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Renato Russo vivo: Bruce Gomlevsky personifica o compositor em musical

O artista se apresenta em Brasília no fim do mês

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postado em 16/11/2016 07:01 / atualizado em 15/11/2016 17:54

Diego Ponce de Leon /-

 Joao Miguel Junior/TV Globo

Entre os vários atributos que Bruce Gomlevsky carrega de Renato Russo, a ousadia está entre eles. Isso porque o ator e diretor, que protagoniza Renato Russo – O musical, resolveu encarar o impensável: montar um espetáculo a partir da bilheteria. Por conta do aniversário de 20 anos de morte do líder da Legião Urbana, completados em outubro, Bruce acreditou que seria a hora de voltar aos palcos com o trabalho que o consagrou nacionalmente 10 anos antes. E apostou em uma plateia de legionários. E eles compareceram.


A história, a título de esclarecimento, começa em 2006. Foi ali que Bruce personificou o cantor e compositor pela primeira vez. O sucesso foi absurdo.

 

Ao longo dos cinco anos seguintes, Bruce se apresentou mais de 300 vezes, em 40 cidades, reunindo público superior a 200 mil pessoas. Isso em uma época que Elis, Tim e Cazuza nem pensavam em reaparecer nos palcos a partir dos grandes musicais. De alguma maneira, Bruce foi precursor desse movimento.

Pois uma década depois daquela primeira aparição, ele acreditou que seria hora de retomar. E deu azar de estarmos em pleno período de recessão. Mas não se acovardou. Acreditou no público e esgotou praticamente todas as sessões dessa nova temporada, que deu o que falar no Rio de Janeiro. Agora, ele volta a Brasília. E a repercussão não deve ser diferente.

Quando passou por aqui com o musical em 2007, a sensação era de que o próprio Renato estava em cena. Filas absurdas se formaram e as pessoas disputavam cada ingresso. A própria família de Renato assistiu ao espetáculo várias vezes.

 

“Na estreia, o Giuliano (filho de Renato) estava aos prantos. E me disse algo que jamais vou esquecer: ‘Você não é meu pai, mas você me falou tudo que eu precisava escutar’. Dado e Bonfá também adoraram. Todos os lados dessa história saíram comovidos da sala de espetáculos”, conta Bruce, em entrevista ao Correio.

 

“Ainda mais importante foi receber o aval dos fãs”, reforça. E no dia 26 deste mês, eles terão nova chance. Bruce está de volta. Melhor: Renato está de volta! 

 

Entrevista  / Bruce Gomlevsky 


Quando você estreou como Renato pela primeira vez, há 10 anos, o Brasil ainda não vivia essa invasão dos musicais... 

Não existia isso. Inclusive, o único musical que eu me lembro daquela época, e que me marcou, foi o do Gonzaguinha, com o Gaspar Filho (Começaria tudo outra vez, de 2004). E eu tinha isso na cabeça: “Eu quero conseguir fazer o que o Gaspar fez com Gonzaguinha”. O musical do Renato acaba se torna precursor desse  movimento.

Agora, diferentemente dos grandes musicais, com um elenco enorme, plumas e paetês para todo lado, o musical do Renato é mais contido, praticamente um solo... 
Renato é um poeta com grande profundidade. Não daria para fazer uma parada Broadway, com coreografia, danças... Renato era punk, né? Uma outra onda. Então, quis ser esteticamente fiel a ele.

Antes de falarmos da montagem atual, pode nos lembrar como surge o musical, em 2006? O que o leva a encarar Renato nos palcos no primeiro instante? 
Naquela época, eu era casado com a atriz e produtora Julia Carrera. E ela me deu a biografia Renato Russo – O trovador solitário, do Arthur Dapieve. E foi ela quem disse que daria uma peça interessante. Depois que li, vi que a vida de Renato merecia mesmo um espetáculo. Um cara que eu cresci ouvindo, que canto as músicas desde a escola, que é trilha sonora de todo mundo. Aí, gravei duas músicas, caracterizei-me de Renato, fiz umas fotos e mandei para a família do Renato. Entrei em contato e consegui autorização para ir atrás. Surge daí. Nunca imaginei que ficaríamos tanto tempo em cartaz. Foi um grande sucesso. Cinco anos viajando por todo o país, mais de 200 mil espectadores.

Quando você se deu conta das similaridades físicas, de timbre... entre você e Renato? 
Quando li a biografia, eu percebi que ficaria parecido com ele. Foi quando comecei a brincar com isso. Nunca me considerei um cantor, mas sempre tive uma voz afinada. Nunca o imitei, mas rolou todo um trabalho de voz durante o tempo de preparação, os ensaios. O cuidado com a transformação física, tanto lá trás, como agora de novo. Perdi oito quilos para retomar o musical em 2016.

E no que diz respeito à personalidade?
Renato era um cara de uma sensibilidade extrema. Muito preocupado com as questões da época dele. Agora, era também um cara de grande humor. Mas sabemos que ele tinha um lado depressivo, que enfrentou dificuldades com a dependência química, com vícios... Acho que ele ficou solitário em algum momento. Esse lance de não poder sair nas ruas, de ser sugado por tanta gente. Tudo isso está na peça, não de uma maneira piegas ou sentimental, mas delicada.

A passagem do musical por Brasília, em 2007, foi um acontecimento...
Fizemos dois meses em Brasília. Tinha gente na fila às 4h da manhã! Deu polícia, deu quebra-quebra, por conta da falta de ingressos. Foi insano. Mas me aproximei muito do universo de Renato em Brasília. Fui à Colina, conheci amigos, lugares que ele frequentava, fui à UnB, conheci Eduardo e Mônica... Fui muito bem recebido. Foi um marco importante na trajetória da primeira temporada.

E agora não há de ser diferente... Essa retomada tem relação com os 20 anos de morte de Renato? 
Na verdade, eu nunca deixei de receber convites para retomar o espetáculo. Com os 20 anos de morte, achei que seria um momento bacana. Convidei a produtora Bianca De Felippes, que tem relação íntima com a obra de Renato, e fomos atrás. Resolvemos fazer, mas não conseguimos patrocínio neste ano, que não está dos melhores. Mas acreditamos no projeto, pegamos empréstimo e apostamos na bilheteria. E conseguimos! Pagamos todas as despesas sem patrocínio algum!

É impressionante escutar isso. Eu entrevisto grandes nomes do teatro há cinco anos e ninguém jamais me disse que é possível fazer teatro exclusivamente por meio da bilheteria, atualmente... 
É uma peça cara! Banda, luz, som, projeção, equipe... Tivemos uma despesa de R$100 mil. Resolvemos topar e a gente se pagou com o público. Eu estava arrancando os cabelos, com medo de me endividar. Mas sou amante do teatro. Já perdi apartamento apostando no palco, mas, desta vez, tivemos fé na plateia e rolou.

Os editais são importantes, mas não são meio único... 
Não podemos ficar reféns de editais. Acho a Lei Rouanet importantíssima, cumpre um papel fundamental. Há companhias inteiras, iniciativas de teatro experimental, que dependem dela. Mas não podermos ser reféns. O Renato Russo nos mostrou que é possível pensar em outros caminhos.

 

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