Marcelo Gonçalves e Anat Cohen homenageiam Moacir Santos

O violonista e a saxofonista e clarinetista israelense se apresentam hoje e sexta no Clube do Choro

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postado em 16/11/2016 09:59 / atualizado em 16/11/2016 10:33


O violonista Marcelo Gonçalves tem participado com frequência dos projetos do Clube do Choro, ao lado dos seus companheiros do Trio Madeira Brasil. Em seu retorno ao palco do Espaço Cultural do Choro, para apresentação de hoje a sexta-feira, às 21h, ele tem a companhia da clarinetista e saxofonista israelense Anat Cohen.

Embora o homenageado do projeto deste ano seja Paulinho da Viola, o show que eles fazem é em tributo ao compositor pernambucano Moacir Santos, autor dos temas que eles gravaram no recém-lançado álbum Outra coisa. “Fiquei um ano trabalhando nesse repertório e, quando Anat esteve no Brasil, propus nos encontrarmos para lhe mostrar os arranjos que estava trabalhando. Esse disco é fiel a Moacir, na sua precisão de escrita e também na liberdade que sua música sugere. Clarinete, o primeiro instrumento que ele tocou; e o violão de Baden Powell, que gravou sua obra pela primeira vez, são importantes na história do mestre”, conta o instrumentista.

Anat e Marcello são músicos experientes, com assinaturas bem definidas. Eles se uniram para dar leveza, elegância, alegria, prazer e liberdade à música de Moacir Santos. Juntos promovem o amálgama de diferentes culturas, tocando uma música cosmopolita na origem, com a linguagem universal do jazz, que soa familiar tanto para brasileiros quanto para norte-americanos.

Em Outra coisa, gravado no Rio de Janeiro no início deste ano, masterizado nos Estados Unidos e que chegou ao mercado em outubro último — via o selo Rob Digital — , Ana e Marcello fizeram o registro de temas compostos por Moacir Santos como Amphibious, Maracatucutê, Oduduá, Carrossel, Paraíso e Coisa nº 5. Essa última recebeu letra de Mário Telles, se tornou conhecida como Nanã e transformou-se num clássico da MPB, gravado anteriormente por Nara Leão e Wilson Simonal, entre outros.

Por sua virtuosa expressividade e performance cênica, Anat Cohen conquistou admiradores em todo o mundo. Radicada desde 1999 em Nova York, viaja pelo mundo para participar, como atração dos mais importantes festivais de jazz. Aliás, durante nove anos consecutivos foi eleita como melhor clarinetista pela Jazz Journalists Association.

Elementos do estilo crioulo de Nova Orleans, de ritmos africanos e também do samba e do choro brasileiros contribuíram para a formação musical de Anat, que tomou conhecimento da música de Moacir Santos ao ouvir o álbum Ouro negro, de Mário Adnet. Pelo selo Anzic Records lançou sete discos e o mais recente é Luminosa, que reúne temas autorais melódicos e suingados. Ela incluiu também Cais, de Milton Nascimento.

Celebrado violonista 7 cordas carioca, Marcello Gonçalves é arranjador e diretor musical do Trio Madeira Brasil, com o qual lançou quatro CDs e tem participado de diversos festivais de jazz no Brasil e no exterior. É dele a direção musical do documentário Brasileirinho — sobre o choro — , dirigido pelo finalandês Mika Kaurismaki.


Anat Cohen e Marcello Gonçalves
O duo lança o CD Outra coisa – A música de Moacir Santos de hoje a sexta-feira, pelo projeto Tributo a Paulinho da Viola. No Espaço Cultural do Choro (Eixo Monumental, ao lado do Centro de Convenções UIysses Guimarães). Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia para estudantes). Não recomendado para menores de 14 anos. Informações: 3224-0599.


Duas perguntas// Marcello Gonçalves
 
Como surgiu a ideia de homenagear o mestre Moacir Santos?
A relação entre Moacir e o violão sempre esteve presente em meu imaginário por conta da relação dele com Baden Powell. O Baden era aluno do Moacir, foi o primeiro a gravar suas músicas em sua série de afro-sambas”. Sempre achei que existia uma relação entre o Moacir e o violão ainda não explorada. No último ano, lendo as partituras diretamente de seu Songbook, tive a surpresa de ver como elas se encaixavam perfeitamente no violão de 7 cordas, no tom original, como se tivessem sido compostas para o instrumento. Fiquei um ano trabalhando esse repertório, transportando para o violão de 7 cordas os ricos sons orquestrais de suas composições.

Que relação você tinha (tem) com a obra dele?
Uma das coisas que admiro no Moacir é que ele consegue reunir todos os elementos da música popular, o suíngue, a liberdade, a improvisação, e ainda assim ter uma escrita detalhista. Suas composições já vêm com arranjo pronto e, ao mesmo tempo, estimulam a criatividade do músico. É um equilíbrio perfeito e muito raro de se encontrar.




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