SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Livro lembra a história do movimento Black Rio, sucesso na década de 1970

Escrito por Luiz Felipe de Lima Peixoto e Zé Octávio Sebadelhe, obra esmiúça detalhes do período, que ficou esquecido por muita gente

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 23/11/2016 07:00 / atualizado em 22/11/2016 17:11

Alexandre de Paula - Especial para o Correio /

José Olympio/Divulgação

Foi uma reportagem do extinto Jornal do Brasil, em 1976, que deu nome a um movimento que balançava a juventude carioca na década de 1970. Influenciados pela cultura negra americana, pelo soul, pelo funk, jovens se juntavam para dançar e fazer música. Black Rio, assim denominou o jornal e assim ficou conhecido o movimento que teve influências no hip-hop, no funk carioca e caráter político. Agora, o livro 1976 — Movimento Black Rio conta a história desse fenômeno cultural.

“Um novo poder está em afirmação na Zona Norte da capital fluminense, e em outras áreas periféricas do Grande Rio, mobilizando mais de um milhão de rapazes e moças orgulhosos de sua cor e espiritualmente mais próximos do Harlem do que das quadras de samba”, dizia a icônica reportagem de Lena Frias.

 

Apesar de ter chamado muita atenção à época, o movimento black ficou esquecido para muita gente, acreditam os autores do livro, Luiz Felipe de Lima Peixoto e Zé Octávio Sebadelhe.


“Pouco se sabe, ou se recolheu e guardou de forma conveniente, sobre o que foi a influência do soul americano no subúrbio do Rio de Janeiro no início dos anos 1970”, escreve Luiz Felipe na apresentação da obra.

 

“Alguns afirmam não ter sido um movimento autêntico, organizado. Outros alegam que foi apenas um brilhante momento em que a juventude negra resolveu dançar uma música diferente”, completa. 

 

Tony Tornado e Tim Maia, nomes importantes do Black Rio 

A intenção do livro é justamente mostrar o que foi o movimento que balançou o Rio de Janeiro da década de 1970 e teve participação importante de nomes como Tony Tornado e Tim Maia. “A ideia aqui é chamar atenção para um importante fato da cultura nacional que talvez tenha passado despercebido por grande parte da sociedade brasileira”, explica Luiz Felipe. 


O Black Rio, aponta o autor, revelou o desejo que a juventude negra daquela época teve de se afirmar e de garantir o direito de se expressar. “Mostrou, dentre outras coisas, o quanto os brasileiros de ascendência africana lutaram por uma simples liberdade de ir e vir, pelo direito de verem e serem vistos, por se expressarem e mostrarem uma identidade própria.”

O pesquisador Zé Octávio Sebadelhe explica, na introdução do livro, que havia a busca para apresentar uma nova identidade e uma nova maneira de se expressar. “Essa juventude negra-mestiça buscava incondicionalmente um novo comportamento, uma forma genuína de se exprimir e uma identidade social bastante particular”, comenta.

Para ele, o movimento questionou, em plena ditadura militar, os valores conservadores vigentes, que tinham raízes, inclusive, na escravidão.

 

“Era uma mocidade que questionaria veementemente estatutos e modelos arcaicos da civilização brasileira ainda muito evidentes naquele período e que permanecem até hoje — traços de uma sociedade forjada em severos conceitos da era da escravidão.”

 

A importância do movimento Black Rio, acredita o autor, está tanto em ter estimulado ações voltadas à consciência negra quanto em ter inspirado artistas da música brasileira. “Não só estimulou o surgimento de instituições vinculadas à consciência negra, como veio a inspirar uma nova geração de artistas e subgêneros da música brasileira (como o samba-soul e o samba-jazz), despertando até o interesse de nomes já consagrados da MPB e atingindo uma dimensão internacional”, relata.

 

José Olympio/Divulgação

1976 – Movimento Black Rio
Luiz Felipe de Lima Peixoto e Zé Octávio Sebadelhe. Editora José Olympio. 253 páginas. R$ 49,90.

publicidade

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.

publicidade