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3%, primeira série nacional da Netflix, aposta em debate sobre meritocracia

A produção chega à plataforma nesta sexta-feira (25/11), com oito episódios

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postado em 24/11/2016 07:30 / atualizado em 24/11/2016 10:28

Renata Rios

Pedro Saad/Netflix


São Paulo
— Em um mundo pós-apocalíptico, em plena floresta amazônica, já não tão verdejante, se passa a nova séria da Netflix: 3%. A primeira produção brasileira da plataforma chega à rede de streaming em forma de uma distopia no mínimo provocativa. O produto, dirigido por César Charlone, promete ser mais do que um simples entretenimento, mas também provocar uma reflexão sobre a meritocracia.

Segundo o criador, Pedro Aguilera, na hora de buscar inspiração para o projeto — que começou sete anos antes desta aguardada estreia — ele buscou obras clássicas, como 1984 e Admirável mundo novo, que deixam vestígios na produção. “Criei os pilotos da série, que podem ser assistidos no Youtube, com o desejo de criar uma distopia brasileira. Na época não foi para frente, o que foi até bom, pois pudemos amadurecer”, relembra. A surpresa veio quando um dos executivos da Netflix assistiu aos episódios e resolveu apostar suas fichas nele.

Neste futuro, não tão brilhante, tudo está dividido entre dois mundos, completamente opostos. De um lado o Continente, do outro o Mar Alto. Para chegar nessa promessa de paraíso, todos têm apenas uma chance. Aos 20 anos, todos os cidadãos têm o direito de participar do Processo, um rigoroso sistema de seleção que promete escolher as melhores pessoas para serem parte do Mar Alto.

 

 

Limites
A série começa justamente mostrando o Processo, que chega a ser cruel em boa parte do tempo. Para vivenciar esses testes, que envolvem tanto questões físicas como psicológicas, cinco jovens personagens recebem mais atenção das câmeras. Já para mostrar o lado dos privilegiados, em um prédio futurista no meio do que resta da maior floresta tropical do mundo, conhecemos os privilegiados, parte dos 3%, responsáveis por escolher quem vai e quem fica.

Em relação à produção, os atores envolvidos no projeto elogiam a forma de trabalho que a Netflix adotou e a profundidade dos personagens envolvidos no enredo. “Todo o processo do 3% foi especial. Não são personagens unidimensionais, todos eles tem muitas camadas”, Rodolfo Valente. Vaneza Oliveira, se mostra muito satisfeita com a personagem para qual foi escolhida. “Quando eu vi o que seria a minha personagem, a Joana, fiquei empolgada. Trabalhar com essas pessoas e com uma personagem tão forte, é muito gratificante”, revela. Bianca Comparato, a mais conhecida pelo público entre os atores da série, revela que achou sua personagem muito desafiadora. “O teor político que a série traz me atraiu ainda mais”, complementa.

De fato, no decorrer da história, os atores prometem várias camadas para seus personagens. “Ninguém é tão bonzinho ali. Há 20 anos eles tem uma vida miserável e sofrida, e eles precisam passar a todo custo”, alerta Michel Gomes. Viviane Porto também acredita nessa profundidade. “São pessoas com históricos de vida muito díspares e com experiências muito desafiadoras o tempo todo. Elas nascem numa situação de miséria, vivem uma vida muito difícil esperando por esse momento. Passam ou não, mas elas não param de ter que provar que você merece e está à altura daquilo”, explica. No caso da personagem de Viviane, ela ainda revela: “Eu queria que a Alice tivesse um jeito manso de falar”.

Debate
“A série é um extremo em cima da meritocracia. Nós usamos isso para provocar uma discussão”, destaca Bianca Comparato. Michel Gomes, que nos apresenta Fernando, concorda que a discussão é necessária. “Isso não é tão distante da nossa realidade. Durante a gravação, quando estávamos vestidos como a parcela desfavorecida, chegamos a ser confundidos com moradores de rua”, relembra. Ao assistir a série, é difícil, como em outras obras de distopia, não questionar a passividade com que os personagens aceitam esse sistema. “Está tudo previamente justificado, ou então justificado a partir do desespero dos outros. Aí fica fácil, o discurso chega, está todo mundo desesperado, sem água e sem comida”, pondera a atriz Vaneza Oliveira.

“Eu já sou meio contra o Mar Alto”, declara Bianca. Quando questionada sobre as possíveis alternativas para a meritocracia, ela sugere que o caminho pode começar pela educação: “A nossa sociedade é construída nisso. A escola é toda baseada nisso. Esses padrões que nós temos para organizar a sociedade será que a organizam mesmo? Será que é mais justo? Você vai doutrinar desde cedo a passar em provas, a ser melhor que outro. Talvez, se mudássemos o modelo de ensino, a gente tivesse alguma coisa melhor no futuro.”

Dois mundos
Localizado no oceano, o Mar Alto conta com 3% da população, todos selecionados rigorosamente, por meio de um sistema meritocrata. Uma vez no Mar Alto, o jovem selecionado deixa sua vida de miséria e vai para um local cheio de oportunidades. Já no Continente,  para as pessoas que ficaram de fora da seleção, 97%, a vida é dura. A miséria e a falta de condições básicas castigam os moradores da terra firme, que, ao completarem 20 anos, tem a única chance de serem selecionados para esse mundo de sonhos.

Quem é quem?

Ezequiel

(João Miguel): O chefe do Processo há cinco anos se mostra um personagem intenso e permeado de mistérios.

Júlia
(Mel Fronckowiak): Funcionária do processo e mulher de Ezequiel, Júlia tem dificuldades de ser feliz dentro do sistema.

Aline
(Viviane Porto): Apesar da fala mansa, Aline é uma personagem forte, que está disposta a tudo para garantir seus interesses.

Michele
(Bianca Comparato): A jovem sem família tem como missão ir para o Mar Alto, mas seus objetivos podem esconder muito mais do que apenas esse desejo.

Fernando
(Michel Gomes): O personagem aparenta ser frágil, mas se mostra um rapaz determinado. Ele não quer ser visto como o bonzinho ou coitadinho.


Rafael
(Rodolfo Valente): Egoísta e sarcástico, Rafael se mostra um bom jogador nos testes. Fará de tudo para passar, inclusive trapacear.


Joana
(Vaneza Oliveira): Joana está no processo mais como uma fuga. Ela sobreviveu até então por conta própria e se mostra uma pessoa introspectiva e inteligente.

Marco
(Rafael Lozano): De uma família que historicamente se sai bem no Processo, Marcos é um líder nato e já se sente parte da elite.

 

A repórter viajou a convite da Netflix

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