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Regina Navarro Lins fala do amor na Bienal

Psicanalista e escritora avalia o futuro do sentimento em palestra na Bienal Brasil do Livro e da Leitura

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postado em 29/10/2016 07:33

Rebeca Oliveira /

Andrea Le Leuxhe/Divulgação
 

 

Entre todos os sentimentos humanos, poucos são tão dúbios, viscerais e necessários quanto o amor. Nem mesmo figuras experientes que desdobram toda a carreira para entendê-lo conseguem decifrá-lo por completo. Autora de mais de 11 livros sobre relacionamentos amorosos e sexuais, a carioca Regina Navarro Lins chegou bem perto de compreender quão complexa é a necessidade de amar —  e como ela se relaciona com a economia, sistemas de governo e heranças culturais. Dividido em dois volumes, O livro do amor investiga, da pré-história à atualidade, as relações sociais, históricas e culturais que afetam a maneira como nos relacionamos.

Hoje, às 19h30, a psicanalista e escritora carioca Regina Navarro Lins conduz a palestra O amor, futuro que se anuncia, no Auditório Manoel de Barros, situado no piso 2, baseado na pesquisa feita para a obra. Como construção social, o amor se apresenta de diferentes formas em cada época. Na Grécia Antiga e na Idade Média, se revelava de forma muito diferente do período romântico, que surge na metade do século 19 e, ainda hoje, pontua a maior parte dos relacionamentos. “Até hoje as pessoas sofrem por essa repressão da sexualidade”, avalia.

Na visão da especialista, o amor romântico está impregnado na publicidade, literatura, cinema, tevê... “Ele está em tudo. É a maior propaganda que existe. Mas daqui a 30 anos, menos pessoas vão querer se fechar em uma relação a dois e mais gente vai querer amar livremente”, acredita. Regina Navarro Lins defende que, aos poucos, a sociedade entenderá que há múltiplas formas de amar, com cada vez menos tabus envolvendo sexo. A quebra de padrões de gênero, para citar um exemplo, aponta indícios de novas perspectivas.

“As crianças desde muito pequenas aprendem que sexo é feio, sujo e perigoso, porque todo xingamento envolve sexo. Mas estamos no meio de uma profunda mudança de mentalidade, que começou depois do advento da pílula, na segunda metade do século passado. Ela permitiu o nascimento de todos os movimentos de contracultura, hippie, gay e feminista. Estamos no meio desse percurso. Assistiremos a muitas mudanças”, explica.

 

Poliamor 

Há cerca de uma década Regina Navarro Lins já fala de amores livres e do poliamor, relações abertas ou fechadas com três ou mais pessoas. Nas redes sociais, a escritora recebe algumas críticas a respeito dessa visão pouco estereotipada. No entanto, ela não se abala. “É isso que os conservadores fazem. No século 20, quando surgiu o telefone, os moralistas gritavam dizendo que aquilo era uma indecência. Sempre existirão pessoas no ataque, que não querem mudanças. As pessoas sofrem muito por causa desses valores. Eu não defendo o poliamor no sentido de achar que é a melhor saída, mas que cada um possa encontrar a melhor forma de viver”, acrescenta.

 

O livro do amor 
De Regina Navarro Lins. Best Seller, 364 páginas (cada volume). Preço: R$ 24.


III Bienal Brasil do Livro e da Leitura
Até amanhã, diariamente, das 10h às 22h, no Estádio Mané Garrincha. Entrada franca.

  

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