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Menos eletropop, Lady Gaga mostra versatilidade vocal no disco 'Joanne'

Cantora se reinventa em álbum lançado há poucas semanas

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postado em 07/11/2016 07:01 / atualizado em 05/11/2016 15:08

Lady Gaga / Arquivo Pessoal

Há cerca de oito anos, Lady Gaga emergia para o mundo com o seu primeiro hit Just dance, presente no disco de estreia The fame (2008). Contando com a força de um padrinho como Akon, a diva surpreendeu ao emplacar músicas no topo das paradas, além de chocar com suas performances e aparições de looks extravagantes em premiações, como o vestido de carne usado no VMA de 2010. Desta vez, a surpresa foi por ela ter deixado os exageros de lado e apresentar uma versão mais pessoal e intimista no elogiado álbum, Joanne, o quinto da carreira e uma homenagem à tia, que morreu aos 19 anos, 11 anos antes de Gaga nascer, e também uma referência ao nome do meio da cantora batizada como Stefani Joanne Angelina Germanota.


A surpresa foi em relação, principalmente, ao que esperavam da artista: que retornasse fazendo de tudo para chamar atenção, o que deu muito certo no início, até o fracasso do álbum Artpop (2013). Quem acompanha Gaga nos últimos tempos, percebe que ela está buscando ser “mais crua”, principalmente depois de lançar o álbum de jazz com Tony Bennett, o Cheek to cheek (2014).


Além das apresentações de clássicos com Bennett, ela mostrou todo o potencial de sua voz  ao cantar Imagine, de John Lennon, na abertura dos Jogos Europeus em Baku, em 2015, ou ainda quando impressionou em seu tributo à Noviça rebelde, na cerimônia do Oscar deste ano. Nessa lista, podem ser acrescentadas a homenagem à David Bowie e a execução do hino nacional dos Estados Unidos na final do Super Bowl 2016. Performances marcantes por um visual discreto e de pouca maquiagem. Nada de excessos.

Parcerias


Joanne conta com letras e tons que lembram outras canções já lançadas por Gaga. A faixa Dancin’ in circles, por exemplo, sugere o ritmo de Alejandro (do álbum Born this way). A suavidade da voz de Gaga em Hey girl, parceria com Florence Welch, remete à mesma das músicas de The fame, com muito mais maturidade, claro.

Million reasons e as outras faixas com lado mais country se assemelham ao que foi ouvido em You and I. Baladas no piano, como Angel down, já tiveram espaço nos outros discos, entre elas, Brown eyes (The fame) e Dope (Artpop). A pegada eletropop e dance, antes predominante, se perdeu, mas o pop ainda está lá, é perceptível. John Wayne e A-YO estão aí para provar isso.

O resultado da sonoridade em Joanne tem o peso do grande time de parceiros do processo de criação, que contou com Mark Ronson, em sua maioria, e também Kevin Parker (Tame Impala), Josh Homme (Queens of The Stone Age), Hillary Lindsey, Emile Hayne, Florence Welch, Bloodpop e RedOne.

Em seu novo disco, Lady Gaga passa mais emoção e conexão com pessoas próximas a ela. Perfect illusion é inspirada em sentimentos vividos pela artista. A faixa-título do álbum homenageia a tia, mas não é a primeira vez que a cantora colocou alguém da família em uma música. Speachless, de The fame monster (2009), foi escrita como um pedido ao seu pai para se tratar de uma doença cardíaca.

Repercussão

A princípio, o novo material teve um retorno positivo, mas discreto. Ele estreou em primeiro lugar na Billboard, principal parada de discos americana, com o total de 201 mil unidades de vendas e streaming. O primeiro single Perfect illusion, apesar de não ter a mesma força nos charts que os outros hits da artista, se mantém no Top 100 da parada de singles. Já Million reasons tem subido cada vez mais e se encontra na 57ª posição da Billboard.

Com a recente fase de jazz, e mais ainda com o quinto álbum, Gaga pode ter conquistado novos admiradores, mas o lançamento dividiu opiniões entre os fãs antigos e pessoas que acompanham a carreira dela desde o início. O webdesigner Marcelo Monteiro é um admirador desde 2009 e a versatilidade da cantora foi o que sempre lhe chamou sua atenção. “Me impressiona como ela mostrou que é capaz de fazer qualquer tipo de música, sem perder as raízes do pop do começo”, afirma.

A mesma mudança não agradou muito o fã Vinícius Leite, estudante de sistemas de informação, que esperava que a diva explorasse mais o pop para cativar o seu público. “Ela se posicionou de forma protecionista, sem intenção de ser vanguarda, porque o estilo intimista do álbum não pede o que, anteriormente, eram possíveis promessas de estilos influentes. Tudo isso, a meu ver, foi colocado de lado para ela seguir o rumo pelo qual optou: se reinventar”, diz Vinícius.

A reinvenção da cantora é um ponto que os fãs estão destacando. “Para mim, é realmente bom. Num mundo em que todas as músicas são praticamente iguais, eu diria que é refrescante finalmente ouvir algo que destoa”, diz a fã Isabella Zeminian, estudante de rádio e tevê.

Ao New York Times, Lady Gaga esclareceu que as outras facetas sempre foram diferentes partes dela, na forma de fantasias. Agora, ela afirma conseguir dizer o que queria de forma mais clara. “Era como e onde eu me sentia segura naquele momento. Uma expressão das coisas que sou capaz de dizer agora, de uma forma mais clara e concisa, antes de me sentir obrigada a dizer de forma complicada”, conta.

 

OUÇA!

Divulgação
 

» Joanne
De Lady Gaga. Gravadora Universal, 14 faixas. Preço médio: R$ 28.

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