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Internet, ética e sociedade pautam os debates de hoje na Bienal Brasil

O músico Tico Santa Cruz e o sociólogo francês Dominique Cardon participam do evento

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postado em 26/10/2016 07:30 / atualizado em 26/10/2016 08:55

Nahima Maciel

 

Fábio Cordeiro/Divulgacao
 

 

Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, resolveu dar uma desacelerada nos comentários políticos na internet e investir em novo romance produzido na rede. De 2013 para cá, a política mobilizou os posts do músico nas redes sociais. As cinco postagens diárias passaram a girar em torno do tema e Tico decidiu que é hora de virar a página. Agora, a cada cinco postagens, pelo menos três tratam de música e outros temas distantes da política. Mas a experiência foi importante para ele compreender um pouco mais o modus operandi da internet. Sobre isso, e principalmente sobre ética e comportamento nas redes sociais, o músico fala hoje à noite na III Bienal Brasil do Livro e da Leitura como parte do seminário Novas tecnologias e os efeitos na cultura, economia e vida cotidiana.

Tico vai falar dos novos projetos e do novo romance, Reze, cujos capítulos são publicados no blog. É o mesmo formato de Pólvora, escrito originalmente na internet e depois transformado em livro pela editora Belas Letras. Mas o músico também vai abordar questões relativas ao uso ético e responsável da rede. “A gente tem que tomar muito cuidado com a forma como estamos usando a internet. É um veículo de comunicação extremamente poderoso e muita gente usa de forma equivocada para passar boatos, mentiras, matérias falsas. Ou seja, está fazendo uma comunicação suja. Temos que ter um cuidado muito grande para fazer com que a internet continue sendo um meio de comunicação eficiente sem deixar que ele perca a credibilidade”, diz.

O músico se preocupa com a velocidade e facilidade com as quais os boatos se espalham na rede. Ele lembra, por exemplo, a notícia falsa da morte de Gilberto Gil, veiculada no domingo, e o boato de que o próprio Tico teria se beneficiado ilicitamente da Lei Rouanet. “A maioria das pessoas não se preocupa nem em abrir o link, a matéria ou o assunto que está sendo falado para observar se aquilo, de fato, é verdade ou não. As pessoas simplesmente se apegam à manchete ou ao conteúdo raso e passam adiante, não verificam as fontes. E isso com coisas simples” lamenta. “Outro dia, por exemplo, tinha gente divulgando que o Gilberto Gil tinha falecido. Você não precisa fazer um esforço enorme, você entra nos principais sites de notícia e verifica se tem alguma notícia falando a respeito disso. Falaram que eu tinha recebido dinheiro da Lei Rouanet, por exemplo, e ninguém se deu ao trabalho de verificar se era verdade.”


 

 

Arquivo Pessoal

 

 

No Auditório Nelson Rodrigues, o sociólogo francês Dominique Cardon participa do seminário Novas tecnologias e os efeitos na cultura, economia e vida cotidiana. Durante a palestra O mundo virtual e seu significado na história da humanidade, ele fala sobre os desafios da construção da sociedade em um cenário no qual as relações são inevitavelmente pautadas pela tecnologia.

Cardon vai abordar um pouco a própria história da internet e como os avanços das grandes comunidades virtuais provocaram mudanças no mundo real. “Vou mostrar como não podíamos imaginar que a tecnologia podia criar um lugar e um espaço no qual a natureza das relações sociais, a maneira de criar comunidades e de conhecer as pessoas pudesse ser diferente da que tínhamos no mundo real”, diz o sociólogo. “Essa ideia de que o mundo virtual é diferente do mundo real é um tanto falsa. Hoje, o mundo virtual é a nossa realidade, é realidade nas relações familiares, amorosas, profissionais.”

Para Cardon, a grande revolução provocada pela internet não está tão aparente. Ela é discreta e está enraizada nos mais simples gestos do cotidiano. É uma transformação que traz vantagens e desvantagens e da qual, dificilmente, se pode escapar nos dias de hoje. “Se buscarmos uma caracterização global dessa transformação, diríamos que a internet coloca as pessoas em rede e isso permite curto-circuitar as instituições, os estados, os partidos políticos, os sindicatos, as empresas. E aí os indivíduos podem encontrar nas tecnologias digitais meios de reorganizar a sociedade na base de relações inter-individuais”, garante.

Professor da Universidade Paris-Est-Marne la Vallée e autor de À quoi rêvent les algorithmes. Nos vies à l’heure des big data (“O que sonham os algoritmos. Nossas vidas em tempos de big data”), o sociólogo é otimista, embora veja também muitos inconvenientes na maneira como a internet está inserida na vida cotidiana. “Há ameaças nesse novo sistema, como o da colonização pelo mercado, porque os indivíduos procuram encontrar utilidades e garantir seus interesses e nisso, sua maneira de fazer o coletivo e de se representar politicamente e socialmente desaparece um pouco. Mas há uma dinâmica criativa que se cria na sociedade”, diz.


III Bienal Brasil do Livro e da Leitura
Seminário Novas tecnologias e os efeitos na cultura, economia e vida cotidiana. Com Tico Santa Cruz. Hoje, às 20h30, na Arena Jovem Cecília Meireles, no Estádio Mané Garrincha. O mundo virtual e seu significado na história da humanidade. Com Dominique Cardon. Hoje, às 20h no Auditório Nelson Rodrigues

Outros destaques da Bienal

Caminhos da democracia brasileira
Com Mario Sérgio Conti. Hoje, às 18h30, na Arena Jovem Cecília Meireles


Experiência de difusão do livro e estímulo à leitura no DF

Com Luiz Amorim, Lucília Garcez, Cida Caldas e Maria José. Hoje, às 18h30, no Café Literário

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