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Controle da informação e diversidade pautam fala de Greenwald na Bienal

Jornalista norte-americano falou pra plateia lotada

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postado em 28/10/2016 21:36

Nahima Maciel

Nahima Maciel/CB/D.A Press
 
 
Convidado para falar sobre estado, democracia e controle da informação, o jornalista norte-americano Glenn Greenwald falou sobre a mídia brasileira, a cobertura do impeachment de Dilma Rousseff e a mudança no jornalismo proporcionada pelas novas tecnologias. O debate ocupou o auditório Nelson Rodrigues, no Estádio Mané Garrincha, nesta sexta (28/10).

Para Greenwald, a imprensa brasileira se transformou em ator político do cenário nacional e deixou para trás seu papel jornalístico. Ele comparou a situação ao apoio explícito da mídia americana à guerra contra o terror após os atentados de 11 de setembro. Nos Estados Unidos, segundo Greenwald, a diferença foi que a imprensa "fingia" que estava ouvindo todos os lados. "Mas aqui no Brasil, em 2015 e 2016, a mídia parou de fingir que estava ouvindo todos os lados", disse.

O jornalista lembrou que a organização Repórteres sem Fronteiras rebaixou o Brasil para 104 lugar no ranking de liberdade de imprensa no mundo. "Atrás de muitos países dos quais o Brasil gosta de pensar que está à frente, como peru e Argentina", disse.

Greenwald também falou sobre o impacto das novas tecnologias no jornalismo internacional. Ele lembrou que hoje, em meio às guerras, não é mais preciso esperar que grandes empresas de mídia transmitam a informação. "As pessoas têm vídeo, tem acesso à internet. E agora não estamos ouvindo mais que Israel matou um terrorista . Podemos ver o vídeo que uma pessoa foi morta", explicou. "Hoje, todo mundo pode fazer jornalismo. 
Essa tecnologia está dando esse poder para muito mais pessoas. E a diversidade está se fortalecendo mais por causa disso."

Greenwald falou ainda sobre a operação Lava-Jato e disse que acha perigoso que uma instituição, no caso o Judiciário, concentre tanto poder. Greenwald ficou conhecido por dar voz à denúncia de Edvard Snowden sobre o esquema de espionagem da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados-Unidos. O jornalista é autor de quatro livros, entre eles "Sem lugar para se esconder" e hoje está à frente do site The Intercept.

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