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Obra completa de Renato Russo é lançada em coletânea

Caixa de cinco discos resgata obra de Renato Russo, cuja morte completou 20 anos em outubro

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postado em 26/11/2016 07:30

Irlam Rocha Lima

Reprodução
 

 

“É tão estranho, os bons morrem jovens”, filosofa Renato Russo no início da canção Love in the afternoon, uma das faixas de Descobrimento do Brasil, o sexto álbum da Legião Urbana. Morto há duas décadas, aos 36 anos, o cantor e compositor deixou como legado uma valiosa discografia com músicas gravadas por sua banda; além de dois CDs solo, The Stone Wall Celebration Concert e Equilíbrio Distante.

A esses últimos se juntam a mais três —  O último solo, Renato Russo presente e Duetos —  na caixa Renato Russo – Obra completa, recém-lançada pela Universal Music, para lembrar os 20 anos do desaparecimento de um dos maiores nomes do rock nacional e líder do movimento que colocou Brasília no mapa da música popular brasileira.

Na abertura do texto de apresentação da coletânea, o jornalista e escritor Carlos Marcelo, autor da biografia de Renato Manfredini Júnior, com propriedade diz: “A intensidade do canto de Renato Russo. Eis o elemento que une os cinco CDs presentes nesta caixa, o primeiro lançamento a reunir os diversos momentos da carreira solo do vocalista da Legião Urbana.”

Em entrevista dada à época do lançamento de The stone wall celebration, Renato foi explícito: “O disco inteiro é como uma carta de amor, de um homem para outro homem”, numa clara referência ao fim do relacionamento com um namorado norte-americano, fato citado por Carlos Marcelo no encarte. Embora tenha dito que “algumas dessas canções eram as nossas canções”, Carmem Teresa, a irmã do cantor conta que When you wish upon a star, tema do desenho animado Pinóquio, por exemplo, ele ouvia ainda criança, quando a família morou nos Estados Unidos.

Sobre outras músicas ela fala: “O Júnior adorava Bob Dylan, de quem tinha toda a obra, e não me surpreendeu que incluísse If you see him, say hello no Stone wall; assim como Irving Berlin (autor de Say it isn’t só e Let´sface the music & dance). Billy Joel também tinha admiração dele, que gravou And so it goes. “Meu irmão viva cantando Cathedral song, de Tanita Tikaran, e a acabou gravando”, acrescenta.

Equilíbrio Distante, ao qual Renato se referia como “the italian album”, Carmem vê como uma reverência à família Manfredini: “Quando decidiu gravar esse disco, ele foi para a Itália, com Gilda Mattoso (sócia de uma assessoria de imprensa no Rio de Janeiro, que conhecia bem o país), para ter contato maior com a música daquele país e selecionou belas canções, entre elas I venti del cuore, La solitudine e La forza della vita. Espiritualizado, quis incluir Dolcissima Maria”.

Italianíssimo
Já Strani amori, Renato, ao regravá-la, a tornou muito popular no Brasil, a ponto de abrir as portas no país para a cantora italiana Laura Pausini, como lembra Carmem: “Ao participar do programa de Hebe Camargo, Pausini falou que foi meu irmão quem a apresentou aos brasileiros, por gravar Strani amore”.

Uma foto de Renato com a irmã está estampada na contracapa do encarte do Stone wall. Já a capa de O último solo traz na capa um desenho de autoria de Carmem. “Essa capa tem uma história. Minha família queria que as cinzas do corpo do Júnior fossem depositadas em algum jardim no Rio de Janeiro. Como não havia nenhum disponível, foi espalhada pelo Parque Burle Marx”, revela. Quando um diretor da EMI conversou com meu pai (Renato Manfredini) sobre o Último solo ele sugeriu que usasse o meu quadro, o que foi aceito”, complementa.

O álbum traz músicas não aproveitadas nos primeiros discos solos do cantor, com destaque para Hey, that’s no way to say goodbye, de Leonard Cohen, e Change partners (Irving Berlin), um clássico na voz de Billie Holiday.

Os CDs Presente e Duetos foram idealizados pelo pesquisador e produtor Marcelo Fróes, para quem Renato deu a última entrevista, publicada na edição de agosto de 1995 do tabloide carioca International Magazine, editado pelo jornalista. Além dessa entrevista, o CD traz outras duas, dadas também a ele para a publicação.

“Eu sugeri à EMI a produção desses dois discos, que acatou a ideia. “O Presente, tem como raridade Mais uma vez, parceria do Renato com Flávio Venturini”, conta. Outros bons momentos são Gente humilde (Garoto, Chico Buarque e Vinicius de Moraes), gravada pelo ex-líder da Legião, com o acompanhamento do violonista Hélio Delmiro, para um songbook do Poetinha; e Thunder road (Bruce Springteen), clássico da história do rock.

Fróes explica que em Duetos, apenas cinco faixas são gravações de Renato com Marisa Monte (Celeste), Erasmo Carlos (A carta) Herbert Vianna (Nada por mim), Paulo Ricardo (A cruz e a espada); Cida Moreira (Summertine, de George Gershwin e Ira Gershim). Esta gravada em 1994 na Sala Funarte, aqui em Brasília.

As outras 11 são montagens, entre elas as ouvidas nas vozes do cantor e de Dorival Caymmi (Só louco), Caetano Veloso (Change partners) e Fernanda Takai (Like a lover, versão de Alan Bergman e Marilyn Bergman para O cantador, de Dori Caymmi e Nelson Motta). Há ainda duetos virtuais de Renato com as brasilienses Cássia Eller (Vento no litoral), Zélia Duncan (Cathedral song), e Célia Porto (Come fa un’onda).


Renato Russo – Obra Completa
Caixa com cinco CDs, lançamento da Universal Music. Preço sugerido: R$ 99,90

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