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Correio Braziliense

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Diretor Francis Ford Coppola publica diário de 'O poderoso chefão'

O livro tem segredos e bastidores de um dos mais cultuados longas da sua filmografia e do cinema

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postado em 27/11/2016 07:00

Reprodução/Internet
 

 

Ao contrário do que se pode esperar, Francis Ford Coppola não tem lembranças boas de O poderoso chefão. O processo de filmagem do longa que o levou à consagração durou 60 dias e trouxe apenas grande infelicidade, confessou o diretor em entrevista ao The New York Times. Mesmo assim, ele resolveu mexer no baú de memórias ruins e publicar o diário da produção do filme, que revela segredos e bastidores do longa.

O livro, por enquanto sem edição brasileira, reúne histórias, imagens e anotações que podem ajudar a entender o processo que fez de O poderoso chefão um clássico do cinema. O mal-estar, garante Coppola, pouco tem a ver com o resultado final. “Esse filme levou 60 dias, e foi miserável, para não mencionar os meses depois, com a disputa sobre o corte. Assim, a minha reação é geralmente de pânico e de náuseas, mas isso não tem nada a ver com como ele é para o público”, disse.

Baseado no romance de Mario Puzo, O poderoso chefão conquistou público e crítica com a história da máfia, pelo lado de dentro. No livro de Coppola, é possível ver como o diretor mexeu na narrativa do romance, subtraindo partes inteiras da história e dando destaque ao que ele acreditava que era importante.

O livro mantém o diário original, na íntegra, com as anotações do diretor. Além disso, há imagens inéditas e uma introdução escrita por Coppola especialmente para The godfather notebook.

Coppola reconhece que não queria publicar a obra e que o dinheiro não foi um fator preponderante (o valor seria baixo, garante). Foi a pressão de amigos e pessoas próximas que acreditavam que era o momento de publicá-lo que o fizeram se dedicar ao livro.

Distante do cinema há algum tempo, o diretor, que se dedica à produção de vinhos hoje, não deixa de reclamar do trabalho com o livro. Palestras, prefácios, raríssimas entrevistas, tudo isso parece demais para ele. A obra, no entanto, abre para os fãs, além do que está no próprio livro, a possibilidade de ouvir o que diretor tem a dizer sobre aquele tempo.

A esta altura e com o caminho que decidiu seguir, Coppola não mede palavras e críticas tanto ao cinema atual quanto aos problemas que teve antes. Ele não nega que nunca foi a escolha preferida do estúdio e que as razões de o terem colocado para dirigir O poderoso chefão não eram as mais nobres.

“Fui contratado porque eu era jovem. Muitos diretores importantes recusaram. Um monte de diretores importantes... Assim, a filosofia era: ‘vamos arranjar alguém novo, que pode presumivelmente ser dominado’”, revelou. “Além disso, eu era ítalo-americano, e era bom porque significava que o estúdio poderia dizer isso se questionassem alguma coisa”, completou.

 

Reprodução/Regan Arts


Críticas
O peso e a insegurança marcaram o primeiro filme para Coppola. Já o segundo é o que ele consegue lembrar com mais felicidade. “A segunda parte foi uma alegria. Eu tinha o controle de tudo”, reconheceu. Muito criticado, o terceiro filme também não agrada ao próprio Coppola. Ele reconheceu que o fez apenas por questões financeiras. “A terceira parte não era algo que eu queria fazer. Eu estava saindo de uma falência”, admite.

Uma das críticas mais recorrentes à série é  que O poderoso chefão tem muita violência e romantizou os membros da máfia. Coppola concorda. “Porque a atuação, em última análise, fez aquelas pessoas parecerem simpáticas, mesmo que seu comportamento fosse tão terrível. Os membros da máfia real são animais”, admite.

 

Reprodução/Regan Arts

Edições
Apesar de inicialmente demonstrar desinteresse na publicação do livro, Coppola reconheceu a importância de levá-lo ao público. “O roteiro era realmente um documento desnecessário”, disse Coppola, “porque eu poderia ter feito o filme só a partir deste caderno.” Publicado pela editora Regan Arts, a obra ganhou duas edições no mercado americano. A mais simples custa US$ 50. Edição de colecionador, a outra versão — assinada por Coppola, limitada — custa US$ 500.

 

 

 

 

 

 

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