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Teatro e cinema discutem empoderamento do cabelo crespo

O espetáculo teatral 'Pentes' e o filme 'Das raízes às pontas' abordarão temática no DF

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postado em 10/11/2016 07:33 / atualizado em 10/11/2016 09:08

Adriana Izel

Divulgação
 
 
O racismo se apresenta de diversas formas na sociedade. Um exemplo é o preconceito em torno do cabelo crespo, que é chamado de cabelo ruim, duro, feio e tantos outros nomes com teor negativo. Até por isso, a militância negra utiliza as madeixas como símbolo de combate e de resistência. “O cabelo crespo representa a mulher negra. É um ponto de identidade e representa a ponta do iceberg. É um processo que passa desde a infância, quando se tenta mascarar esse cabelo. Assumi-lo é quase um ato político. Gera muita repercussão, seja positiva ou negativa. Infelizmente, ainda é um tabu”, analisa a atriz Tuanny Araújo.

A jovem faz parte do Grupo Embaraça, que estreou no ano passado o espetáculo Pentes, em que revela as facetas do racismo velado, principalmente por meio do cabelo crespo e dos depoimentos das três protagonistas interpretadas pelas atrizes Ana Paula Monteiro, Fernanda Jacob e Tuanny Araújo. 

No ano passado, a peça esteve em circulação pelo Distrito Federal e retorna neste fim de semana para a última apresentação em 2016, no Teatro Sesc Garagem, na Asa Sul. “Depois que a gente estreou e fez a circulação, percebemos que o espetáculo era muito necessário. Os acontecimentos citados na peça não se modificaram. Ano após ano, o racismo continua. Dessa forma, marcamos a nossa trajetória e levamos o público a discutir esse assunto”, diz a atriz.

Discurso

Em linguagem performática, Pentes leva o espectador por meio de depoimentos, projeções, música e até uma dramaturgia não verbal a discussão do racismo por meio do cabelo crespo. “Usamos o humor para brincar com isso e fazer as pessoas se sentirem desarmadas. Depois, a gente inverte o discurso. É através disso que elas percebem o que está acontecendo em cena e se identificam. Elas percebem que muitas vezes são as pessoas racistas ou as pessoas que sofrem o racismo”, completa. 

Para Tuanny, além de debater uma questão importante dentro da pauta do movimento negro, um espetáculo como Pentes abre as portas para a presença negra no próprio teatro. “Foi bonito ver pessoas negras assistindo ao espetáculo e ocupando um espaço que normalmente é majoritariamente branco. Isso é interessante. Também é importante o público se sentir representado no palco, porque ocupamos um espaço de invisibilidade. Nossas dores não são vistas e não são faladas”, analisa.

Após a exibição de Pentes, o Grupo Embaraça se dedicará a novos projetos em 2017, como a criação de um novo espetáculo e, claro, tem planos de fazer mais uma temporada da peça de 2015. “Nunca é demais. Porque a gente não vê atores negros. Não vê a representatividade. O que não é falta de material humano, mas de oportunidade”, aponta Tuanny Araújo. 
 
Pentes
Teatro Sesc Garagem (Seps 713/913, Bl. F). Em 12 e 13 de novembro. Sábado, às 21h, e domingo, às 20h. Entrada a R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira). Classificação indicativa livre.

Das raízes às pontas

Cine Brasília (EQS 106/107; 3244-1660). Em 20 de novembro, às 16h30, exibição do filme na solenidade de abertura do Ser Negra, com mesa redonda com a diretora Flora Egécia. Entrada franca. Classificação indicativa livre. 

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