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Ruy Castro fala sobre a importância das canções nos filmes clássicos

Ele tratou o assunto em encontro conduzido por Zé Renato

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postado em 21/11/2016 07:30

Nahima Maciel

Companhia das Letras/Divulgação


Talvez, o cinema fosse impossível sem a música. Nem é preciso se perguntar quem nasceu primeiro. Muito antes de inventar a imagem em movimento, o homem já havia descoberto que era dono de um instrumento poderoso, uma voz capaz de despertar sentimentos tão distantes quanto a alegria e a tristeza. O cinema não inventou a música, mas certamente não viveria sem ela e é sobre isso que Ruy Castro vai falar quando subir ao palco do teatro do Centro Cultural Banco do Brasil hoje. O escritor é o convidado do músico Zé Renato no projeto Música +.

Bonequinha de luxo seria outro filme sem Audrey Hepburn agarrada ao violão em uma escada qualquer de Manhattan cantando Moon river. E Gilda jamais poderia insinuar um streeptease sem toda a encenação de Put the blame on Mame. O que seria de Ginger Roger e Fred Astaire sem Cheek to cheek? Ou do amor despedaçado de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman sem As time goes by? Se não houvesse Over the rainbow, talvez O mágico de oz perdesse a mágica e Dançando na chuva parece ter sido criado inteiramente para o momento em que Gene Kelly saltita nas calçadas feliz da vida depois de uns beijinhos em Debbie Reynolds. “Por causa delas (das músicas), certos atores ou atrizes construíram imagens definitivas”, lembra Ruy Castro.

O escritor recebeu de Zé Renato uma relação de músicas que serão abordadas no bate-papo e concordou com todas. “Aprovei todas porque, entre todas as canções do cinema, eu prefiro todas”, garante o escritor. Entre elas estão os clássicos Moon river, Cheek to cheek, Singin’ in the rain, Over the rainbow, Que reste-t-il de nos amours? e As time goes by. “Zé Renato vai cantar grandes canções feitas especialmente para o cinema e eu vou falar de cada uma, localizando o filme, quem cantou e, se for o caso, fofocas — quem namorou quem por trás das câmeras, coisas assim”, garante o escritor.

Ruy Castro não gosta do cinema contemporâneo e acha que a boa música feita nos dias de hoje está escondida. Por isso gostou bastante da seleção de Zé Renato, boa parte com clássicos das décadas de 1930, 1940 e 1950. “Nos últimos 20 anos, só fui ao cinema para assistir aos filmes de Woody Allen. Não tenho o menor interesse nos filmes contemporâneos”, avisa. Nem na história contemporânea. Não, pelo menos, como material para pesquisa e livros. Mas o próximo projeto de Ruy Castro não é sobre o passado. O autor prepara um livro sobre o próprio trabalho. “Estou escrevendo um livro sobre biografias. Revelando como elas são escritas”, revela. Com o título de A vida por escrito — Ciência e arte da biografia, o livro sai pela Companhia das Letras e ainda não tem data para ser publicado.

MÚSICA
Com Zé Renato e Ruy Castro. Hoje, às 19h30, no Teatro 1 do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB SCES Trecho 2). Entrada: R$ 20 e R$ 10 (meia)

Confira a entrevista com Ruy Castro

Qual é a relação mais importante entre música e cinema? O cinema seria possível sem a música?
Essa é uma boa pergunta. O cinema sempre teve música, mesmo quando era mudo. Como pode? Ele tinha música de alguma maneira — ou uma baita orquestra no poço do cinema ou um simples pianinho ao lado da tela. Ele só não era falado. Quando veio o cinema sonoro, em 1927, a música foi incorporada ao filme na tela. Mas você tem razão, talvez não pudesse existir o cinema sem a música.

Como o cinema ajudou a enriquecer a música e vice-versa?
Grandes canções foram feitas especificamente para filmes — para os personagens daqueles filmes, para determinadas situações. Mas eram tão bonitas e bem-feitas que passaram a ser apreciadas mesmo por quem não tinha visto esses filmes. E há o caso também de filmes que incorporaram canções que já existiam meio obscuramente e as tornaram famosas. As time goes by, de Casablanca, foi uma delas. Já existia há mais de 10 anos e ninguém lhe dava bola. Aí, foi usada no filme e se consagrou.

O que você acha da música brasileira hoje? O samba-canção e o choro deixaram algum legado, ainda influenciam a música no Brasil?
Algumas pessoas ainda fazem grande música no Brasil, mas em segredo, ninguém toma conhecimento. O mercado se prostituiu completamente e só aceita porcaria.

Sobre o que você teria vontade de escrever hoje? Há algo no Brasil contemporâneo que te estimule a pensar em um livro?
Sobre o Brasil contemporâneo, nada. Ainda é muito cedo para falar dele em termo de história. E o passado do Brasil continua cheio de histórias implorando para ser contadas — como eu fiz com o samba-canção no livro A noite do meu bem.

O que você acha dessa onda de divisões que acabam estampadas em situações como as eleições americanas e o impeachment no Brasil?
No caso do Trump, realmente houve uma divisão, 50% x 50%. No caso do impeachment, não — 90% do povo brasileiro era a favor.

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