SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Mapa criativo aponta lugares especiais para personalidades da cultura no DF

O mapa foi idealizado a partir de roteiros concebidos por artistas da cidade

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 23/11/2016 07:30 / atualizado em 22/11/2016 17:16

Nahima Maciel



Paula Carrubba/Divulgação



Brasília pode ser cool, criativa, vintage, moderna, urbana ou rural, quem escolhe é o turista, mas para que cada escolha seja autêntica, é necessário um anfitrião. Foi o que Tatiana Petra e Patrícia Herzog imaginaram quando criaram o Experimente Brasília, uma maneira diferente de viver a cidade guiado por moradores que também são referências culturais. Agora, a dupla dá mais um passo: quer mapear quais são os lugares frequentados pelos brasilienses que nem sempre estão no topo da lista dos guias turísticos, mas são capazes de traduzir o ambiente típico de quem vive no Plano Piloto. No próximo dia 1º de dezembro, a dupla lança o Mapa Brasília Cidade Criativa, uma cartografia de 10 tours culturais criados por 15 convidados moradores da capital.

Com tiragem de 10 mil exemplares e design que foge do padrão turístico tradicional, o mapa será distribuído gratuitamente em pontos estratégicos, como hotéis, restaurantes, cafés, espaços culturais e pontos turísticos. No mapeamento idealizado por Patrícia e Tatiana, o Plano Piloto foi dividido em cores e temas de acordo com as características culturais de cada região. Asas Sul e Norte podem concentrar a maior parte dos pontos, mas o mapa se estende para regiões como Taguatinga, Ceilândia e Guará.

O papel impresso é a última etapa de um processo iniciado há um ano com o que as idealizadoras chamam de tours criativos. Depois de ganhar o edital do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) no valor de R$ 100 mil, Tatiana e Patrícia convocaram os anfitriões para imaginar roteiros que correspondessem às suas áreas de atuação. “A ideia é pontuar e indicar onde acontece a vida cultural da cidade, os espaços afetivos do brasiliense, porque hoje as pessoas não querem mais se sentir turistas, elas querem viver a rotina dos habitantes mesmo”, explica Tatiana.



Identificação
No total, foram idealizados 10 roteiros para os quais os participantes puderam se inscrever gratuitamente ao longo do ano. Bruno Bernardes, da Galeria Ponto, criou o Arte Gallery, um tour pelas galerias independentes da cidade, e o Coletivo Transverso mapeou os pontos de arte urbana. O músico Dilo Araújo conduziu o Sou Taguá, um passeio pelos pontos culturais de Taguatinga e Natinho fez o Comic City, dedicado aos quadrinhos.

Com o Criolina, os participantes puderam descobrir os locais tradicionais de venda de vinis e a estilista Fernanda Ferrugem levou os grupos para conhecer brechós e ateliês da cidade que trabalham com sustentabilidade. “Todos os locais percorridos pelos tours estarão no mapa, mas o mapa não para por aí, inclui espaços culturais, museus, cafés descolados, brechós, lugares até  para curtir o pôr do sol, ou seja, é um mapa feito por quem vive a cidade”, diz Tatiana. O projeto gráfico  ficou por conta de Flávio Altoé.

Realizada na semana passada, a penúltima experiência contou com o cineasta Iberê Carvalho, que levou uma turma de 22 pessoas para dentro do universo do longa O último cine-drive in. Depois de passarem pela produtora na qual o filme nasceu e foi editado, os participantes seguiram para o Cine-drive in para conhecer as locações do filme e assistir ao making of.

Intitulada Horizonte, Luz, Câmera, Ação, a experiência proporcionou verdadeira imersão no cinema de Carvalho, com direito a leitura de roteiro e lanche na lanchonete do filme. “Quando recebi o convite do Experimente, foi um desafio. Devia pensar no lado cinematográfico, de quem  é acinéfilo ou de quem faz cinema?”, conta o cineasta. “Tenho 40 anos e peguei todos os grandes momentos da cidade, a época dos cinemas de rua.” Falar do Cine-drive in foi uma maneira de Carvalho também falar sobre a Brasília cinematográfica para uma plateia cuja ligação com cinema é a de espectador.

Paula Carrubba/Divulgação


Turismo criativo
A condição de uma plateia leiga é, aliás, um dos desafios dos cocriadores convidados para idealizar os tours. A coreógrafa Luciana Lara, responsável pelo roteiro Cidade sensorial, conta que o mais interessante foi poder colocar o próprio trabalho em outros cenários e para pessoas com vivências diferentes.

“Sai um pouco do cartão-postal, te leva para o que realmente importa numa cidade, que é como as pessoas vivem. E é muito legal ver a reação das pessoas, é uma troca”, diz Luciana. A geóloga Camilla Kafino já participou de mais de cinco tours do Experimente Brasília. “Amo de paixão”, garante. “Eles estão fazendo um trabalho de divulgação da cidade de um jeito muito fofinho. Querem que as pessoas vejam Brasília desse jeito e se encantem com a cidade, com esse olhar.”

A décima e última experiência está programada para o dia 1º de dezembro e será uma festa no Museu da República, na qual, além do lançamento do mapa, o público poderá ter uma amostra do que são as experiências.

Com a ideia de investir em turismo criativo, Tatiana e Patrícia criaram 25 experiências disponíveis no site e com valores entre R$ 80 e R$ 1.731. São passeios que vão de voo de balão na Chapada dos Veadeiros, ou uma visita a uma vinícola do cerrado, até passeios de bicicleta pelo Plano Piloto, sempre guiados por anfitriões locais. É o que a dupla chama de turismo afetivo ou criativo. “Brasília não se posiciona como destino turístico e nossa missão, desconstruir isso”, avisa Tatiana.

 

 

Experimente Brasília/Divulgação
 

 

publicidade

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.

publicidade