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Simone & Simaria abraçam sertanejo em novo álbum gravado em Goiânia

O sucesso do 'Bar das coleguinhas' tornou a dupla baiana, que já era conhecida no Nordeste, um fenômeno em todo o país

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postado em 20/11/2016 07:58 / atualizado em 19/11/2016 18:29

Adriana Izel

Universal Music/Divulgação

São Paulo — Há um ano, as irmãs Simone & Simaria conseguiram se destacar em todo o Brasil com o lançamento do álbum Bar das coleguinhas. Gravado de forma intimista e imitando, como o próprio nome diz, um bar, as cantoras montaram um repertório daqueles que o espectador precisa curar o desamor com a bebida. A sofrência das canções fez sucesso, tornando a maioria das faixas do material em hits, como Meu violão e nosso cachorro, Quando o mel é bom e Não vou mais atrás de você (em parceria com Wesley Safadão). Além de ter sagrado diversos bordões da dupla, como “Chora não, coleguinha”, “Dá vontade de meter o chifre no chão e sair arando a terra” e “É hoje que eu bebo até cair, se eu cair, eu continuo bebendo deitada nessa ‘misera’”.

O sucesso do Bar das coleguinhas tornou a dupla baiana, que já era conhecida no Nordeste, um fenômeno em todo o país. Porém, não foi só a sofrência que garantiu a boa repercussão das cantoras. Na verdade, uma série de fatores podem ser apontados, como a mudança de protagonismo do discurso (agora são as mulheres que dão as cartas), a ausência de uma segunda voz (as duas se dividem na primeira voz), os bordões e a transição do forró para o sertanejo (elas começaram a carreira como backing vocal de Frank Aguiar e fizeram parte do Forró do Muído). “O projeto Bar das coleguinhas foi a realização de um sonho do nosso pai, que já morreu. Era o sonho dele ver a gente cantando sertanejo. Além disso, desde muito pequenas a gente já ouvia Milionário & José Rico, Zezé di Camargo & Luciano...”, conta Simone.

Um ano depois e aproveitando o bom momento, Simone & Simaria lançam no mercado um novo álbum, formado por 14 faixas inéditas e duas regravações de Bar das coleguinhas. Simone & Simaria live foi gravado em Goiânia e tem algumas diferenças de Bar das coleguinhas. Se o primeiro era para pouca gente, agora elas lotaram um espaço na capital goiana. Se o cenário era mais simples, agora elas estão cercadas de telões de LED em um superpalco, uma característica do mundo sertanejo, ao qual elas abraçaram de vez no novo material. “É engraçado porque, na época do forró, nós já tínhamos 20 minutos de bar (repertório de sertanejo). Quando chegava nos lugares, os fãs ficavam gritando “abre o bar, abre o bar”. Eles amavam aquela coisa de a gente cantar sertanejo. Acho que o mercado estava carente de ter mulheres cantando músicas que só os homens cantavam. De ver uma dupla casando voz. A gente ainda canta forró, mas tem funk, axé”, explica Simaria, citando Quem me viu mentiu, um dos forrós do DVD.

Novo material
 
Lançado no início de novembro, Simone & Simaria live acumula alguns hits. Das 16 faixas, algumas já estão entre as mais pedidas nas rádios e mais executadas nas plataformas digitais, como é o caso de Regime fechado, 126 cabides (que tem um clipe gravado em Buenos Aires), Duvido você tomar uma, Te amo chega dá raiva (em parceria com Bruno & Marrone) e Amor mal resolvido (dueto com Jorge & Mateus). Para as irmãs, esse era o principal desafio do sucessor de Bar das coleguinhas, ter a mesma quantidade de hits. “A maioria das músicas que fizeram sucesso eu escrevi com parceiros. Mas também tenho um amigo especial, o Nivardo Paz, que ele é um dos caras que me ajuda na escolha do repertório. Acho que essa caminhada serviu para tudo, hoje eu posso ouvir uma música e saber se o povo vai gostar. Eu consigo filtrar”, revela Simaria.



Se, nesse trabalho, as composições, em sua maioria, não são de Simaria, coube a cantora dirigir, produzir e ficar responsável pelos arranjos das faixas em parceria com o amigo Nivardo Paz. Minutos antes do início da gravação, Simaria conta que estava no palco ajustando som, checando a luz. “Eu estava no palco para ver se estava tudo do jeito que tinha que ser. Entrei agoniada, nervosa, porque era uma pressão grande. Mas tudo a que se entrega de coração, vale a pena”, revela.

Entre os convidados, a dupla contou com Bruno & Marrone e Jorge & Mateus, artistas que elas classificam como ídolos e também amigos pessoais. “A gente tinha uma história com Jorge & Mateus. No começo, eles faziam shows com o Forro do Muído no Nordeste para mostrar o som deles. Já Bruno & Marrone tem aquela coisa da admiração. São duas duplas maravilhosas”, explica Simone. 

Um início de carreira difícil

Apesar de terem ficado conhecidas apenas no ano passado pelo país todo, Simone & Simaria estão na estrada há bastante tempo. Elas começaram a cantar ainda na infância por influência do pai. Aos três anos, Simaria já cantava no trabalho do pai, a faixa Meu mundo vazio, de Milionário e José Rico. O pai fazia de tudo para que as duas cantassem juntas. “Vendo nosso talento, colocava a gente cantando juntas. Às vezes, uma atrapalhando a outra”, lembra Simone aos risos.

Na adolescência, elas se mudaram para São Paulo para fazer backing vocal de Frank Aguiar. A carreira ao lado do cantor durou sete anos para Simaria e cinco para Simone. Até que elas decidiram trilhar o próprio caminho. “Foi uma escola maravilhosa, mas, assim que saímos, sofremos muito. Passamos a viver em São Paulo com R$ 200 por mês. Só não passamos fome porque Deus não quis. Cansadas de sofrer, fomos buscar outra coisa”, diz Simone. Ela então entrou em contato com um amigo no Nordeste e surgiu a oportunidade das irmãs cantarem em Fortaleza.

Inicialmente, elas trabalhavam para uma banda de baile, que tocava em festas, churrascos e confraternizações. Insistiram muito para gravarem um CD, até que o sonho se realizou e deu certo. Assim começou o Forro do Muído, com influência do forró pé-de-serra e da música latina, com batidas de guitarras e frases loucas, como elas definem. “Tínhamos essas coisas que ninguém tinha. Gravamos o CD e um ano depois estávamos tocando para 15 mil pessoas”, afirma Simaria.

Na banda, elas ficaram por cinco anos, até que decidiram montar a dupla, por influência dos fãs e porque queriam que sua música ultrapassasse a fronteira do Nordeste. Hoje, as cantoras têm agenda lotada com passagem por todos os estados brasileiros, inclusive, fizeram uma turnê internacional neste ano, passando pelos Estados Unidos e pela Europa. O sucesso fora do Brasil também já faz com que as irmãs pensem numa carreira internacional. “Foi incrível. Como eu sou casada com um espanhol e amo música latina, eu penso, sim, em gravar um CD todo em espanhol. Todos os sucessos que o povo ama no Brasil em espanhol”, completa Simaria.

Cinco perguntas / Simone & Simaria

Universal Music/Divulgação


Depois do sucesso de Bar das coleguinhas como foi pensar esse novo projeto?
Simaria: Foi muito difícil pensar em um novo projeto, porque quando você tem um projeto que dá certo, fica pensando se o próximo tem que ser no mesmo caminho ou se pode abusar e ousar um pouco mais. Foram algumas semanas sem dormir pensando no que iriamos fazer. O que eu falo sempre é o que mais importante não é o LED, a luz e tal, mas o conteúdo. Aqui no Brasil as pessoas ligam muito para o repertório. Se você pode agregar os dois, melhor ainda. Acho que conseguimos isso. É um DVD lindo, com um repertório que você não quer parar de ouvir. É cada música... É porque eu não bebo, porque se bebesse, poderia se preparar para me carregar em um dos braços, porque eu estaria caída no chão (risos).

Vocês acham que o mercado precisava de uma dupla feminina e com um discurso diferente?
Simaria: Viemos para mostrar que a mulher pode ser bem-sucedida, independente, ter filhos, trabalhar e ter uma banda de sucesso. Que ela pode beber quando levar chifre e estiver lascada. Os homens não bebem? O povo não bebe? Por que a gente não podia beber uma? Se tiver uma amiga para carregar, então, se joga. Se você achar que é da sua conta, que deve, jogue duro. Não pense não. Todo mundo tem direitos iguais, basta fazer as coisas com consciência, seguir seu coração e saber que vai sofrer as consequências. Eu não tô mandando ninguém beber não, bebe se quiser.

Vocês passaram por essa transição para o sertanejo. Apesar disso, não cantam com primeira e segunda voz. Era a intenção de vocês ir para o sertanejo, mas com esse outro formato?
Simone: Nosso diferencial é esse, por isso que deu certo. Se estivéssemos feito a mesma coisa, íamos passar como todo mundo. Tem música que eu canto a primeira voz, tem música que a Simaria canta. A gente divide isso muito bem e temos estilos muito diferentes. A minha voz é mais forte, a da Simaria é mais doce. Quando estamos com as canções já sabemos o que combina mais com cada uma. Esse diferencial que fez com que o nosso som chamasse atenção.

Como é o processo de criação dos bordões?
Simone: Na verdade, o termo “coleguinhas” veio da nossa mãe. Ela sempre tratou as amigas como colega. Lá no Nordeste, a galera tinha e ainda tem mania de gravar CD ao vivo. Nisso, num show, eu tava cansada e Simaria me acordando ficou: “Vai coleguinha, vai, vai coleguinha”. As pessoas começaram a nos apelidar assim. Acabou que essas coisas que a gente soltava naturalmente no show, a galera se identificava. Tem horas que eu fico rindo muito e nem consigo cantar. E o povo hoje fica esperando a gente soltar alguma coisa. virou uma marca da gente essa coisa de bordão.

Vocês têm o sonho de gravar com alguém?
Simaria: A gente tem um sonho de fazer uma parceria com Roberto Carlos e tem o Romeo Santos (cantor de bachata), que eu amo. É o tipo de música e o som que eu gosto. No dia que eu gravar com esse homens, Deus pode me levar (risos). É um sonho.
 
A repórter viajou a convite da Universal Music
 
Simone & Simaria Live
Universal Music, 16 faixas. Preço médio: R$ 24,90 (CD) e R$ 31,90 (DVD).

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