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Conheça o legado de Eli do Cavaco, um dos criadores do Clube do Choro

O instrumentista que acompanhava Waldir Azevedo morreu aos 81 anos, no último domingo

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postado em 15/11/2016 07:33

Irlam Rocha Lima

Edílson Rodrigues/CB/D.A Press
 

Quando chegou a Brasília, em 1960, vindo do Rio de Janeiro, Eli Monteiro da Silva, fluminense de Cambuci, já era músico com alguma experiência. Havia participado dos programas de calouro de Ary Barroso, na Rádio Nacional; e de Aerton Perlingeiro, na Rádio Tupi; e costumava tocar em rodas de choro e de samba que ocorriam nos bairros da Lapa e da Penha.

Aqui na capital deu continuidade ao seu ofício, se apresentando em casas noturnas como Amarelinho (Centro Comercial Gilberto Salomão), Cavaquinho (408 Sul) e Casarão do Samba (Vila Planalto. Em 1970, reencontrou com Waldir Azevedo, que havia vindo morar na cidade, a quem conheceu, ainda no Rio, nos corredores da Rádio Mauá.

Em entrevista ao Correio, no dia 9 de março de 2010, ele lembrou: “Eu estava participando de uma roda de choro no Cavaquinho, e o Waldir foi lá assistir, acompanhado pela esposa dona Olinda. Naquele dia, me disse que estava formando um regional e me convidou para se juntar ao grupo. Foram quase 10 anos tocando com ele. Fiz muitos shows com ele e tomei parte da gravação dos dois últimos discos lançados pelo Rei do Cavaquinho”.

Eli do Cavaco, um dos últimos remanescentes da velha guarda do choro em Brasília, morreu no último domingo (13/11), às 17h30, aos 81 anos, vítima de parada respiratória. O sepultamento vai ser nesta terça-feira (15/11), às 15h, no Cemitério do Gama. O velório, na Capela Ecumênica, tem início às 11h. “Ele sofria de demência vascular já havia alguns anos, mas, mesmo assim, até meses atrás, continuou tocando cavaquinho”, contou a filha Patrícia Monteiro da Silva Araújo.

Um dos fundadores do Clube do Choro, Eli era frequentador das rodas de choro que ocorriam no apartamento da flautista Odette Ernest Dias, na primeira metade da década de 1970. Ele foi também um dos criadores do grupo Raça Brasileira, que costumava se apresentar em clubes e hotéis. Por último, cumpriu temporada de cinco anos, aos sábados, animando a feijoada do Bar do Ferreira, no Shopping Felicitá, em Águas Claras. As últimas rodas foram em 2014.

Do grupo fazia parte também o pandeirista Valdeci, outro veterano chorão. “O Eli era como se fosse alguém da minha família. Tocávamos juntos havia mais de 40 anos e nunca tivemos nenhum desentendimento”. Segundo Paulinho Pereira, sócio do Bar do Ferreira, nas últimas apresentações ele já se mostrava debilitado. “Certa vez, me disse que tinha audição limitada e só continuava tocando porque conhecia as músicas e sentia a vibração. Mesmo assim nunca faltava”.

No dia 5 de maio deste ano, Eli recebeu a última homenagem. A iniciativa foi do discípulo Paulinho do Cavaco, que produziu um show no Feitiço Mineiro, reunindo outros músicos que haviam tocado com o mestre do cavaquinho, entre eles, Augusto Contreras (violão 7 caordas), Léo Benon e Neslinho (cavaquinho), Sérgio Moraes (flauta), Tonho (pandeiro), além da cantora Célia Rabelo. À época, Paulinho afirmou: “Poder homenageá-lo em vida, para nós é uma honra”.

Presidente do Clube do Choro, Reco do Bandolim enaltece Eli do Cavaco. “Nos conhecemos nas reuniões no apartamento de Odete. Eli era um cavaquinista completo. Tanto que solava. Waldir Azevedo o admirava muito, tanto que o levou para formar no regional que criou em Brasília, que contava ainda com Carlinhos Bombril (violão 7 cordas), Hamilton Costa (violão 6 cordas) e Pernambuco do Pandeiro. No início das atividades do clube, ele era presença permanente nas rodas de choro informais, promovidas por Pernambuco do Pandeiro”, recorda-se.

A abertura da temporada do Clube e do Choro de 2010 foi com um show que reuniu no palco Pernambuco do Pandeiro, Walci Tavares, José Américo, Dolores Tomé, Augusto Contreras, Antônio Lício, Dedé 7 Cordas e Dudu. “Mas naquela oportunidade, o grande reverenciado foi Eli do Cavaco, de quem temos de guardar muita saudade e ótimas lembranças”, enfatiza Reco do Bandolim.

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