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Correio Braziliense

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Grupos da cidade levam o teatro a lugares esquecidos e isolados

Pegar a estrada é uma opção para facilitar o acesso à cultura

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Arquivo Invenção Brasileira/Divulgação

 

Entre os princípios básicos dos artistas que deixam o conforto de suas casas para viver na estrada está o desejo de trabalhar a arte não apenas como entretenimento, mas também como um mecanismo de reflexão, conscientização e transformação cotidiana. Além dos grandes centros, as caravanas de circo e teatro aterrisam em lugares esquecidos, onde a cultura muitas vezes não costuma chegar. O espetáculo se modifica a cada dia e a rotina não é palavra comum ao vocabulário destes grupos. As apresentações podem variar e o povo é chamado entre ruas, praças, escolas, esquinas e casas. O importante é fazer o show continuar.

Rafael Trevo, Lelê Martins e o Fusquinha formam a Cia. da Sorte, criada em 2013 a partir do encontro entre dois atores e um fusca, que se transforma em palco, cinema, casa e transporte teatral. O primeiro projeto do grupo, Semente da Sorte, em 2014, já aconteceu na estrada, quando Trevo e Lelê foram de São Paulo até o Rio Grande do Norte levando espetáculos de circo e teatro, cinema e intervenções urbanas em seu percurso. “Acho que é uma tendência do artista independente ser itinerante, até para conhecer e trocar experiências. O circo está muito unido no Brasil todo e onde você vai encontra conhecidos. A ideia é circular o seu fazer artístico, aquilo que você tem de melhor”, afirma o ator.

A trupe escolheu levar a arte pelas ruas, em lugares abertos, onde todos tipos de pessoas podem ter acesso. Rafael Trevo conta que o trabalho com improvisos é constante, já que muitos imprevistos podem acontecer. “É uma característica do artista de rua, nós focamos muito nesse lado espontâneo. Pode aparecer um bêbado, um cachorro, barulho e nós temos que lidar”, conta. Durante as turnês, a cada dia surge um novo palco, uma nova rua, uma nova locação. Para o ator, essas mudanças deixam o espetáculo mais dinâmico e transforma o cotidiano em novidade continuamente, despertando mais vontade de continuar a criar. A dupla já percorreu 12 estados brasileiros e 60 cidades e as apresentações já percorreram hospitais, praças, comunidades quilombolas.

 

Diego Bresani/Divulgação
 

 

Lelê Martins conta que a preferência é sempre por lugares que não costumem receber este tipo de atividade e que em cada lugar a história contada será diferente. O trabalho é possível já que o circo tem uma linguagem singular e, ao mesmo tempo, universal, tornando-se acessível a todos os públicos. Rafael conta que a experiência de levar a arte para lugares mais extremos é o combustível que faz a companhia caminhar. “Esse é um dos pontos mais importantes para a gente, onde passamos o carinho e o amor são recíprocos. Como temos o fusca, que pode servir como transporte para teatro e cinema, então que ele nos ajude a chegar nos lugares mais distintos”.

Próximas viagens
Depois de longas turnês totalmente independentes, que percorreu mais de 50 cidades brasileiras e foram marcadas por participações em importantes Festivais, a Cia. da Sorte aterrissa em Brasília. O espetáculo atual se chama Segura mamãe e vai passar por Recanto das Emas, Estrutural, Itapoã, Varjão, São Sebastião e Plano Piloto. Na história, a dona do Circo, dona Lelê, coloca o palhaço Trevolino para trabalhar. Os dois fugiram do circo e abriram seu próprio projeto itinerante, que viaja com um fusca. O espetáculo é formado por números de malabarismo, equilibrismo, mágica e muita palhaçada. Ele é um espetáculo para todas as idades e os atores contam que crianças e adultos costumam se divertir e se encantar.

Depois de cada espetáculo, abrem-se as portas para o Cine-fusca, com projeção de filmes seguida de bate-papo. As regiões escolhidas, para a realização do projeto Circo Girando são as de menor renda per capita dentro do DF. “Com evidente contraste entre a área central do DF e seu entorno, e levando em consideração a ausência total ou parcial de bens e serviços ligados à arte e cultura, é dever dos agentes culturais participar do processo de democratização das atividades culturais”, afirma Rafael Trevo.


Sem fronteiras
No final de novembro, o Mamulengo Sem Fronteiras sai de sua terra natal, Taguatinga (DF), e segue Nordeste adentro com a Caravana Mamulengos do Cerrado rumo à Caatinga. Uma viagem coletiva que também comemora 20 anos de criação. Junto, mais dois grupos brasilienses convidados: Mamulengo Fuzuê e Mamulengo Presepada. O Mamulengo sem Fronteiras também se inspira no conceito de fazer a criação artística circular. Criado em 1996, o grupo completa 20 anos de brincadeiras do teatro de bonecos populares do nordeste pelo mundo. “Agora vamos fazer o caminho dos sonhos para quem faz teatro de mamulnego em Brasília. Nosso próximo projeto vai passar na casa dos bonequeiros mais velhos em atividade, vamos beber da água da cultura tradicional dos bonecos”, conta Walter Cedro, integrante e criador do grupo.

A música está sempre presente nas apresentações, que podem acontecer em diversos espaços não tradicionais. Walter conta que a vivência na estrada é sempre rica e divertida e que cada cidade chega com novas histórias para ouvir e contar. “A preparação das caravanas acontece sempre alguns meses antes. Passamos por grandes cidades e comunidades muito pequenas”, afirma.




Serviço

Espetáculo Segura Mamãe, com a Cia. da Sorte. Para maiores informações: ciadasorte@gmail.com

12/10: CDC Estrutural

14/10: Casa de Ismael

25/10: UNIRE. Endereço: Estrada Contorno Taguatinga/Gama KM 03 – Recanto das Emas/DF. Telefones: 3404-8703 (direção). unire.crianca@gmail.com

21/11: São Sebastião - Acampamento Tiradentes

23/11: Itapoã - CASAI e Escola Classe Natureza.

25/11: Itapoã - Em frente à Escola Zilda Arns

Para acompanhar melhor a programação do Giro, acesse www. facebook.com/ciadasorte.

Caravana Mamulengos do cerrado rumo à caatinga, com o grupo Mamulengo sem fronteiras; no Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

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