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Fernando Bonassi e Alberto Acosta falam sobre a vida nas grandes cidades

Os escritores participam da III Bienal Brasil do Livro e da Leitura

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postado em 24/10/2016 21:50 / atualizado em 25/10/2016 18:22

Nahima Maciel

Nahima Maciel/CB/D.A Press


O bem-viver nas grandes cidades, a solidão, a distância da natureza, a exclusão, a violência e o excesso de consumo foram temas do encontro entre o paulistano Fernando Bonassi e o equatoriano Alberto Acosta. Os dois participaram de debate nesta segunda (24/10) na III Bienal Brasil do Livro e da Leitura. 

Acosta defende a ideia de bem-viver, um conceito no qual as cidades podem ser pensadas a partir da lógica da qualidade de vida para seus habitantes. No entanto, como estão configuradas hoje, as metrópoles, especialmente a de países em desenvolvimento, são expressões máximas do individualismo e da lógica do acúmulo de capital. "Os problemas das cidades, temos que resolver fora das cidades", diz Acosta, ao defender que os habitantes do campo não deveriam precisar migrar para as cidades em busca de oportunidades. "A ideia de viver bem vem das comunidades indígenas, especialmente as andinas e amazônicas. São valores, experiências e muitas práticas que existem há muito tempo não só nas Américas, mas em todo o mundo", garantiu. 
 
Acosta também falou da gentrificação, fenômeno no qual os habitantes tradicionais são obrigados a deixar os bairros centrais por conta dos aumento de preços e da chegada de populações mais endinheiradas. 
 
Acosta participou da formulação da Constituição do Equador, na qual fez questão, com um grupo de constitucionalistas, de implantar ideias como a proteção das comunidades indígenas. 

Para Fernando Bonassi, as grandes cidades brasileiras têm vivido um aumento da violência e um distanciamento dos valores democráticos. "Fui operário no ABC. Você abria seu armário de manhã e tinha um panfleto do Henfil explicando como seu patrão ganhava mais que você. E nessas últimas  eleições, quem ganhou foi quem demonizou a política", disse o autor de Subúrbio e Luxúria

Bonassi também falou sobre Brasilia. "Apesar de ser muito crítico a experiências urbanas, acho que Brasilia, apesar de ter uma origem super autoritária, acabou dando certo. Aqui, um sergipano pode ser sergipano. Em São Paulo, exigimos que ele apague essa origem. São Paulo é uma cidade muito autoritária, garantiu o escritor. Ele lembrou ainda que o maior  ganho político dos centros urbanos foi a inserção da periferia na cultura brasileira. "Isso é maravilhoso porque isso torna mais igualitária a cultura brasileira", disse Bonassi.

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