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Correio Braziliense

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Em celebração aos 40 anos de carreira, Guilherme Arantes se apresenta no DF

O show será hoje, às 20h, no Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães

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postado em 15/11/2016 07:32 / atualizado em 14/11/2016 20:12

Irlam Rocha Lima

Daryan Dornelles/Divulgação

Guilherme Arantes tinha 23 anos, quando, em 1976, foi apresentado ao Brasil pela balada Meu mundo e nada mais, tema de abertura da novela Anjo mau, um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira. Começava ali a vitoriosa carreira solo do cantor e compositor paulistano, ex-integrante da banda de heavy metal Moto Perpétuo.



Criador de incontáveis hits — três deles, recriados por Elis Regina, Maria Bethânia e Caetano Veloso — , ele viveu uma grande decepção em 1981, ao participar do MPB Shell, festival promovido pela TV Globo. Planeta água, música de sua autoria, era a grande favorita, mas a vencedora foi Purpurina, do compositor gaúcho Jerônimo Jardim, de quem hoje pouca gente se lembra. Planeta água dá nome à ONG que Guilherme mantém, desde a década passada, no litoral baiano, próxima à Praia do Forte.

Por conta dessa instituição, o artista ficou um longo período distante da mídia. Em 2013, retomou efetivamente a trajetória artística ao lançar Condição humana, álbum que recebeu ótima acolhida da crítica e teve algumas músicas tocadas no rádio. Desde então, ele voltou a fazer muitos shows, tendo passado inclusive por Brasília, onde, há três anos, se apresentou no Iate Clube.

O hitmaker está celebrando 40 anos de estrada com um concerto sinfônico, que o traz de volta à capital. Hoje, às 20h, no Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, revisita canções consagradas pelo público, como Amanhã, Brincar de viver, Cheia de charme, Deixa chover, Lindo balão azul e Um dia, um adeus — todas com novos arranjos. O cantor vai ser acompanhado pela Orquestra Brasília Sinfônica.

Grande momento
Em termos de popularidade, de serventia para o sistema fonográfico, a primeira metade da década de 1980 foi o grande momento da minha carreira. Todos os artistas passam por isso. O Elton John teve o período dele, o Phil Collins teve o período dele, o Caetano Veloso teve o período dele. Então, eu não escapei à regra. Acho que a gente tem o momento do hype, que você se torna o cara simbólico de uma época. Não é por ser meu último disco, mas em 2013 fiz o álbum mais vitorioso, em termos de crítica, de toda a minha trajetória. Rodou bem nas rádios, do segmento adulto contemporâneo. Foi a primeira  vez que cinco músicas foram executadas de um mesmo trabalho. Isso é muito difícil. Mesmo na época de muita presença na mídia, tinha, no máximo, uma música de destaque por ano. Ter cinco músicas tocadas no mesmo ano, aos 63 anos, foi um prêmio a mais. Acho que a carreira é feita uma trajetória longa, não é feita só dos highlights.

Planeta água
No MPB Shell de 1983, Planeta água recebeu aclamação popular. Não foi a vencedora do festival, mas o que a gente quer mesmo é estar do lado do gosto do povo. A questão da escolha do júri foi irrelevante. O importante é que a minha música permaneceu.

Trilha de novelas
Eu já perdi a conta de músicas minhas em trilha de novelas. Acho que são 29 no total. Meu mundo e nada mais foi a mais tocada de todas porque e me apresentou ao mercado. Naquela época, a novela oferecia muito espaço para as músicas.

Canção preferida
Eu gosto muito de várias das minhas composições. Mas a preferência mesmo é por Amanhã, tema da novela Dancing days, por ser a mais visionária de todas, uma música espiritualizada.

Luzo Reis/Divulgação


Ode a Brasília
A música Brasília é de 1980, do disco Coração paulista. Foi gravada com o grupo Boca Livre, que participou brilhantemente dos vocais. Devo muito ao Maurício Maestro, que fez os arranjos com Cláudio Nucci. São pessoas muito queridas. A música fala do nosso sonho brasileiro, da nossa pirâmide, de um projeto nacional, de um símbolo e de um monumento nacional. É a nossa etnia e a nossa espiritualidade. Brasília é um lugar que tem toda uma carga espiritual.

Elis, Bethânia e Caetano

É uma honra muito grande ter músicas gravadas por Elis Regina, Maria Bethânia e Caetano Veloso. A gravação de Vivendo e aprendendo a jogar, feita por Elis, foi importante e decisiva. Ela foi a primeira pessoa que apostou de verdade em mim e eu devo muito a ela por ser aceito em um clube mais exclusivo da MPB. As três gravações são históricas e me emociono bastante ao ouvi-las.

Elton John brasileiro
É uma comparação pertinente, porque a gente toca piano e eu sou baladeiro como ele. Somos contemporâneos. Eu o ouvia sempre. Fico lisonjeado com a comparação, por ser ele um artista nobre. Levo vantagem em relação ao Elton John, porque ele não é letrista, enquanto eu tenho feito minhas próprias letras. As canções dele, porém, são exemplares. Boa parte são aulas de composição e inspiração.

Longe da mídia
Fiquei durante um bom tempo fazendo outras coisas. A mídia estava visitando outros gêneros musicais, outras regiões do Brasil, outros perfis de público. Achei justificável. Claro que a gente sente uma mudança no mercado.

Trabalho na ONG

O que faço na ONG Planeta Água é um trabalho de preservação e educação ambiental. É uma coisa mais resiliente do que impactante. É devagar e sempre. Lá, é um lugar mágico, que tem noites maravilhosas com lua cheia, a conjunção do rio com o mar. Tem um ar muito puro, que é oceânico, árvores frutíferas, mangaba, cajás, caju, tamarindo. Todas essas coisas típicas do Nordeste. E ainda tenho um estúdio nesse santuário ecológico!

MPB atual

A música brasileira vive hoje muito em função da vanguarda. Como sempre foi, a vanguarda abre os caminhos novos. o Brasil sempre teve gêneros mais hegemônicos, que fazia mais sucesso em diferentes épocas. Acho que entrou um ingrediente novo que é a balada, a festa da juventude, uma coisa de azaração, que envolve também o comportamento das redes e a transmissão das selfies e das filmagens, que acompanha uma onda tecnológica dos portáteis. A música passa a ser um pano de fundo mais utilitário, para funcionar naquele cenário. Há uma mudança muito grande na relação entre o público e a música. A música que era a protagonista nos anos 1960, 1970 e 1980 e vai perdendo esse protagonismo e o público passa a protagonizar a cena com o surgimento das unidades móveis nas mãos de todo mundo.

Concerto sinfônico
Tem sido uma experiência cumulativa esse concerto. Cada dia a gente aprende um pouco. O repertório tem sido bastante testado e os arranjos também. Fico bem à vontade com a orquestra, é sempre um prazer muito grande. Estamos com muitos companheiros no palco, levando ao palco não só um show, mas um espetáculo bonito com muita gente em cena.

Público brasiliense
Eu amo o público de Brasília. É um público muito miscigenado, alegre e participativo, que tem um perfil próprio. É sempre uma emoção muito grande estar em Brasília, cidade que tem algo mais em termos espirituais e em termos de reflexão.

Guilherme Arantes

Concerto do cantor, compositor e pianista, acompanhado pela Orquestra Brasília Sinfônica hoje, às 20h, no Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Os ingressos custam R$ 140 (poltrona premium), R$ 100 (poltrona vip lateral), R$ 80 (poltrona especial) e R$ 60 (poltrona superior) – valores referentes a meia-entrada. Pontos de venda: rede de lojas Cia Toy e Beline Pães e Gastronomia (113 Sul). Não recomendado para menores de 12 anos. Informações: 4101-1121 e 4101-1230.

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