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Eliezer Szturm realiza exposição de esculturas e texturas no CCBB

Foi em 2003 que Szturm começou o processo resultante em Céus e nós

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postado em 17/11/2016 07:30

Nahima Maciel

André Carvalho/Divulgação



A própria história da arte guiou o artista Elyeser Szturm em Céus e nós. Encantado com o estudo da história das cores, com o uso de certas formas e símbolos no Renascimento e a possibilidade de criação de universos míticos graças à exploração de texturas, o artista criou um conjunto de obras que apontam para novos caminhos. Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Céus e nós reúne um conjunto de peles de silicone e esculturas inéditas nascidas do mergulho em referências caras ao artista.

Há 10 anos Elyeser Szturm não realizava exposição individual em Brasília. O artista sempre se apropriou de texturas encontradas aqui e ali para realizar as peles de silicones carregadas de memória alheia, impregnada em paredes velhas garimpadas pelo artista. O resultado eram mantos que pareciam seculares, sempre marcados por materiais antigos que despregavam das paredes quando o artista arrancava a película de silicone aplicada na superfície.

Em Céus e nós, as texturas são construídas minuciosamente no ateliê. Em vez de se apropriar de superfícies marcadas pela ação do tempo e do acaso, como no caso das paredes, Elyeser constrói a trama desejada e assume uma atitude de representação cheia de intenções. E as intenções, ele encontra na própria história da arte. “É a primeira vez que mostro uma unidade formal poética”, avisa. “Agora, pinto a parede com o efeito que quero. Tem uma série de jogos, texturas. É um jogo infinito de abismamento, de representação e apropriação. É uma das questões centrais do trabalho.”

Foi em 2003 que Szturm começou o processo resultante em Céus e nós. Primeiro, encontrou um livro da poeta Suffit Kitab Akenat. Os versos místicos e filosóficos viraram companheiros de vida, assim como a série do historiador Michel Pastoureau sobre a origem das cores. Depois de ler Azul e de ser provocado por uma amiga para utilizar a cor em algum trabalho, o artista se debruçou sobre o que se tornariam peles celestes.

Referências como os afrescos da Capella degli Scrovegni, criados por Giotto para o teto de uma igreja em Pádua (Itália) e as nuvens delineadas por Gustave Courbet, John Constable e William Turner ganharam corpo nas obras. “Céus é uma pesquisa sobre a simbologia do azul, o que essa cor significa e o que significava para nossa cultura e sociedade. Significa muitas coisas, mas uma é consensual: o azul é transcendência, é o divino, o sagrado, o metafísico, o além, a elevação”, avisa o artista. E as estrelas douradas que volta e meia aparecem nas peles celestes eram símbolos comumente associados ao azul na pintura do Renascimento. “As obras são citações de signos gráficos presentes na história da pintura: azul, estrelas e nuvens”, explica Szturm.

Já as esculturas, são uma novidade. Feitas em pedra-sabão e esculpidas em formatos de nuvens, são imprecisas, leves e, ao mesmo tempo, marcantes. Szturm não queria formas perfeitas. “Eu não queria representar a nuvem direitinho. Fazendo pesquisa, descobri que a nuvem é um vértice, uma espiral, um nó de vapor. E é fundamental na história da escultura”, conta. Alguns profetas de Aleijadinho, dos quais o artista tirou a ideia da pedra-sabão, repousam sobre nuvens, assim como certas esculturas do Renascimento. Ao destacar os símbolos de contextos históricos e trazê-los para um mundo contemporâneo, muito marcado pela noção de fluidez entre o real e o virtual, o artista recria paisagens, histórias e releituras. Vale a pena sonhar um pouco diante das peles celestes de Elyeser Szturm.



Céus e nós
Exposição de Elyeser Szturm. Visitação até 8 de janeiro, de quarta a segunda, das 9h às 21h, na Galeria 3 do Centro Cultural Banco do Brasil (SCES Trecho 2)

 

 

 

 

 

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