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Sitcom, formato clássico do humor, perdura até os dias de hoje na tevê

No Brasil, um bom exemplo é a atração Vai que cola. Nos EUA, Man with a plan é a novidade no gênero

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postado em 25/10/2016 07:30 / atualizado em 24/10/2016 18:42

Adriana Izel

Reprodução/Internet

Hollywood (EUA) —
De dois a três cenários fixos; histórias envolvendo ambientes e situações comuns, como casa e trabalho; e uma cena sempre encerrada com uma risada da plateia. Essas são algumas das características mais marcantes do gênero sitcom. O formato clássico dentro da comédia surgiu nos anos 1940 no Reino Unido e perdura fazendo sucesso até os dias de hoje na televisão inglesa, norte-americana e também na brasileira.

O termo sitcom vem da expressão do inglês “situation comedy”, que em tradução livre quer dizer comédia de situação. A principal característica da vertente é fazer humor com enredos cotidianos, como o dia a dia de uma família. “É um estilo que funciona bem no passar dos anos porque as pessoas sabem o que esperar. Elas já conhecem a estrutura e gostam porque não têm que pensar muito (na história), por ser algo muito rápido e comum”, afirma o ator Kevin Nealon, que ficou conhecido por fazer parte do elenco do humorístico Saturday night live e da série Weeds. Com mais de 30 anos de carreira no humor; passando por sitcom e stand-up comedy, Nealon está de volta à televisão na série Man with a plan, com Matt LeBlanc, que estreou ontem nos Estados Unidos e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.



Na trama, Kevin Nealon dá vida a Don Burns, o irmão mais velho do protagonista Adam (Matt LeBlanc). A série gira em torno de Adam, que precisa cuidar dos três filhos depois que a mulher Andi (Liza Snyder) decide retornar ao trabalho em um hospital e deixar de ser dona de casa. A produção é mais uma sitcom clássica, com trama familiar, cerca de 20 minutos e possui três cenários fixos: a sala de estar, a cozinha e a garagem da casa da família Burns.

São nesses cenários que o elenco da produção ensaia e grava a maior parte da série. Até a segunda semana de outubro, haviam sido gravados nove episódios da trama — todos com a presença de uma plateia, que é responsável pelas risadas que aparecem nas cenas. “A primeira vez (que você grava uma série com plateia) pode ser intimidante e difícil, mas depois de um tempo você nem nota que as pessoas estão ali. Ao mesmo tempo, ter uma plateia garante que você vai saber o que realmente é engraçado. Eu sentia falta disso em Weeds e em Man with a plan houve casos de conseguirmos risadas da plateia em falas que nem eram para ser engraçadas, mas acho que isso acontece pela naturalidade e as características dos personagens”, completa o ator.

Exibição

Em Man with a plan, como outras sitcoms norte-americanas, todos os episódios são gravados com a presença de um público no estúdio da CBS em Los Angeles (no Brasil, a produção será transmitida pela Warner), que pode se inscrever pelo site da emissora de forma gratuita. Antes da exibição para a plateia, os atores do formato fazem uma “tablet read”, em que a equipe envolvida com a série lê os scripts, depois há ensaios nos cenários, gravações de algumas cenas até que chega o dia da exibição para o público, quando são gravadas as risadas da plateia que serão transmitidas nos episódios e também são esperadas algumas improvisações de acordo com a reação do público.

“As cenas gravadas, que, às vezes, são porque acontecem em outros cenários, são exibidas em telão para o público junto com a atuação do dia. Há microfones gravando os risos das pessoas, o que torna muito mais natural do que risadas que são incluídas aleatoriamente em uma produção”, explica Kevin Nealon ao garantir que em Man with a plan o riso é realmente do público e não algo mecânico, como muitos espectadores que desconhecem o processo imaginam ser em sitcoms.

O estilo no Brasil

Apesar de ser uma vertente que surgiu no Reino Unido ainda na era do rádio, a sitcom ganhou espaço nos EUA, onde se tornou um clássico, e também no Brasil. O país teve produções consagradas no formato como Família Trapo, criação de Jô Soares e Carlos Alberto de Nóbrega, na década de 1960, e Sai de baixo, sucesso dos anos 1990 com Miguel Falabella e Marisa Orth no elenco.

Juliana Coutinho/Divulgação


Atualmente, a tevê brasileira utiliza o formato no humorístico Vai que cola, do Multishow, que estreou a quarta temporada no último dia 17. “O Vai que cola repete uma fórmula consagrada na televisão brasileira, que se diferencia dos formatos americanos e ingleses por assumir a plateia explicitamente, interagindo não só no ritmo do programa, como expondo de maneira brilhante a capacidade de nossos humoristas e atores, ao fazer parecer que estamos presenciando um grande show de improvisos. O que definitivamente não é”, aponta o diretor César Rodrigues. Outro diferencial da atração é a presença de um palco giratório, que possibilita mais de três cenários.

Na nova temporada da comédia brasileira, apenas o primeiro episódio foi gravado na chamada câmera fechada (recurso utilizado em produções como The office e New girl), sem mostrar a plateia e em que o personagem é acompanhado, em vez de o cenário completo. A partir do segundo, o formato voltou ao ser o adotado desde a primeira temporada, com a chamada multicâmera. Entre as outras novidades estão a chegada de novos personagens, Pasquale (Marco Luque), Ericsson (Rafael Infante) e Gabi do Lins (Letícia Lima), e a ampliação do cenário, que ganhou uma cidade cenográfica representando o bairro do Méier.

Na primeira temporada, Vai que cola teve 40 episódios gravados antes de ir ao ar. Agora, a produção é gravada aos poucos no Rio Centro, no Rio de Janeiro, e a plateia, que antes vinha em caravanas, pode se inscrever no site do canal. São dois episódios por semana, com uma dinâmica parecida com a de Man with a plan. Há definições sobre o capítulo, como músicas, falas e até os momentos em que o palco giratório se mexerá, ensaios, gravações do episódio sem plateia até a gravação final com o público, que chega a durar 55 minutos. “Na edição final, essa gravação anterior é muito útil. Recorremos a ela para resolver problemas técnicos ou mesmo artísticos que podem ocorrer na gravação com a plateia”, completa Rodrigues.

A repórter viajou a convite da Warner

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