a maioria de seus jornalistas; a mídia internacional, até por seu distanciamento das paixões locais, viu com clareza o que estava se passando e não embarcou no golpe.

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