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Livro apresenta biografia não autorizada do Superman

Obra do americano Glen Weldon, conta a trajetória do Homem de Aço, revela as transformações e a essência do personagem

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postado em 13/11/2016 07:35 / atualizado em 11/11/2016 17:29

Alexandre de Paula - Especial para o Correio /

Reprodução/Internet
 

“E assim começam as mais surpreendentes aventuras do mais sensacional personagem de quadrinhos de todos os tempos.” Era esse o início da primeira revista Action Comics, em 1938. O incrível super-herói, que aparecia pela primeira vez, era ninguém menos que o Superman. De 1938 para cá, o Homem de Aço passou por diversas mudanças. Retratar o que mudou e quem é, essencialmente, o alterego de Clark Kent foi o trabalho do escritor e crítico de quadrinhos e cinema Glen Weldon em Superman - Uma biografia não autorizada, que chega agora ao mercado brasileiro.

A convite de um editor, Glen resolveu escrever a história de um dos super-heróis mais populares de todos os tempos. A ideia, porém, foi relacionar a trajetória do herói com a cultura e as transformações da sociedade. “Acabou se transformando em algo que eu espero que seja mais do que simplesmente quem ele é. Mas também como ele mudou ao longo dos anos, e como a cultura em torno dele mudou, e o que esses dois fenômenos têm a ver um com o outro”, explicou o autor ao Correio.

Para o escritor, mesmo com tantas mudanças, é possível achar pontos decisivos no caráter do personagem. As chaves para entendê-lo, segundo Glen, são duas: primeiro, ele coloca as necessidades dos outras acima das suas; segundo, ele nunca desiste. “Isso é o que você precisa ter em mente para contar uma história do Superman. Esse é o núcleo de seu caráter”, esclarece. Todo o resto - o traje, os poderes - pode mudar, e mudou muitas vezes, ao longo dos anos. Mas enquanto esses dois fatores essenciais permanecerem, ele ainda será Superman”, completa.

A origem
O Superman surgiu em junho de 1938, no primeiro número da revista Action Comics. No livro, Glen conta que, à época, a DC recusou o personagem. “Como expliquei várias vezes, nossa empresa tem bem pouco a ganhar financeiramente com a publicação desse material”, escreveu Jack Liebowitz, publisher da editora, em resposta a um dos criadores do Homem de Aço, Jerry Siegel.

Ao lado de Joe Shuster, Siegel foi responsável por desenvolver o icônico super-herói. A primeira ideia de Siegel desenhada por Shuster, na verdade, trazia o Homem de Aço como um vilão, ainda em 1933. Foi só depois que Siegel teve a ideia de transformá-lo em um herói.

Outra coisa que pouca gente sabe, conta Glendon, é que o Superman surgiu como um herói socialista. “Ele lutava contra as corporações gananciosas, contra funcionários corruptos do governo e criminosos que tiravam proveito do homem comum. Era um agitador que lutou contra o status quo”, explica.

A virada
Toda a face revolucionária do herói foi derrubada com o começo da Segunda Guerra Mundial, conta o autor. “O fervor patriótico varreu o país. Então, ele se tornou um símbolo identificado com a América. Ele permaneceu assim desde então e se transformou em uma representação do americano republicano”, esclarece.

“Ele é a versão da América que os americanos querem acreditar que são, mesmo que eles não sejam realmente. Ele é imensamente poderoso, mas sempre usa esse poder com sabedoria”, argumenta.

Para entendê-lo, no entanto, é preciso que se tenha em mente que o Superman representa um ideal, adverte.  “Vê-lo simplesmente como um símbolo da América patriótica — torta de maçã, beisebol etc. — é perder o fato de que ele é um ideal. Um ideal que nunca podemos alcançar, mas esse é  realmente o ponto de super-heróis como ele”, pondera.

A história do Superman foi também influenciada por outros grandes símbolos da humanidade, segundo Weldon, como Moisés e Jesus Cristo e outras figuras que se sacrificam em favor da humanidade. “É uma história simples e extremamente atraente. A ideia de um homem que não precisava fazer absolutamente nada, mas que opta por utilizar seus imensos poderes para ajudar os outros”, argumenta.


Reprodução/Internet
Duas perguntas/ Glen Weldon

Algumas pessoas consideram Batman um personagem mais complexo do que Superman. Você concorda? Ou não é possível comparar?

Acabei de publicar um livro nos EUA que tenta mostrar que um monte de gente diz isso porque Batman é humano e Superman, essencialmente, um deus, mas essas pessoas estão ignorando o fato de que Batman tem um superpoder, algo que o diferencia da humanidade: sua riqueza, que funciona, em qualquer história de Batman, essencialmente, como mágica. Ver Batman apenas como uma criatura psicologicamente torturada é ignorar o fato de que ele é um personagem que vive na esperança — que se tem dedicado à noção altruísta, a um ideal nobre como o do Super-Homem.

Como você avalia a representação recente do personagem nos filmes, como os de Zack Snyder?
Snyder não compreende realmente o altruísmo que é a base do Superman — ele não acredita no altruísmo. Ele desconfia da noção de abnegação e mostra isso na tela. Além disso, ele acha que vai conseguir levar para o Superman o tom sombrio, férreo que Nolan trabalhou para os filmes do Batman. Isso mostra completamente que ele entende mal o que Superman é. Precisamos acreditar no Superman, precisamos de momentos de alegria para nos agitar e nos dar esperança. Os filmes de super-herói de Snyder são sombrios — ele postula um universo em que atos altruístas são falhos e até mesmo ridículos.

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