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Obra e vida do escritor Philip Roth são temas de livros e filmes

Biografia do escritor de 83 anos chega às livrarias brasileiras ao mesmo tempo de mais duas adaptações de livros dele para as telonas

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postado em 08/11/2016 07:34 / atualizado em 08/11/2016 09:48

Ricardo Daehn



Mesmo aos 83 anos e dono de recorrente anúncio de aposentadoria em publicações como o Le Monde, o autor norte-americano Philip Roth segue como um referencial no campo da literatura e, por adaptações, do cinema. Um momento especial e expressivo, neste fim de ano em que, três produtos culturais expõem tanto a vida quanto as criações do americano que, desde os 26 anos, com Adeus, Columbus, cria controvérsias com os pares judeus (apesar da relutância de Roth em aprender iídiche) e a muitos azeda, dissecando, na ficção, temas como doença, morte, escalada intelectual e traição.

No mesmo ano em que viu Roth libertado – Um escritor e seus livros (de Claudia Pierpont, amiga dele e escritora da The New Yorker) publicado, Roth tem com muito atraso a autobiografia Os fatos, da Companhia das Letras. No livro, o vencedor do Pulitzer e da prestigiosa Medalha de Ouro em Ficção dialoga, constantemente, com o alter-ego Nathan Zuckerman (também escritor, e um filtro para Roth, ao longo da carreira).

Recém-lançado, o livro ajuda a decifrar parte dos 50 anos de carreira e ainda da produção dos atuais 31 livros publicados. Feito em 1988, depois da passagem por uma cirurgia problemática, Roth, mesmo com texto vetado pelo “amigo” Zuckerman (numa extensa brincadeira crítica publicada em Os fatos), conta do reverso das abstrações e desvela o embate entre arte e vida real. No livro, o celebrado autor de O complexo de Portnoy (1969) trata da formação literária, dos choques com falta de empatia alheia e não escapa do fantasma de Maggie Williams, a problemática ex-mulher morta em acidente de carro, mas eternizada em figuras como Maureen Tarnopol, de Minha vida de homem (publicado em 1976).

Como todo e qualquer êxito literário, Philip Roth segue perseguido pelas adaptações cinematográficas, como confirmam duas produções deste ano: Indignação (já em cartaz nas telas) e Pastoral americana (previsto para o dia 15 de dezembro). Os dois longas foram antecedidos por Revelações (2003), que reuniu Anthony Hopkins e Nicole Kidman; Fatal (2008), da sensível espanhola Isabel Coixet e ainda por O último ato, com Al Pacino.

Os novos longas, Indignação e Pastoral americana, trazem trabalhos de diretores estreantes. Enquanto James Schamus comanda o primeiro, o ator Ewan McGregor (de Star Wars) responde pelo outro. Claro que o foco das tramas está nos embates: o jovem Marcus Messner passa pelo crivo da inadequação social, na universidade dos anos 50, em que encontra uma despachada pretendente, em Indignação. Já New Jersey ganha as feições da Pensilvânia, em Pastoral americana. O pós-guerra norte-americano também é retratado na trama que acomoda ato extremista da personagem Merry (Dakota Fanning), filha de Swede (interpretado por McGregor). Guerra do Vietnã e terrorismo nutrem o enredo que conta com as participações das atrizes Uzo Aduba (Orange is the new black) e Jennifer Connelly (Noé).

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