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Sem previsão para voltar a funcionar, Teatro está à mercê do descaso

Secretário de Cultura do DF, Guilherme Reis aponta medidas para tirar obra do papel

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postado em 13/11/2016 07:02 / atualizado em 11/11/2016 18:34

Adriana Izel , Rebeca Oliveira /

Breno Fortes/CB/D.A Press

“É hora de avançar”, assim começa o secretário de Cultura do DF, Guilherme Reis, ao receber a equipe do Correio para falar sobre a atual situação do Teatro Nacional. Como previsto, o alto custo do projeto de 2014, feito pela Acunha Solé Associados, é inviável aos cofres do governo do Distrito Federal, o que demanda uma revisão da proposta. Ou seja, mais despesa.

Segundo o secretário, desta vez, a Secretaria de Cultura firmou uma parceria com a Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) no valor de aproximadamente R$ 67 mil para financiamento da revisão do projeto, o que seria capaz de fracionar a obra por etapas, dispensar alguns elementos propostos inicialmente e garantir a resolução de problemas estruturais do teatro, como a acústica da Sala Villa-Lobos, e adequações para a legislação atual de segurança propostas pelo Corpo de Bombeiros e Defesa Civil.

“O projeto foi entregue como uma peça única, com um orçamento único. Estamos iniciando uma parceria com a Fibra que vai nos auxiliar a financiar essa primeira parte (de revisão do projeto e separação por etapas). Vários elementos previstos devem ser adiados ou deixados de fora, muito em relação à tecnologia de elevadores de palco, renovação integral da estrutura cenotécnica, iluminação, sonorização e enclausuramento de todos os elevadores”, afirma.

Dessa forma, o custo da restauração do teatro se tornaria mais palatável, algo em torno de R$ 120 milhões, acredita Guilherme Reis. Para captar esses recursos, a Secretaria de Cultura também tentará financiamentos com instituições como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil; inscreverá o projeto em abril de 2017 para captação pela Lei Rouanet; prevê uma campanha de sensibilização, em que população, sociedade civil e setor produtivo possam colaborar; e ainda tentará parceria com o Ministério de Cultura no compartilhamento de responsabilidade.


A ideia é que o projeto seja dividido em três partes, o que facilitaria a execução, garantindo a licitação por etapas. A primeira etapa seria a abertura da Sala Martins Pena; a segunda, a reforma da Sala Villa-Lobos; e a última reuniria outros elementos do Teatro Nacional. Apesar dos planos, é impossível ter datas precisas do início das obras. O secretário diz que, se a licitação ocorrer até julho de 2017, as obras poderiam começar em agosto e, dessa forma, a Sala Martins Pena poderia ser reaberta em agosto de 2018. “Esse é o meu desejo, mas não sei se vamos conseguir nesse ritmo”, revela.

Na Câmara Legislativa

Presidente da Comissão de Educação, Saúde e Cultura na Câmara Legislativa, o deputado Professor Ronaldo Veras se reuniu esta semana com representantes da Secretaria de Cultura. A ideia era tirar o projeto do papel e acionar reformas paliativas, mas que, ainda assim, demandariam algo em torno de R$ 10 milhões. “Para recuperar o teatro a única saída seria fazer emendas parlamentares coletivas. Até o momento, ninguém teve mundo interesse nessas emendas”, lamentou.

POVO FALA  / Cadê o teatro que estava aqui? 


“Costumava assistir aos concertos e o visitava na hora do almoço, pois trabalhava próximo. É péssimo uma reforma que dura anos”
Paulo Henrique, 44 anos, técnico em secretariado

“Ia aos concertos da Orquestra Sinfônica. O fechamento é uma pena, pois é um espaço da cultura que não está sendo utilizado”
Jéssica Portela, 25 anos, professora

“É um desrespeito. Nós precisamos do teatro. O pior é que a situação não é só aqui, e não apenas na cultura.”
José Veloso, 43 anos, instrutor de autoescola

“Trabalho há 18 anos aqui perto e é muito triste presenciar isso. O governo não perde somente em cultura, mas em arrecadação.”
Manuel Cavalcante, 50 anos, vigilante

 

 

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