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Fernando Bonassi e Alberto Acosta falam hoje na Bienal

A vida na metrópole e suas periferias sempre serviu de cenário para as narrativas de Bonassi

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postado em 24/10/2016 08:00

Nahima Maciel

Arquivo Pessoal
 
 
As cidades podem até ser territórios minados, espaços de guerras e conflitos, cenários explícitos das desigualdades, mas nelas é possível encontrar as melhores respostas para as questões da convivência humana. O escritor Fernando Bonassi, nascido na Mooca, em São Paulo, e autor de Subúrbio e luxúria, acredita que a cidade expõe conflitos, mas no centro dessas tensões está também parte da essência humana. Bonassi fala hoje sobre o prazer e o assombro de viver nas metrópoles no seminário Vida urbana – Novos espaços, novos caminhos, parte da programação da III Bienal Brasil do Livro e da Leitura. O paulistano divide a mesa com o economista equatoriano Alberto Acosta com o intuito de refletir sobre solidão, liberdade e indiferença nos centros urbanos.

À margem

A vida na metrópole e suas periferias sempre serviu de cenário para as narrativas de Bonassi, cuja escrita traz para o centro das histórias personagens que vivem à margem. “Viver numa grande cidade é constatar muito cedo a solidão nas multidões, sim. No entanto, a grande cidade também representa a possibilidade de sermos tudo o que somos, deixando de lado comportamentos provincianos, para que todos possam se ver e conviver”, acredita o escritor. A solidão, ele defende, não é de todo ruim e, em certos casos, é até necessária. “Mas esta solidão que se desespera, que não se aguenta, que não se faz companhia, esta é péssima”, garante Bonassi.

É desse sentimento que ele trata nos livros, de um tipo de isolamento que é também fonte de violência. Ou de “vocação assassina”. Em Luxúria, ele narra a história de uma família paulistana que ascendeu à classe C, mas cujas finanças estão à beira do caos por conta de dívidas e consumo. Cidades cosmopolitas como São Paulo costumam ser celebradas como um centro de oportunidades, mas é preciso avaliar a realidade com certa frieza. “Sempre nos orgulhamos de ser grandes, os maiores, em especial aqui em São Paulo, mas isso é, na verdade, uma danação, já que a qualidade de vida nestas cidades falta para todos, e é claro que falta muito para que eles que tiveram o azar de nascer pobres”, diz. “Mas é na grande cidade que está a grande oportunidade. O grande espanto. A grande surpresa”.

III Bienal Brasil do Livro e da Leitura
Liberdade, solidão e indiferença nas grandes cidades
Com Fernando Bonassi e Alberto Acosta.
Hoje, às 20h, no Auditório Nelson Rodrigues, no Estádio Mané Garrincha. Entrada franca


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