SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Garantir acesso a pessoas com deficiência no cinema é desafio da inclusão

Apesar de haver legislação, a produção ainda não atende as exigências

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 22/11/2016 07:30 / atualizado em 19/12/2016 09:07

Luiza Douettes/Divulgação
As animações agradam um público cada vez maior, os filmes não fazem parte só do universo infantil, envolvem até os amantes mais exigentes da sétima arte. Animações como: Frozen (2013), Minions (2015) e Toy Story 3 (2010) foram sucesso de bilheteria mundial e até hoje estão no imaginário de milhares de pessoas. Porém, com a predisposição da maioria dos cinemas brasileiros em exibir sessões dubladas, há um grupo que fica excluído: os portadores de deficiência auditiva e visual.

O acesso desse público às produções audiovisuais é limitado pela falta de recursos de acessibilidade, tais como audiodescrição, janela de libras e legendas descritivas, nos filmes que estão em cartaz pelos cinemas de todo país. Para o público infantil, isto se torna ainda mais negativo, pois as animações são a única alternativa. As estatísticas do último censo (2010) revelam que 24% da população brasileira declara ter alguma deficiência. Entre eles, 6,5 milhões de brasileiros declaram ter deficiência visual severa e outros 2,1 milhões, deficiência auditiva severa.

Os editais públicos de fomento à produção passaram a exigir filmes com recursos de acessibilidade somente a partir de 2013. Em entrevista ao Correio, o diretor e roteirista Gustavo Galvão, da 400 filmes, explica como as produtoras audiovisuais se adaptaram à norma, “Esses filmes estão ficando prontos apenas agora, o mercado está em fase de gerar um banco de obras com recursos de acessibilidade; para muitos produtores é uma novidade”. “No momento, as opções ainda são restritas a DVDs e algumas poucas emissoras que dispõem desses recursos”, completa Gustavo Galvão.

No período de dois anos, em função da instrução normativa da Ancine, aprovada este ano, todas as salas de cinema do Brasil devem disponibilizar esses recursos de forma individualizada para os espectadores.

Escassez

Mauana Simas é jornalista, e iniciou conhecimento em recursos de acessibilidade em 2009, quando integrou a equipe do Programa Especial da TV Brasil. Em 2013, ao perceber a escassez de instituições que trabalhassem com acessibilidade cultural, decidiu fundar a Nós Todos Filmes, com o sócio Gabriel Mayr. A produtora fornece obras audiovisuais com elementos de acessibilidade de alto padrão como audiodescrição, janela de libras e legendas descritivas para a inclusão de pessoas com deficiência. O objetivo do grupo é tornar a comunicação um bem acessível a todos na luta contra a exclusão social, em prol do direito à informação previsto na Constituição Federal.

“Em geral, as pessoas com deficiência ainda têm uma imagem muito associada à passividade, à doença, às limitações. Mas o fato de terem uma deficiência absolutamente não define o que elas são, muito menos o que podem ser”, declara a jornalista. A Nós Todos foi campeã do prêmio Shell Iniciativa Jovem 2013 e utiliza os recursos de acessibilidade para democratizar o acesso à produção audiovisual com base na Instrução Normativa 116 da Ancine. De acordo com a Ancine, todos os projetos audiovisuais financiados com recursos públicos federais deverão dispor em seus orçamentos de serviços de legendagem descritiva, audiodescrição e libras.

“Logo na minha primeira experiência de mercado de trabalho me deparei com profissionais excelentes, pessoas incríveis, mas que ainda sofriam com diversas questões de preconceito e ignorância”, conta Mauana, e que completa: “Pessoas com deficiência têm o mesmo nível de conhecimento e protagonismo que as pessoas sem deficiência”.

O acesso à cultura e à informação são garantidos por lei. Os recursos de acessibilidade cultural surgem para proporcionar a esses espectadores experiência semelhante à dos que não têm deficiência. “Além dos direitos básicos de todos os cidadãos, ainda há outra questão. As produções não podem deixar de garantir o acesso das pessoas com deficiência, pois elas também contribuem à medida que pagam impostos como todos os outros cidadãos sem deficiência”, destaca Mauana.

Legenda ganha adesão

Com início em 2004, tem a finalidade de garantir o acesso de portadores de deficiência auditiva à produções audiovisuais com legenda, em especial nacionais e animações. O idealizador da campanha é o portador de deficiência auditiva Marcelo Pedrosa, que, ao deparar-se com uma realidade negativa para os deficientes auditivos, decidiu procurar métodos de transformação, “Meus amigos combinaram de ir ao Festival de Audiovisual, no Recife/PE, para assistir vários filmes nacionais e me senti excluído. Então pensei: o que eu estou esperando?” Desde então, o projeto ganhou adesão de diversas cidades brasileiras e artistas brasileiros como o cineasta Cacá Diegues e o ator André Gonçalves.

publicidade

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.

publicidade