Diversão e Arte

Os seis melhores discos de 2016 que você provavelmente não ouviu

Conheça os trabalhos de Aymoréco, Bruno Batista, Bernardo Bravo, Paulo Monarco e Dandara, Paula Cavalciuk e Tássia Reis

Adriana Izel, Alexandre de Paula, Rebeca Oliveira
postado em 22/12/2016 07:07
Capa do CD Aymoréco, de Aymoréco -  (foto: Reprodução)
Capa do CD Aymoréco, de Aymoréco - (foto: Reprodução)
Capa do CD Aymoréco, de AymorécoAymoréco, Aymoréco
O disco experimental do astro teen Chay Suede tem produção de Diogo Strausz, carioca responsável por fazer de Rainha dos Raios (2014), de Alice Caymmi, um disco fenomenal e, da cantora, uma artista a ser respeitada, tirando-a da sombra do icônico pai. O feito se repete e faz com que a capacidade musical do ator e cantor mude de rumo, de um pop comum a música brasileira com pé na sua essência mais genuína. A guitarrada nortista é moderna, dançante, e não recebeu a atenção que deveria, talvez por preconceito com o início da carreira de Suede, na telenovela adolescente Rebelde.

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Bagaça, Bruno Batista
[SAIBAMAIS]Bruno Batista talvez seja um dos mais escondidos tesouros da música brasileira atual. Nome desconhecido para muitos, o compositor (pernambucano de nascimento, mas criado maranhense) é um dos melhores letristas da geração. Bagaça, quarto disco de Batista, demonstra a força que ainda tem a canção brasileira. Seja nas letras irônicas ou nos momentos mais intimistas, o compositor segue afiado, num disco com poucas faixas abaixo da qualidade alcançada no todo. Turmalina (canção de amor feita para a esposa, repleta de achados poéticos) merece destaque pela interpretação emocionante da cantora Dandara (outra joia) e o piano certeiro de Marcelo Jeneci.

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Capa do CD Coyoh, de Bernardo BravoCoyoh, Bernardo Bravo
O carioca radicado em Curitiba Bernardo Bravo deixou de lado a singeleza do violão de nylon e das melodias sofisticadas dos trabalhos anteriores para explorar uma verve questionadora e moderna em Coyoh. Se nos projetos anteriores, como no disco Arlequim, pairava uma atmosfera limpa; em Coyoh, Bernardo se apropria da sujeira da pós-modernidade para construir uma voz dura e, ainda assim, bela, em que o mundo digital e seus reflexos nas relações aparecem com força. Um dos pontos altos do disco fica para a canção-porrada Verve, catarse sobre a arte de se colocar à mostra nos palcos. Destaque também para a produção do multi-instrumentista Du Gomide, parceiro de Bernardo na divertida Cinco minutos.

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Dois tempos de um lugar, Paulo Monarco e Dandara
Seria difícil negar a força que Paulo Monarco e Dandara conquistam juntos. Não que os dois, sozinhos, prescindam de algo além, mas lada a lado alcançam uma singularidade que poucos conseguiram na música brasileira atual. O registro dessa parceria, antes celebrada nos palcos e em vídeos, é o disco Dois tempos de um lugar. Com o repertório quase todo composto por canções de Monarco e parceiros, o álbum consegue captar a interpretação visceral e emocionante de Dandara, a voz correta de Monarco e o violão precisodo músico. Os dois mostram, ao longo do disco, que não é preciso quase nada além das vozes dos dois e das seis cordas do cuiabano.

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Capa do disco Morte & vida, de Paula Cavalciuk.Morte & vida, Paula Cavalciuk
Em Morte & vida, a cantora novata para o grande público se iguala aos novos nomes da MPB. Inclusive, o som de Paula Cavalciuk lembra bastante o do álbum Dancê, de Tulipa Ruiz. E tem motivo: a produção do disco ficou com Gustavo Ruiz (irmão e produtor do CD) e Bruno Buarque. Na sonoridade, Paula bebe de diversas fontes, chega fica difícil definir seu estilo musical. Já nas letras aposta em criar novos clichês e também em tratar de assuntos pesados de forma delicada, a exemplo da faixa Morte & vida uterina.

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Outra esfera, Tássia Reis
O álbum é o primeiro disco de Tássia Reis, que já havia lançado um EP em 2013, com o hit Meu rapjazz. Com sete faixas, o CD traz a busca da rapper em fazer um álbum mais complexo e que possa discutir temas atuais, como empoderamento feminino e negro e questões sociais. Por exemplo, a desigualdade é tema de Da lama/afrontamento, e a força da mulher negra é discutida em Ouça-me. Outra esfera coloca Tássia Reis de vez entre os nomes femininos de destaque no rap nacional e com discursos importantes à cena atual.

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