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Correio Braziliense

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Finalista do Prêmio Jabuti fala hoje na Bienal

Beatriz Leal escreveu história que mescla personagens de Brasília e Buenos Aires.

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postado em 29/10/2016 07:30 / atualizado em 29/10/2016 11:36

Nahima Maciel

Luís Nova/Esp. CB/D.A Press
 

 

Uma matéria na revista norte-americana The New Yorker sobre as avós da Praça de Maio comoveu a jornalista Beatriz Leal a ponto de não conseguir parar de pensar no tema. Paulistana radicada em Brasília há 16 anos, nunca havia ouvido falar nas avós argentinas que buscam os netos, filhos de guerrilheiros nascidos em cativeiro durante a ditadura e entregues para adoção após assassinato dos pais. Muitos foram adotados pelos próprios militares. Beatriz começou então a escrever fragmentos de textos com personagens baseados na história recente da Argentina.

Sem pretensão alguma, a jornalista percebeu, aos poucos, que a história poderia ser um romance. Na narrativa, quatro vozes se entrelaçam: uma mãe adotiva residente em Buenos Aires, uma jovem argentina radicada em Brasília, um torturador da ditadura e a mãe de uma moça desaparecida. A busca pelas identidades marcam os personagens cuja trajetória está ancorada em um momento trágico da história da Argentina.

 



Quando terminou o livro, Beatriz entregou a amigos para ouvir as opiniões. Encorajada pelos elogios, procurou um editor e mandou provas. De volta, recebeu apenas silêncio ou cartas de agradecimento e negativa, mas nenhuma disposição para publicar o livro que chamou de Mulheres que mordem. Foi com a Ímã, editora independente acostumada a investir em crowdfunding para viabilizar projetos de edição, que Beatriz conseguiu publicar o livro. Satisfeita, ela pensou em mais um passo: inscrever o romance no Prêmio Jabuti. E fez. Esta semana, recebeu a notícia de que o livro estava entre os finalistas de um dos maiores prêmios de literatura do país. Foi selecionado entre 2.400 inscrições. No total, o Jabuti conta com 27 categorias. Na primeira fase, cada uma fica com 10 finalistas. Os vencedores devem ser revelados em 11 de novembro.

Sobre a escrita e o processo de publicação que à levou ao prêmio, a autora fala hoje, às 18h30, no Palco Leminski, espaço destinado aos independentes na III Bienal Brasil do Livro e da Leitura. “A história das avós da Praça de Maio me tocou muito. Aquilo parecia ficção. Imagina, você crescer numa família de pensamento extremista de um lado e descobrir que você é de origem de uma família extremista do outro lado”, conta a escritora, 30 anos e assessora de imprensa da Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

Segredo
Mulheres que mordem nasceu discretamente. Beatriz nunca achou que fosse escritora. Até então, escrevia contos e publicava em ‘um ou outro blog”. Quando inscreveu o livro no prêmio, não contou a ninguém. Nem à editora. “Por vergonha”, explica. “Não tinha esse sonho de ser escritora, não era uma coisa acalentada”, garante.

O gosto pela literatura, ela sempre teve. Na faculdade, se formou com uma monografia sobre Clarice Lispector. A leitura sempre foi ponte para a companhia trazida pelos livros. “Mas escritora, nunca imaginei. O livro foi escrito em segredo, porque eu não sabia o que ia dar. Eu desabafava, era um hobby, depois criei personagem e já não tinha nada a ver comigo. Mas quando terminei e contei para os amigos, foi como sair do armário. Não me orgulhava, achava que iam me achar louca, imagina, uma esquizofrênica que inventa personagens”, conta.

Publicar com o sistema de crowdfunding também foi uma experiência. “Não é fácil, porque como você convence as pessoas que sua história tem um diferencial, com tanta gente escrevendo?”, conta. Graças à chancela da editora, o que facilitou a arrecadação, Beatriz conseguiu reunir R$ 8 mil para editar o livro, lançado em março de 2015. Agora que o romance está entre os finalistas do Jabuti, ela faz campanha para divulgar o trabalho. Este ano será a primeira vez que os leitores poderão votar nos livros nas categorias Romance, Contos e Poesia. A iniciativa é fruto de uma parceria com a Amazon e apenas os internautas que têm conta no site poderão votar. O mais votado receberá o prêmio Escolha do leitor. Para votar, basta clicar em www.amazom.com.br/premiojabuti e escrever uma avaliação. No site, o leitor pode ainda ter acesso a um trecho dos livros concorrentes para checar o conteúdo.


Encontro com Beatriz Leal

Hoje, às 18h30, no Palco Leminski, promovido pela Bienal Independente, na III Bienal Brasil do Livro e da Leitura




Mulheres que mordem
De Beatriz Leal. Ímã editorial, 120 páginas. R$ 45

 

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