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"Estamos desnorteados", diz Du Peixe sobre morte de Erasto Vasconcelos

Irmão de Naná Vasconcelos faleceu na noite desta quinta-feira

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postado em 28/10/2016 11:23 / atualizado em 28/10/2016 11:31

Larissa Lins

Annaclarice Almeida/DP

A morte do percussionista pernambucano Erasto Vasconcelos, aos 70 anos, de parada cardíaca, nesta quinta-feira (27), entristeceu a classe artística. Músicos, colegas e admiradores lamentaram o falecimento e ressaltaram os atributos artísticos e pessoais marcantes do arranjador nascido em Olinda. O vocalista da Nação Zumbi, Jorge Du Peixe, resumiu com consternação o significado da perda: "Estamos desnorteados".

O cantor afirmou ter sido informado da morte de Erasto poucos minutos antes de o Viver procurá-lo. "Ficamos sabendo há pouco. Pupillo recebeu a notícia e comunicou ao grupo. É uma enorme perda", lamentou Du Peixe, responsável pelo projeto gráfico do álbum de Erasto, Jornal da Palmeira, lançado em 2005. "Foi um baque grande perder Naná [em março], e agora, no mesmo ano, Erasto. É mais uma enorme perda para a cultura pernambucana. Erasto tinha um carisma único, muito forte. Tinha sensibilidade poética e musical únicas. Adentrou com Naná o universo do jazz, era dotado de uma bagagem musical que o Brasil não conheceu por completo. Fica a memória de tudo que ele fez", afirmou.

A cantora Karina Buhr, uma dos artistas participantes do álbum, endossou as palavras do colega da Nação e chegou a fazer um poema para Erasto. "Um anjo, música em forma de gente. Um poeta, um caboclinho tupinambá. Um Preto Velho, um instrumento, um afoxé inteiro, um gênio, pedra de rio, passarinho, uma estrela de papel celofane rosa grená. Chora o rio, o mangue, o mar, Olinda inteira, 'minha querida Recife, pequena mas porém decente.' Chora todo mundo."

Fábio Trummer, vocalista da Eddie, banda com a qual Erasto costumava se apresentar, também se manifestou. "Erasto foi tão generoso que nos proporcionou a sorte de estarmos todos reunidos nesse momento. Eu sou o único da banda que reside em São Paulo. Mas estamos com show marcado, então os caras estão todos na cidade. Quando recebemos a notícia, eles vieram para a minha casa. Foi uma coincidência reconfortante. Estamos ouvindo coisas dele, lembrando... Não sei se eu queria transformar esse momento em palavras. Há coisas que a gente não consegue descrever. Ele era, antes de tudo, um grande amigo. Porque antes de sermos músicos e trabalharmos juntos, nós somos amigos. Há uma fraternidade por trás disso. Além de dividirmos projetos, de tocarmos juntos, nós tínhamos a afinidade de conseguir compor juntos. Erasto foi quem primeiro deu credibilidade para que nossa banda frequentasse outros territórios da música brasileira. Ele nos ensinou outras dinâmicas, outros ritmos. A Eddie, no início, era uma banda muito associada ao rock, era uma banda chamada de roqueira. Hoje, a Eddie é uma banda de música brasileira. Muito disso nós devemos a ele."

SEPULTAMENTO
A família de Erasto Vasconcelos decide nesta sexta-feira (28) o local do velório e do enterro do corpo do músico. A despedida deve ocorrer em Olinda, cidade onde o artista olindense havia manifestado interesse de ser sepultado. Percussionista virtuoso e celebrado internacionalmente, Erasto não resistiu às complicações de um infarto sofrido no mês de agosto. Ele estava internado há dois meses no Hospital Miguel Arraes e faleceu depois de uma parada cardíaca.

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