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Série de shows reverenciam o samba em seu centenário

No final da década de 1920 foram definidos os contornos do que passou a ser considerado símbolo da identidade nacional

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postado em 01/12/2016 07:30

Irlam Rocha Lima

Território Cultural/Divulgação



A casa da babalorixá baiana Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, no centro do Rio de Janeiro, era o ponto de encontro de um grupo de amigos, que iam até ali para juntar as vozes em tradicionais cantigas populares. Já faz muito tempo... Precisamente 100 anos. Foi lá que nasceu o samba, gênero musical considerado uma das primeiras manifestações culturais populares do Brasil.

Mesmo resultante de estruturas musicais europeias, o gênero se transformou no principal símbolo da cultura brasileira. Originário da matriz africana — representada, por exemplo, pelo samba de roda, nascido no Recôncavo Baiano — se espalhou pelo país. Pelo telefone, de Donga, gravado em novembro de 1916, foi determinante para que hoje se comemore o centenário do samba.

Esse marco dentro da história moderna e urbana da antiga capital do país contribuiu para a popularização do samba. A partir de então, surgiram Pixinguinha, João da Baiana, Sinhô, Heitor dos Prazeres e o citado Donga, apelido do carioca Ernesto dos Santos, criadores de um tipo de canção, que era chamada de samba amaxixado.

No final da década de 1920 foram definidos os contornos do que passou a ser considerado símbolo da identidade nacional. Contribuíram para isso compositores de duas frentes: os dos blocos carnavalescos dos bairros do Estácio de Sá e Oswaldo Cruz; e os dos morros da Mangueira, Salgueiro e São Carlos. Surgia ali o “samba de raiz”.

Escolas na avenida
Os blocos carnavalescos foram berço das escolas de samba, que começaram a surgir a partir dos anos 1930. Mangueira, Portela, Salgueiro, Império Serrano e Estácio de Sá são algumas das que revelaram bambas da importância de Cartola, Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça, Paulo da Portela, Alcides Malandro Histórico, Chico Santana e Aniceto do Império.

Com 70 anos de samba, Mestre Monarco lembra que o samba e o sambista já sofreram muito e eram marginalizados, “mas sempre foram fortes, destemidos e resistiram, mesmo quando o pandeiro era considerado uma arma pela polícia, como me contou Carlos Cachaça”. Diretor da Velha Guarda da Portela, aos 83 anos, ele diz que as coisas melhoraram. “Hoje, o samba ostenta o título de patrimônio cultural do país, uma apoteose”.

Nas décadas subsequentes, o samba ganhou o status de “música nacional”, mas por outro lado sofreu influências diversas que resultaram no surgimento de vários subgêneros, entre os quais o samba-enredo, o samba-exaltação, o samba-canção, o samba de partido alto, o sambossa, o samba-reggae e o samba-funk. São criações de nomes que entraram para a história da MPB como Noel Rosa, Ary Barroso, Wilson Batista, Geraldo Pereira, Silas de Oliveira, Dorival Caymmy, Tom Jobim, Vinicius de Morais, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Chico Buarque, Zeca Pagodinho e tantos outros.

A nova geração do samba tem entre seus representantes, cantores, compositores e grupos surgidos em meio à revitalização do bairro boêmio da Lapa, no Centro do Rio de Janeiro. Atualmente, brilham, gravando discos, fazendo shows e realizado projetos variados jovens e talentosos sambistas – entre eles, Diogo Nogueira, Pedro Miranda, Pedro Paulo Malta, Alfredo Del Penho, Teresa Cristina e Casuarina.

Thiago da Serrinha também faz parte dessa geração. Cavaquinista e percussionista, ele integra o grupo Jongo da Serrinha, acompanha Hamilton de Holanda e desenvolve projeto solo, sendo autor de quase 100 composições. Algumas já gravadas. “Vejo o samba atualmente muito mais democrático. Não se prende mais sambista por vadiagem. No meu trabalho de compositor recebi influência pop, vinda de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan. Faço samba-jazz, mesmo tendo origem no jongo, tido pelos pesquisadores como o avô do samba”.



Batucadas para celebrar o Dia do Samba

Baile do Fogaréu
Clube do Choro de Brasília (Setor de Divulgação Cultural, Bl. G, Eixo Monumental; 3224-0599). Domingo, às 19h. Renata Jambeiro (foto) encerra o ano com apresentação no Clube do Choro, com participação especial de Nicolas Krassik e Mestrinho. Entrada: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada). Classificação indicativa livre.

Clube do Choro de Brasília
(Setor de Divulgação Cultural, Bl. G, Eixo Monumental; 3224-0599). Hoje e amanhã, às 21h, show com grupo Choro pra Cinco. Ingressos: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira). Não recomendado para menores de 18 anos. Sábado, às 21h, show com Tatá e Danú. Ingressos: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira). Não recomendado para menores de 16 anos.

Fulô do Sertão
(404 Norte Bl B s/n lj. 16; 3024-9963). Amanhã, às 19h30, show com Célia Rabelo e Jaime Ernest Dias. Couvert: R$ 10. Classificação indicativa livre.

Já Chegou Quem Faltava canta Candeia
Círculo Operário Do Cruzeiro (N, R. Cruzeiro do Sul, St. de Áreas Especiais, Ariquemes). Domingo, às 16h, show com Antonio Candeia Filho. Ingressos: R$ 10. Classificação indicativa livre.

Outro Calaf
(SBS, Q. 2 bl. Q lj. 5/6, ed. João Carlos Saad; 3322-9581). Sábado, às 14h, show com Dhi Ribeiro. Ingressos: até 17h, entrada franca; até 19h, R$ 20; R$ 30, após. Não recomendado para menores de 18 anos.

10ª Plataforma do Samba
Rodoviária do Plano Piloto. Amanhã, a partir das 16h. Com show dos cantores Mirian Marques, Teresa Lopes, Kiki Oliveira, Marquinhos Benon, Jean Mussa, dentre outros, estão confirmados para a celebração. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

Samba de Bamba
Teatro da Caixa Cultural (SBS Q. 4, Lt. 3/4; 3206-9448). Amanhã, às 20h. Projeto Samba de Bamba com show de Cris Pereira. Entrada: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Não recomendado para menores de 12 anos.

Samba na rua
Círculo Operário Do Cruzeiro (N, R. Cruzeiro do Sul, St. de Áreas Especiais, Ariquemes). Sábado, às 21h, show com Teresa Lopes (foto). Ingressos: R$ 10. Classificação indicativa livre.

Santa Fé Bar
(Condomínio San Diego lt. 32 lj. 1,2,3, Setor Habitacional Jardim Botânico; 3427-2312). Sábado, às 15h, show com grupo Diretoria do samba. Couvert: R$ 10. Classificação indicativa livre.

 

 

 

 

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